O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, avalia que o cerco em torno do presidente Jair Bolsonaro está se fechando; "A gente tem que considerar o seguinte: se eles estão fechando o cerco para simplesmente encurralar o Bolsonaro ou se já começou a ser colocada em prática uma proposta de retirar o Bolsonaro do governo", analisa; assista sua entrevista à TV 247
O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, falou à TV 247 sobre a fragilidade do governo do presidente Jair Bolsonaro e analisou que Bolsonaro é sustentado pelo apoio popular que ainda se coloca ao seu lado, mas que, caso esse apoio acabe, o governo do capitão também acaba. Para o dirigente partidário, o cerco está se fechando para Bolsonaro.
"A impressão que dá é de que estão fechando o cerco no Bolsonaro e já nessa altura dos acontecimentos a gente tem que considerar o seguinte: se eles estão fechando o cerco para simplesmente encurralar o Bolsonaro e fazer com que ele abaixe a cabeça para determinadas políticas, como a gente viu no caso do enfrentamento deles com os militares, ou se já começou a ser colocado em prática uma proposta de retirar o Bolsonaro do governo", analisou.
O presidente do PCO disse que o apoio popular de Bolsonaro se torna irrelevante caso as mobilizações contra ele tomem grande proporção. "Isso tem muito a ver com as mobilizações porque se o Bolsonaro começar a sofrer um assédio muito grande das mobilizações ele está liquidado, não vai aguentar, é um problema muito sério para ele. Na minha opinião, o elemento decisivo que vai definir a próxima etapa é justamente a mobilização, porque não adianta nada o Bolsonaro ter um relativo apoio se a oposição nas ruas é avassaladora, aí esse apoio dele é irrelevante. Se o povo sair na rua contra ele a centenas de milhares e as mobilizações começarem a evoluir e tudo mais esse apoio se torna relativamente irrelevante, não tem um peso para manter a situação. Aí os militares podem tirar ele, os militares e o centrão, fazerem toda uma manobra política, fazer um acordo e governar no lugar dele. Eu acho que o Bolsonaro, nesse sentido, está ameaçado de perder o governo".
No programa transmitido um dia antes dos grandes atos em defesa da educação de 15 de maio, Rui Costa Pimenta defendeu que as manifestações devem ser democráticas e que todos têm direito de levantar suas bandeiras e gritar suas palavras de ordem. "Eu acho que independentemente da motivação nós temos que defender uma posição democrática, a posição é assim: o movimento não pertence a ninguém, é um movimento democrático dos setores populares. Não é porque um determinado setor, nesse por exemplo, os professores e estudantes, estão diretamente interessados nele que o outros setores não vão participar, seria absurdo, o movimento é um movimento popular democrático. Se é democrático, cada um participa do movimento à sua maneira, nós não podemos exigir que o setor a, b ou c cumpra uma determinada regra de não participação, de não expressão, principalmente nessas coisas que são contrárias aos direitos democráticos elementares. Eu acho assim, você não gosta da bandeira do, vamos supor, PSOL, leva a sua bandeira, você é de outro grupo? Você é anarquista? Pinta lá uma bandeira negra, põe o símbolo do anarquismo e leva a bandeira anarquista, direito seu".
Ele avaliou que a comunidade em torno da educação é muito grande e tem um grande poder e facilidade de se mobilizar. "Eu acho que o tema número um é o 'fora Bolsonaro', pelo que a gente tem visto. O tema número dois é a Previdência, e aí nós temos um tema mais difícil de avaliar mas que é muito grande na população que é a liberdade do Lula. E agora emergiu um tema cuja a importância primeiro é geral, Educação é uma preocupação de todos os brasileiros, sem nenhuma exceção, tem a ver com a economia nacional, destino do país, tecnologia, independência, tudo. É uma coisa que está entrelaçada com todos os aspectos da vida nacional e que tem uma vantagem adicional em relação aos outros, existe uma comunidade que é muito grande, são milhões de pessoas nas universidades e nas escolas, pessoas que influenciam outras pessoas muito de perto, porque o professor do aluno do ensino fundamental ele tem toda relação com a comunidade ali da onde ele está dando aula, ele conhece todo mundo. Por essas características esse setor não só é mais fácil de mobilizar como ele tem um grande poder de influência sobre outros setores, daí a importância do que está acontecendo".
