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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
Justiça

OAB denuncia que presos têm partes do corpo deformadas por bactérias

Uma bactéria desconhecida tem deformado partes do corpo dos detentos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima.

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
OAB denuncia que presos têm partes do corpo deformadas por bactérias
O caso do germe que tem “comido” a pele e deixado membros dos presos em estado de composição começou a repercutir nos últimos dias, com a publicação de imagens de um preso sendo atendido no Hospital Geral de Roraima nas redes sociais / Reprodução
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Uma bactéria desconhecida tem deformado partes do corpo dos detentos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima.

A  prisão está sob intervenção federal desde janeiro de 2019, quando foi  palco de uma rebelião que resultou na morte de 33 detentos, vítimas do  confronto de organizações criminosas rivais. 

A Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP),  sob a coordenação do Departamento Penitenciário Nacional (Depen),  neutralizou a influência das facções, mas as condições do local seguem  insalubres.

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O caso do germe que tem “comido” a pele e deixado  membros dos presos em estado de composição começou a repercutir nos  últimos dias, com a publicação de imagens de um preso sendo atendido no  Hospital Geral de Roraima nas redes sociais.

A imprensa local  confirmou a veracidade das imagens e posteriormente a Comissão de  Direitos Humanos da OAB-RR e a Defensoria Pública Estadual visitaram o  hospital e a penitenciaria.

Apesar da repercussão recente, o caso não é tão novo. Em entrevista à ConJur, o presidente da OAB local, Ednaldo Vidal, considera o que está acontecendo na penitenciária uma vergonha.

“Tomamos  conhecimento do caso quando recebemos denúncias de que presos foram  encaminhados ao Hospital Geral de Roraima nessa situação degradante.  Encaminhei os fatos à Comissão dos Direitos Humanos, que visitou o  hospital e a prisão, e constatou o descontrole dessa doença entre os  presos”, explica.

Segundo o  advogado, as condições de higiene na prisão são inaceitáveis. “As  autoridades públicas precisam dar as condições mínimas para que os  diretores, os agentes e os profissionais do presídio trabalhem. Na  penitenciária falta água, falta papel higiênico e remédio Os presos  estão sendo comidos vivos por uma bactéria que sequer foi identificada”,  explica. Mais de 20 detentos apresentam paralisia nas pernas e pele em  decomposição. 

Vidal afirma  que a OAB-RR já denunciou o caso ao presidente do TJ-RR, à  Procuradoria-Geral de Justiça, CDH-CFOAB, STF, CNJ e PGR. “Já enviamos o  ofício denunciando o caso para as maiores autoridades judiciárias do  país e ninguém fez nada até agora. Temos o número de todos os ofícios.  Primeiro teve uma epidemia de sarampo. E agora está pior. Aquilo é um  caldeirão de desumanidade. A OAB já contribuiu doando ar-condicionado,  remédios, sabonetes bactericidas, mas só o poder público pode resolver”,  diz.

Vidal explica que  também pediu para que a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal  da OAB encaminhe o caso para a Comissão Interamericana de Direitos  Humanos.

“Uma coisa que tem  que ser dita é que o Poder Judiciário de Roraima é um dos que mais  prendem no país proporcionalmente. Tem pessoas lá que poderiam estar  soltas com medidas cautelares, réus primários, pessoas sem personalidade  voltada para o crime”, explica. 

As informações prestadas por Vidal correspondem a dados do Infopen de 2017. O estado tem a nona maior taxa de presos provisórios do país.

Ao tomar conhecimento do caso, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos se manifestou instando o “Estado  do Brasil a garantir urgentemente o acesso a tratamento de saúde  especializado às pessoas afetadas pela bactéria e a tomar medidas para  solucionar os problemas estruturais da penitenciária, que facilitam a  propagação de doenças”.

Por fim, Vidal afirma  que mesmo os presos que estão internados não têm atendimento adequado.  “O Hospital Geral de Roraima não tem material nem para fazer uma  cirurgia. Imagine o estado de calamidade pública em que nos encontramos.  Por enquanto nenhum preso morreu, mas, se nada for feito, é uma questão  de tempo”, finaliza. 

FONTE/CRÉDITOS: novonoticias

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