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Fabiana admite dúvidas e ainda se divide entre o sonho de ser mãe e Olimpíadas: "Deixando acontecer"

Em entrevista ao podcast "Ubuntu Esporte Clube", bicampeã olímpica afirma não ter uma decisão tomada sobre seguir em quadra com seleção ou buscar a ma
Fabiana admite dúvidas e ainda se divide entre o sonho de ser mãe e Olimpíadas:
Fabiana em ação pela seleção — Foto: Divulgação/FIVB

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Quando o anúncio do adiamento das Olimpíadas de Tóquio foi formalizado, Fabiana viveu uma confusão de sentimentos. Bicampeã olímpica, a central tinha seus planos bem estruturados em sua cabeça. Enquanto trilhava seu caminho para uma despedida da seleção brasileira na capital japonesa, também se preparava para um outro sonho: ser mãe. Agora, aos 35 anos, diante do adiamento, vive a dúvida sobre o que fazer. Em entrevista à edição desta semana do podcast “Ubuntu Esporte Clube”, que aborda a gravidez no esporte, a jogadora admitiu ainda não ter certeza sobre qual decisão tomar.Por mais que você tenha o sonho de ser mãe, você quer estar ali na quadra, você quer estar jogando. E aí chega uma hora que também chega a idade. Hoje, eu tenho 35 anos. Talvez adiar isso, para mim, para o meu corpo, para a minha saúde, não sei se seria o ideal. A cabeça vira um mix de várias coisas. Lógico, estamos falando de uma Olimpíada, e eu amo estar ali dentro da quadra. Ao mesmo tempo, já fui a quatro Olimpíadas e eu tenho o sonho enorme de ser mãe - afirmou.

  • Então, sempre veio esse pensamento: “Quero ser mãe”. Aí passam alguns dias e eu penso: “Não, eu quero ir para a Olimpíada, eu quero tentar”. “Não, quero ser mãe”. Sempre vêm esses sentimentos, não tem como. Vai e volta. Mas ainda não posso dizer que eu tenho uma decisão concreta. Estou deixando as coisas acontecerem, deixando até o finalzinho para tomar uma decisão. Acredito que a maioria das atletas passa por isso. E, quando uma atleta engravida mais novinha, pensa que daqui a pouco volta, sabe que vai estar ali no ritmo. Mas quando você chega numa certa idade, já complica um pouco. É um mix de emoções, sentimentos e decisões que passam pela sua cabeça. 
  • No próximo sábado, dia 25 de julho, é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e caribenha. Na edição desta semana, então, o Ubuntu discute as dificuldades que uma atleta enfrenta ao decidir ser mãe. Uma das convidadas, a ginecologista e obstetra Maysa Teotonio Josafá Simão, do Hospital de Clínicas da UFMG, ressaltou a importância de acompanhamento em casos de mulheres como Fabiana, que pensa em ser mãe após os 35 anos.

    Quando a gente fala de gestação tardia, é uma questão não só da mulher atleta, mas da mulher atual, é muito importante destrinchar um pouco essa questão. Quando hoje a gente fala sobre gestação tardia, estamos falando também da gestação das mulheres negras. Porque, se pensar que saímos de séculos de gestação para subempregos e agora estamos conseguindo entrar no mercado de trabalho, que é composto majoritariamente por homens brancos, mulheres brancas e alguns homens negros, então começamos a dividir com essas mulheres brancas algumas questões trabalhistas também. Inclusive a questão da gestação tardia - disse.

    Fabiana comemora ouro em Londres com Fabi — Foto: Elsa/Getty Images

    - Precisamos pensar que globalmente estamos tendo uma redução da taxa de natalidade e um aumento proporcional das gestações acima de 35 anos, a gestação tardia. Isso, obviamente, vai trazer algumas questões específicas para essas mulheres. Temos dificuldade maior de engravidar em si, aumento das taxas de aborto. Nosso corpo é uma máquina, usada 24 horas por dia por toda a nossa vida. Obviamente, na gestação, vai ter uma sobrecarga maior. Quando falamos com mulheres atletas, que o corpo é o instrumento delas, quando falamos de mulheres que não são atletas, falar sobre planejamento familiar, se quer ser mãe e quando quer ser mãe, é extremamente importante.

    Fabiana também questiona a formulação de contratos esportivos para atletas mulheres. No vôlei, por exemplo, os acordos com os clubes costumam abranger apenas o período de competições, deixando as jogadoras descobertas quando as disputas chegam ao fim. A situação fica ainda mais complexa quando a atleta engravida.

    - Nosso contrato peca muito porque é por tempo. É um assunto que precisa ser repensado, discutido, na vida do esporte, não só no vôlei, mas para todas as atletas no lado feminino. Porque isso pode acontecer com todo mundo. Quando você tem um trabalho fora do lado esportivo, você tem esse resguardo por trás, mas, infelizmente, o esporte peca nisso. Tem de ser discutido. E- tomara, Deus – que mude. Porque vai ser muito bom para as mulheres.

    A edição do Ubuntu Esporte Clube também conta com a participação da ex-pivô de basquete Roseli do Carmo, prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e as atletas Silvinha e Gilmara, também do basquete.

Fonte

GloboEsporte.com — Rio de Janeiro

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