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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
Brasil

Revisão do Guia Alimentar nega evidências científicas e coloca em risco a saúde da população

Especialista afirma que nota técnica do Ministério da Agricultura faz parte de lobby da indústria de processados

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Revisão do Guia Alimentar nega evidências científicas e coloca em risco a saúde da população
Ministério quer que bolachas, refrigerantes, salgadinhos e macarrão instantâneo passem a fazer parte do rol de alimentos indicados pelo Guia
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São Paulo – Foi divulgada, na última quinta-feira (17), uma nota técnica do Ministério da Agricultura pedindo a revisão do reconhecido Guia Alimentar para a População Brasileira. Para a professora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP, Patricia Jaime, a tentativa de alteração nega evidências científicas em relação ao consumo de ultraprocessados e também os impactos ambientais que o consumo excessivo de carnes acarreta.

De acordo com o ministério, a revisão precisa “ouvir” a indústria de alimentos. A nota também pede o fim da classificação que se refere à redução de alimentos ultraprocessados, descritos no Guia Alimentar. A nota foi enviada ao Ministério da Saúde, responsável pelo projeto.

A especialista se diz surpreendida com a interferência do Ministério da Agricultura sobre um assunto sanitário. “O Guia Alimentar é uma diretriz oficial do governo brasileiro, emitido pelo Ministério da Saúde, para orientar uma alimentação saudável. Quando o Ministério da Agricultura pede uma revisão, com argumentos falaciosos e que negam a ciência parece uma ingerência induzida por conflitos comerciais”, afirmou, em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual.

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Guia Alimentar

Lançado em 2006, o guia é uma publicação do Ministério da Saúde que traz princípios de uma alimentação adequada e saudável para a população brasileira. Além disso, serve para nortear políticas públicas intersetoriais de segurança alimentar.

Ainda na última quinta, organizações reunidas na Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável lançaram um manifesto contra a inclusão de ultraprocessados no Guia Alimentar, em resposta à posição da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Patricia Jaime explica que a publicação é reconhecida internacionalmente também por ter classificado os alimentos de uma nova forma. Se antes os guias falavam sobre nutrientes, usando termos mais técnicos, agora, levam em consideração o grau de processamento dos produtos.

A professora desmente também que o Guia Alimentar seja uma imposição do governo federal. “As pessoas dizem que o Estado quer impor à população o que devem comer, isso não é verdade, inclusive nós temos políticas governamentais que favorecem o consumo de ultraprocessados, como os subsídios para a produção de refrigerantes no país. A indústria de alimentos sempre quis barrar o guia, mas o Ministério da Saúde, anteriormente, tinha um compromisso com a saúde pública e desenvolveu um processo democrático. Por isso, é falacioso dizer que não houve consulta à indústria, quando fizemos várias consultas públicas abertas”, finalizou.

FONTE/CRÉDITOS: RBA

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