Após revisar dados técnicos e científicos, a Anvisa emitiu nota técnica com a conclusão de que não há evidências sobre a eficácia do gás ozônio contra o novo coronavírus. De acordo com o documento, uma revisão de dados de estudos nacionais e internacionais concluiu que não foram apresentadas evidências científicas relacionadas à e?cácia desinfetante do ozônio contra o vírus.
Além disso, o documento afirma que, embora tenha ação desinfetante na água de consumo humano e seja utilizado com esta finalidade, principalmente na Europa, o uso do ozônio tem potencial para causar danos agudos e crônicos em humanos, caracterizados por lesões na pele, nas vias respiratórias e nos olhos, e por reações alérgicas.
O órgão diz que recebeu alguns dos projetos que incluem equipamentos liberadores de ozônio, que preconizam, por exemplo, o uso de ozônio solubilizado em microgotas de água, em concentração de 1,5ppm. O ozônio gerado é criado por equipamento que quebra a molécula dooxigênio do ar ambiente e, na sequência, forma o gás ozônio. Este gás é solubilizado em água e não gera gás ozônio livre no ambiente, para evitar que ocorra aspiração do gás pelas vias aéreas, ainda que nessa baixíssima concentração.
Outro projeto propôs o uso de câmara de descontaminação por ozônio a seco.O ozônio é ulizado há anos como desinfetante de água para consumo humano, principalmente na Europa, embora seu uso agora esteja sendo disseminado para outros países.
O gás é incolor, de odor caracterísco e explosivo, podendo também ser encontrado na formalíquida. Sua função básica na atmosfera terrestre é proteger os seres humanos dos efeitos nocivos da radiação UV.
A ozonização é uma tecnologia mais complexa que as demais ulizadas com fins de desinfecção. O ozônio é muito reavo e corrosivo, portanto, requer material resistente à corrosão, como aço inoxidável. Ademais, o composto é extremamente irritante e tóxico, de forma que os gases devem ser destruídos para impedir a exposição do trabalhador.
De acordo com os marcos legais e regulatórios vigentes, equipamentos ou estruturas que utilizam ozônio para desinfecção de ambientes públicos e de superfícies em geral não estão sujeitos à regularização junto à Anvisa. Contudo, os ensaios de comprovação de e?cácia e segurança da substância produzida por tais equipamentos devem ser realizados e mantidos pelas empresas, para ?ns de ?scalização.
A Anvisa esclarece, ainda, que essas informações poderão ser alteradas a qualquer momento, considerando possíveis atualizações sobre o assunto.
Leia na íntegra a Nota Técnica 108/2020.
Exposição ao ozônio
Estudos de exposição humana controlados demonstraram que a exposição a curto prazo - até 8 horas – podem causar diminuição da função pulmonar, com reduções no volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1); tosse; irritação na garganta; dor, queimação ou desconforto no peito ao respirar fundo; aperto no peito, chiado; e dispneia.
Além desses efeitos, evidências de estudos observacionais indicam fortemente que maiores concentrações diárias de ozônio estão associadas ao aumento de ataques de asma, de internações hospitalares, da mortalidade diária e outros marcadores de morbidade.

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