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Quinta-feira, 21 de Maio de 2026
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'Estão matando a gente': médico que sofreu ataque em quiosque na Barra conta como foi levar mais de 14 tiros

Ortopedista estava na orla, acompanhado de três amigos, quando o grupo foi alvo de disparos de criminosos. As outras vítimas não sobreviveram

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Por Portal Correio do Agreste
'Estão matando a gente': médico que sofreu ataque em quiosque na Barra conta como foi levar mais de 14 tiros
Daniel Proença na sessão de fisioterapia, numa clínica em São Paulo: dez balas ainda no corpo e bolsa de colostomia — Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo
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“Inúmeras pessoas se salvaram naquele dia 5 de outubro, no quiosque em frente ao Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, onde estávamos hospedados para um congresso internacional de ortopedia. Colegas passavam ali e nos cumprimentavam. Estávamos eu, o doutor Corsato (Marcos de Andrade Corsato, de 62 anos), Perseu (Perseu Ribeiro Almeida, 33) e Diego (Diego Ralf Bomfim, de 35), que operava comigo. Houve uma hora que o doutor Corsato disse: ‘Não chama muita gente não, porque daqui a pouco teremos que falar inglês e espanhol. Vamos conversar aqui reservadamente’. Facilmente, ficariam 20 ou mais pessoas conosco, porque todos queriam os ensinamentos do doutor Corsato.

Doutor Corsato se sentou na nossa mesa por acaso. Um mês antes, em outro congresso, em Vitória, ele se ressentiu de não ter visto Perseu, que ele chamava de amigo baiano, que foi seu aluno. Éramos paulistas, com exceção de Perseu. Então, quando o viu no quiosque, doutor Corsato não teve a menor dúvida de se juntar a nós.

Falamos de futebol, de medicina, de projetos de vida. Começou com o Perseu, que estava feliz por ajudar pacientes na Bahia com novas técnicas ortopédicas menos invasivas. Aquele congresso seria um diferencial na carreira dele. Disse que queria ter mais filhos, embora fosse vasectomizado. Anunciou que iria reverter a cirurgia. Nós três, ali, comentávamos como as nossas carreiras decolavam. Já o doutor Corsato, após mais de 30 anos de experiência, nos confidenciou sobre a felicidade que sentia de ver a última filha se casando e que, a partir dali, diminuiria o ritmo de trabalho para aproveitar a vida com a mulher.

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Na hora de pagar a conta

 

Diego percebeu que estava ficando tarde. Comentou que era 0h45. A gente procurou o garçom para pagar a conta. Foi bem na hora de sair quando o acidente (três homens armados atacaram o grupo que, segundo a polícia, confundiu Perseu com Taillon Barbosa, um dos chefes da milícia da favela de Rio das Pedras, na Zona Oeste, que seria preso pela Polícia Federal um mês após a execução).

Médicos de SP são mortos a tiros em quiosque na Barra da Tijuca - Todas as vítimas eram de SP e tinham vindo para um congresso internacional de ortopedia. Na foto, Diego Ralf Bomfim, Marcos de Andrade Corsato e Perseu Ribeiro Almeida — Foto: Reprodução

Médicos de SP são mortos a tiros em quiosque na Barra da Tijuca - Todas as vítimas eram de SP e tinham vindo para um congresso internacional de ortopedia. Na foto, Diego Ralf Bomfim, Marcos de Andrade Corsato e Perseu Ribeiro Almeida — Foto: Reprodução

Naquela madrugada, o Fluminense tinha se classificado para a final da Libertadores. Passaram um ou dois carros, por volta de meia-noite, com torcedores soltando fogos. Mas, logo depois, foram os disparos. Eu não reconheci de pronto e pensei: ‘Estão soltando fogos em cima da gente’. Minha primeira impressão foi de que tinham visto o Diego com a camisa do Santos e Perseu, com a do Bahia.

FONTE/CRÉDITOS: oglobo
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