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O dinheiro não acabou no Flamengo, mas chegou a hora de repensar investimentos: os números do 3º trimestre de 2020

Receitas caíram por causa da pandemia e das eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, dívidas por compras de atletas precisam ser pag
O dinheiro não acabou no Flamengo, mas chegou a hora de repensar investimentos: os números do 3º trimestre de 2020

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Absoluto no ano passado, sob a liderança do técnico Jorge Jesus, o Flamengo entrou em 2020 com a ambição de ganhar tudo de novo. Inclusive para efeitos orçamentários, o mínimo esperado pela diretoria era semifinal de Libertadores, final de Copa do Brasil, 2º lugar no Campeonato Brasileiro. Despesas foram feitas contando com as fases.

A pandemia do coronavírus suspendeu competições e prejudicou receitas. O treinador fez as malas e foi embora para Portugal. Vieram as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, ambas muito antes do que a direção de Rodolfo Landim projetava. E as decepções acabarão por modificar o que se imaginava possível financeiramente.

Se até então o clube fazia contas para comprar os direitos federativos do volante Thiago Maia e do atacante Pedro, este destaque da temporada, agora que as premiações mais generosas do futebol se tornaram inalcançáveis os planos provavelmente mudarão.

Crise na Gávea? Só se for política. Financeiramente, o Flamengo tem uma situação administrável. Mas pela primeira vez em muitos anos a tendência é de que seja feita uma parada. Pelo menos é o que indicam os números até o 3º trimestre de 2020, analisados nesta série do ge.

Receitas

 

Todos os números foram retirados do balancete publicado pelo Flamengo. Eles foram classificados de maneira a facilitar a comparação com outros clubes. Este é o retrato de como estava a situação financeira em 30 de setembro, no fechamento do terceiro trimestre deste ano.

Nas receitas, más notícias. A suspensão das competições por causa da pandemia prejudicou grande parte das fontes de arrecadação. De maneira geral, comparando as cifras obtidas até setembro com o mesmo mês do ano passado, a queda contábil foi de R$ 142 milhões.

 
Flamengo set/19 set/20 Variação
Televisão 159 87 -72
Marketing e comecial 73 93 +20
Bilheterias e estádio 65 29 -37
Associados 50 63 +13
Atletas 298 221 -77
Outros 7 17 +10
Receitas 652 510 -142
 

Contábil porque há uma complicação a considerar. A contabilidade indica que os valores dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, em televisão, sejam registrados de acordo com a realização do torneio. Porém o dinheiro registrado no "fluxo de caixa" segue um cronograma diferente – a grana que efetivamente bateu na conta.

Não entendeu? Não tem problema. O que realmente importa nessa história: apesar de até o terceiro trimestre haver R$ 87 milhões contabilizados em televisão, o dinheiro que entrou no caixa foi maior. Então de maneira prática a receita foi um pouco maior – e o prejuízo lá na última linha não existiu. Culpem os contadores, não o jornalista.

Aliás, as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores terão seu efeito sentido nessa linha dos direitos de transmissão. Como as "premiações" são oriundas do dinheiro que a televisão paga para as entidades organizadoras, nos balanços é assim que são classificadas.

Por mais que exista uma dificuldade contábil para a interpretação dos números, fato é que o Flamengo não cumprirá mais o valor que tinha calculado para a temporada. No total, o clube deveria arrecadar R$ 283 milhões com televisão até o fim do ano. O Campeonato Brasileiro tem remunerações variáveis, mas será quase impossível bater a projeção.

No Maracanã está o efeito mais adverso da pandemia do coronavírus. Com as competições suspensas, depois com o reinício a portões fechados, bilheterias praticamente zeraram. Outras receitas do estádio foram prejudicadas. O Flamengo contava com R$ 108 milhões nesse quesito e deverá terminar o ano com menos de um terço disso.

Há boas notícias ainda nesta parte do faturamento. A receita com sócios-torcedores aumentou, as mensalidades de sócios patrimoniais continuaram a render a mesma coisa. No contexto da pandemia, o clube pôde contar com o torcedor para compensar as perdas.

Patrocínios e royalties sobre licenciamentos, ambos reunidos no quadro acima e "marketing e comercial", também registraram um aumento em relação ao mesmo período do ano passado. Outros clubes de futebol não conseguiram fazer o mesmo movimento neste contexto de crise.

Nas transferências de atletas, o valor corresponde principalmente a:

R$ 139 milhões por Reinier para o Real Madrid
R$ 24 milhões por Pablo Marí para o Arsenal
R$ 17 milhões por Vinicius Souza para o Lommel
R$ 10 milhões por Caio Roque para o Lommel
R$ 5 milhões por Matheus Sávio para o Desportivo Brasil
 

Despesas

 

Como entrou menos dinheiro de um lado, a prudência recomenda que saia menos do outro. E o Flamengo foi mais ou menos nessa linha. Com exceção à folha salarial, todas as despesas foram reduzidas em setembro na comparação ao mesmo período do ano passado.