Rui também classificou a onda de protestos a favor da educação como "grande oportunidade para a esquerda". "Pode ser que o povo brasileiro na sua luta contra o golpe, na sua luta contra os golpistas, ataques e tudo mais, consiga encontrar nas mobilizações uma alavanca para colocar o país todo em movimento contra o bolsonarismo, o golpe, a direita e pela liberdade do Lula. Temos que transformar esse movimento em um movimento para botar um ponto final no golpe, é a nossa grande oportunidade. Aqui está se apresentando a maior de todas as oportunidades".
Sobre a declaração de Bolsonaro de que irá indicar o atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para vaga que se abrirá no próximo ano no Superior Tribunal Federal (STF), o presidente do PCO analisou o caso como um ataque de Bolsonaro a Moro. "Objetivamente é um ataque do Bolsonaro contra o Moro. Primeiro porque desmascara ele com sendo uma pessoa que entrou no governo em um acordo cambalacheiro, esquisito, meio assim: 'você entra no governo, se compromete politicamente e eu te dou a vaga no STF', essa deveria ser a interpretação normal. Uma interpretação indo um pouco mais além seria que esse é o verdadeiro acordo pela condenação do Lula. Uma vaga no STF tem valor muito superior a um cargo de ministério, principalmente em um governo como esse, incerto. O STF é vitalício, até a pessoa se aposentar e tudo mais, é um cargo da maior importância. Então desmascara a negociata, enfatiza aquilo que foi dito de que a prisão do Lula tinha sido acordada e o Moro estava sendo recompensado, eu acho que não só é uma recompensa pela prisão do Lula como não é a única recompensa, é uma ação que tende a ser bem recompensada por vários setores da burguesia".
Ele complementou dizendo que a fala de Bolsonaro revela que o "grande lutador contra a corrupção" faz acordos pessoais. "Isso era para aparecer quando houvesse uma vaga, aparentemente seria no ano que vem porque o Celso de Mello vai ter a aposentadoria compulsória. Aí o Bolsonaro fala: 'o Moro, grande cara, vou indicar ele', agora indicar com um ano de antecedência? É denunciar o acordo, mostra que o grande lutador contra a corrupção faz uns acordos pessoais totalmente esquisitos que aumenta a suspeita em relação a todo o processo político que para nós é evidente mas que para outras pessoas pode não ser, e cria dificuldades para ele assumir o cargo. Teve quem dissesse que o Bolsonaro queimou a largada com o Moro na questão do STF e que agora ele vai ter muito mais dificuldade para chegar ao STF, precisamos lembrar que não basta a indicação do Bolsonaro, ele precisa ser aprovado pelo Senado também".
Rui Costa Pimenta ainda disse que a popularidade de Moro caiu desde sua chegada ao governo. "O Moro é bem menos do que ele era quando entrou no governo, ele diminuiu de tamanho na política nacional entre os setores políticos e era uma coisa inevitável porque a pretensão do setor da Lava Jato de colocar todo mundo aí sob processo de corrupção é uma pretensão que tem um custo muito alto. Veja a questão do Temer, foi um momento culminante do ataque da Lava Jato contra a estrutura política do centrão tradicional que está tentando controlar o governo Bolsonaro, a partir daí o STF se insurgiu e atacou a Lava Jato diretamente, quer dizer, mostrou que aquele negócio de que a Lava Jato é unanimidade e que todo apoia acabou já faz um tempinho. Logicamente que nessas condições o Moro perde um pouco o papel".

Correio do Agreste