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Coluna/Opinião

EDUCAÇÃO DOMICIAR

Homeschooling

EDUCAÇÃO DOMICIAR
Silvana Barboza
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Observando a aprovação e discussão sobre a Educação Domiciliar refleti sobre os argumentos que defendem a proposta e não consegui entender a sua relevância para a sociedade e muito menos para a ser humano que passará por esse processo educacional.

Mesmo com todos os problemas encontrados dentro da educação brasileira, estar inserido na sociedade não tem preço ou substituição.

A criança, e o adolescente, tem o primeiro contato com a sociedade através da escola. Tirar isso delas, independentemente de sua classe social e tirar-lhes muitos de seus direitos.

O direito a ter amigos, fora do controle da família. Qual a lógica da família, definir totalmente as pessoas que irão se relacionar com seus filhos? Como eles irão compreender os valores de outras religiões, culturas, personalidades, etc., sem interagir com seus pares?

O direito de interagir com pessoas e situações diversas. Como amadurecer emocionalmente sem ter a alegria da amizade, o contato com os aborrecimentos e as frustrações que ocorrem naturalmente nos relacionamentos humanos?

O direito de aprender a se relacionar. Como conhecer as diversas personalidades e fazer escolhas de relacionamento se esse contato for limitado, mesmo que a criança frequente clubes, igrejas ou outros tipos de instituições, ela terá sempre acesso ao mesmo grupo social, político e religioso, e isso limitará a noção da realidade social presente no mundo, podendo inclusive, criar estereótipos sobre realidades diferentes da sua.  

O direito a professores com pensamentos diversificados. A diversidade de professores na escola, direita, esquerda, conservadores, amorosos, impacientes, comprometidos ou não, traz ao aluno a capacidade de julgamento e avalição sobre inúmeros aspectos da personalidade humana, isso não tem como ser visto dentro de uma educação domiciliar.

O direito de amadurecer seus sentimentos e emoções. Corre-se o risco de criar pessoas mimadas e sem condições de enfrentar a realidade da vida...

O direito de ser rebelde. A escola com a sua dinâmica permite que os alunos lutem por seus direitos, a partir de sua realidade, uma atitude de um aluno ou um professor, que gere insatisfação no grupo, eles acabam se unindo e procurando soluções para o problema e na educação domiciliar a noção de grupo será inexistente.

O direito da sua autonomia. Na escola a autonomia da criança e adolescente é desenvolvida a partir de sua prática escolar, dentro de sua residência essa autonomia passa a ser limitada, o aluno nem terá o direito de fazer escolhas certas e erradas, prejudicando a formação de sua personalidade.

Elas podem até aprender muito de matemática, física ou outras disciplinas, mas na vida adulta elas irão precisar de habilidades de convivência humana, e talvez não tenham condições de aprenderem de forma segura e adequada.

Estão colocando esses pessoas, crianças e adolescente, dentro da Caverna, exatamente o oposto da proposta de Platão.

O preço a ser pago pode ser muito mais alto do que simplesmente acreditar que estão protegidos da sociedade e com uma educação de qualidade.

Não se vive em uma bolha, mesmo porque as mesmas têm a tendência a se romperem e quando isso acontecer essas pessoas podem não saber como viver de fato dentro de uma sociedade.

Não vale a pena a experiência

Pobres crianças ricas...

https://www.youtube.com/watch?v=zJyRAyE_jhU

Silvana Barboza 

Mestre em Políticas Públicas; Especialista em Gestão; Pedagoga; Professora de História,  estagiária de Neuropsicopedagogia e Criadora de Conteúdo no You Tube do Canal:  ALOCSE

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