Em R$ milhões set/19 (realizado) set/20 (realizado) Variação
Deduções 11 10 -1
Folha salarial* 204 232 +28
Demais despesas do futebol 269 206 -63
Administrativas 40 31 -9
Sociais e esportes amadores 4 3 -1
Despesas 528 482 -46

O Flamengo não faz a distinção da folha do futebol profissional de esportes amadores e atividades e sociais. O valor engloba tudo

A folha salarial inclui salários, encargos trabalhistas e direitos de imagem e de arena do futebol profissional, da base e de outros esportes. A qualidade do elenco em campo está refletida principalmente nesta linha.

Uma vez que a suspensão dos campeonatos também acabou por um tempo com viagens, hospedagens etc, era de se esperar que despesas naturalmente diminuíssem. Muitas rubricas caíram pela metade.

O problema, em linhas gerais, é que a redução dos gastos foi menor do que a queda das receitas. Isso fez com que uma previsão de superavit (lucro) de R$ 75 milhões no ano passado virasse deficit (prejuízo) de R$ 20 milhões neste. Lembrando que parte disso, por causa da televisão, é "apenas" contábil. Em condições normais haveria um pequeno superavit.

Em R$ milhões set/19 (realizado) set/20 (realizado) Variação
Receitas 652 510 -142
Despesas -528 -482 -46
Não operacionais -21 -25 +4
Resultado financeiro -28 -23 5
Resultado líquido 75 -20 -95

Um fato positivo está no "resultado financeiro". Ele mostra principalmente despesas com juros sobre dívidas. No caso do Flamengo, esses juros não somam nem R$ 9 milhões. Muito pouco relativamente.

O maior problema nas despesas financeiras foi a "variação cambial". O Flamengo comprou direitos de jogadores em moeda estrangeira. Como o real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2020, essas dívidas foram ficando maiores conforme o câmbio pirava.

O que ajudou a manter as contas em ordem foi que, além de comprar, o clube vendeu jogadores em moeda estrangeira. Reinier, principalmente. Então os efeitos do câmbio também puderam ser sentidos por este lado. No fim das contas, ganhos anularam perdas. Ficou de bom tamanho.

 

Dívidas

 

Esta costuma ser a parte que suscita preocupações: o endividamento. Pois é aqui que se manifestam as consequências de tudo o que foi exposto acima. No caso do Flamengo, a situação não está necessariamente fácil, porém continua longe de uma crise.

Depois de um período de aumento das dívidas, sobretudo por causa dos reforços para o futebol profissional, o clube rubro-negro reduziu seu nível de endividamento no fechamento de setembro. Está pior do que em dezembro do ano passado, melhor do que em junho deste ano.

Antes de cair da cadeira com a curva ascendente, considere uma informação importante que não está refletida no gráfico acima. Este é todo o valor que precisará ser desembolsado no futuro para honrar com compromissos, menos o que estava disponível em caixa no dia de fechamento do balancete. Mas há mais dados importantes a incluir.

Ao mesmo tempo em que o Flamengo comprou jogadores e tem parcelas dessas aquisições a pagar, o clube vendeu atletas como Reinier. Também existem parcelas a receber nos próximos meses e anos.

O blog separou abaixo apenas os valores referentes a jogadores. Além disso, classificou conforme o prazo para vencimento ou recebimento. Curto prazo significa período inferior a um ano, portanto até setembro de 2021. Longo prazo remete a mais do que um ano, a partir de outubro.

Parcelas de jogadores comprados e vendidos

 

  • R$ 121 milhões a receber no curto prazo
  • R$ 149 milhões a pagar no curto prazo
  • R$ 4 milhões a receber no longo prazo
  • R$ 96 milhões a pagar no longo prazo

 

Em português claro, o que esses números dizem? Que no curto prazo a situação está mais ou menos equilibrada. Créditos quase alcançam os débitos. Então com algum esforço esses compromissos devem ser honrados na data combinada. Poucos têm essa situação no Brasil.

No longo prazo, no entanto, existem motivos para atenção. O Flamengo tem pouco mais do que R$ 90 milhões de diferença entre contas a receber e a pagar. Porque o forte elenco montado por Landim para ganhar campeonatos nesta temporada custou muito caro.

Se as premiações da Copa do Brasil e da Libertadores tivessem sido garantidas conforme orçamento, ficaria mais fácil de fechar a conta na diferença entre receitas e despesas. Esforços poderiam suceder na compra dos direitos de Pedro e Thiago Maia, por exemplo.

Agora que o time foi eliminado, que não há mais dinheiro para entrar em abundância, opções precisarão ser feitas. O Flamengo ainda quer comprar Pedro por cerca de R$ 66 milhões da Fiorentina? Terá de vender outros jogadores. Encontrar receitas em lugares imprevistos.

De maneira geral, não há mais nada que realmente preocupe. Empréstimos bancários são baixos. Impostos estão parcelados e apaziguados pelo Profut. Provisões para contingências são ações judiciais que vão gerar cobranças só no longo prazo.

O dinheiro não acabou na Gávea. Só que, pela primeira vez em muitos anos, seria prudente recuar um pouco em termos de investimentos para reorganizar as contas. A diretoria de Rodolfo Landim, muito agressiva, apostou muito alto em seu primeiro ano e tirou a sorte grande. No segundo, decepcionou-se. Será capaz de segurar as ambições?

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