O presidente afastado da Câmara de Vereadores de João Dias, no Oeste potiguar, Laete Jácome de Oliveira, teve um novo mandado de prisão expedido pela Justiça na última sexta-feira (3) após romper uma tornozeleira eletrônica. Laete havia sido preso no último mês de dezembro na Operação Omertà, deflagrada pelo Ministério Público do Estado, que investigava uma extorsão contra o prefeito de João Dias. A família também é investigada por outros crimes, como lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
A nova prisão preventiva foi determinada depois que a Central de Monitoramento Eletrônico comunicou à Justiça que a tornozeleira eletrônica do vereador havia sido rompida na manhã de quinta-feira (2). O mandado aponta três tipificações de crimes aos quais Laete responde, como apropriação de dinheiro ou bem em razão do cargo público que ocupa. Embora tenha sido afastado do cargo de presidente da Câmara de João Dias por 180 dias em dezembro, Laete ainda é apontado como presidente no site do Legislativo municipal.
De acordo com o advogado Leonardo Dias, que representa o vereador, uma decisão judicial na quinta-feira (2) teria suspendido a prisão domiciliar. Ainda de acordo com ele, Laete sofre de depressão e rompeu a tornozeleira em um "surto", mas deve se entregar entre esta segunda (6) e a terça (7).
A investigação do Ministério Público aponta que o vereador e seu núcleo familiar teriam ameaçado o prefeito eleito em 2020, Marcelo Oliveira, para que ele renunciasse ao cargo, o que ocorreu em 27 de julho de 2021. Após a renúncia, a filha de Laete, Damária Jácome, que era a vice-prefeita da cidade, assumiu o comando do Executivo municipal. Damária também teve mandado de prisão expedido em dezembro. Segundo a defesa, Laete afirma que pagou um valor para que o então prefeito renunciasse ao cargo.
O grupo de Laete é suspeito de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de outros crimes, com várias movimentações bancárias em empresas de fachada. Uma dessas empresas é uma revendedora de veículos da cidade potiguar de Água Nova, que movimentou mais de R$ 6 milhões em apenas dois anos, mas possui apenas um veículo cadastrado junto ao Detran/RN. Para o MPRN, esse dinheiro é proveniente de crimes cometidos pelo grupo e era lavado nessa empresa.
Em 19 de outubro de 2021, dois filhos de Laete e irmãos da então prefeita Damária Jácome morreram em uma troca de tiros com a polícia na Bahia. As mortes de Deusamor e Leidjan Jácome de Oliveira, de 38 e 37 anos, respectivamente, ocorreram em Barras (BA), durante uma operação realizada em parceria entre as autoridades da Bahia e do RN. Damária decretou luto em João Dias por três dias.

Correio do Agreste