Em entrevista ao Jornal da Tropical, nesta quarta-feira (3), a doutora em imunologia Janeusa Trindade apontou que a situação da pandemia de coronavírus no Rio Grande do Norte ainda deve piorar. De acordo com ela, os efeitos das aglomerações registradas no carnaval ainda não chegaram. A especialista criticou a falta de cumprimento das medidas de distanciamento social.
"Acredito que a situação vai ser um pouco pior do que estamos vendo agora, se medidas mais enérgicas não forem tomadas em relação à aglomeração de pessoas, pois o fator carnaval ainda não está sendo computado. As pessoas precisam parar de se aglomerar, pois é isso que está contribuindo para o surgimento das variantes", alertou.
Janeusa reforçou que apenas a ação das novas cepas do coronavírus não são responsáveis pelo agravamento da pandemia no estado e no país. Para ela, há uma combinação de fatores. "Eu acredito que é uma situação multifatorial. Além da nova cepa, há o fator comportamental. Toda essa movimentação de pessoas que a gente viu durante o fim de ano e veraneio, que a gente alertou para não haver aglomeração, e por fim o carnaval", acrescentou.
Contudo, a imunologista alerta para os impactos causados pela nova variante do vírus e o poder que ele tem de driblar a imunização natural adquirida por quem já adoeceu. "Isso já vem sendo observado e estava sendo pesquisado para a variante brasileira. O novo estudo mostrou que também serve para a nossa. A cepa dribla os anticorpos. Fica o alerta para que a população deve continuar usando máscara e mantendo o isolamento social", destacou.
Outro fator que está sendo estudado é a capacidade das vacinas de proteger contra as variantes. "Pesquisas mostraram que há queda na produção de anticorpos", explicou. Entretanto, ela faz uma ressalva em relação ao estudo da Unicamp que, segundo ela, ainda está na fase de análise por pares e averiguou apenas oito indivídus. "É um 'N' muito pequeno, pois a resposta varia de pessoa para pessoa", completou.
Janeusa Trindade frisou que é preciso acelerar o Plano Nacional de Imunização (PNI) e adquirir a maior quantidade de imunizantes possíveis, de diversos fabricantes. "O mais importante é não fazer vacinação a conta gotas. Precisamos de um PNI mais robusto, com mais opções de vacinas, como a da Pfizer e da Moderna, que já se mostraram mais eficazes contra as variantes", disse.
Ela reforçou também que a população, mesmo vacinada, não relaxe com as medidas individuais de prevenção. "Pessoas não podem baixar a guarda. Estamos vendo gente que se vacinou contraindo a doença. O fato de se vacinar e se infectar mostra que precisamos esperar o tempo de imunização. E mesmo depois é preciso manter os cuidados, pois pode contrair o vírus e espalhar a doença para outras pessoas. Até atingirmos a imunidade de grupo, nós precisamos manter os cuidados", finalizou.

Comentários: