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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
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Documentário denuncia crime periódico contra atingidos por barragens

Lançado nesta terça-feira, filme traça diagnóstico sobre a saúde física e mental dos moradores da Bacia do Rio Doce atingidos pela lama tóxica da Sama

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Documentário denuncia crime periódico contra atingidos por barragens
Crime da Samarco devastou a Bacia do Rio Doce e atingiu mais de 1 milhão de moradores da região
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São Paulo – Depois do rompimento de uma barragem, o crime ambiental não acaba, é perene. Além das perdas humanas e materiais, a população atingida pela lama tóxica do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, ainda sofre com a tristeza e graves problemas de saúde.

Para relatar esse drama que atinge milhares de homens, mulheres, idosos, jovens e crianças que vivem ao longo do rio Doce, o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) lança na noite desta terça-feira (5) o documentário Renova – O Crime Periódico. A data marca os três anos e três meses de impunidade do crime das mineradoras Vale, Samarco e BHP Billiton.

“O rompimento da barragem de rejeitos de Fundão não deixou apenas o rastro de destruição causado pelos mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Por todos os 600 quilômetros por onde a lama passou, atingidos das 39 cidades entre Minas Gerais e Espírito Santo relatam problemas de saúde causados pelo rompimento e também denunciam a atuação das mineradoras dentro da entidade responsável pela reparação das vítimas”, afirma o MAB. “O documentário traz um panorama sobre as consequências dos rejeitos para a saúde dos moradores e a perpetuação do crime até os dias atuais.”

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Doenças e transtornos psicológicos

O Instituto Saúde e Sustentabilidade, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Greenpeace, realizaram, entre 2017 e 2018, exames de saúde em moradores de Barra Longa, um dos municípios mais afetados pela lama. Problemas respiratórios foram relatados por 40% dos entrevistados. Para as crianças de até 13 anos, o índice alcançou 60%. E 15,8% dos entrevistados estão com afecções de pele. Mais de 80% dos atingidos, que participaram do levantamento apresentaram sintomas de problemas emocionais. A insônia é o mais frequente, atinge 36,9% dos entrevistados, inclusive crianças entre 6 a 13 anos (taxa de 19%).

Além destes relatórios, exames de sangue realizados em 11 moradores de Barra Longa comprovaram alto nível de níquel no organismo dos atingidos. A substância é capaz de causar doenças de pele, queda de cabelo, entre outras doenças. Os exames confirmaram também a contaminação por arsênio e nível de zinco abaixo do necessário para o corpo humano.

O lançamento ocorre quando, novamente, outro crime ambiental destrói a vida e o ambiente em Minas. Além das centenas e mortos e desaparecidos, os atingidos pela lama tóxica da barragem de rejeitos da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, já apresentaram sintomas de saúde, como coceiras, náuseas e feridas na pele.

“Os rejeitos da Vale já contaminaram o rio Paraopeba e devem comprometer também o São Francisco, um dos principais recursos hídricos do país, que banha mais de 500 municípios brasileiros”, avalia o MAB. “Cerca de 18 milhões de pessoas devem ser prejudicadas com a contaminação desse leito. Mais do que nunca é imprescindível investigar, refletir e descobrir quais as implicações com o contato e ingestão da lama e da água contaminada.”

Renova negligencia atingidos

A Fundação Renova, entidade responsável pela reparação das vítimas, também é foco do documentário do MAB. Segundo atingidos, entidades e juristas a entidade atua em favor das mineradoras e negligencia todos os direitos dos atingidos.

“Para se ter uma ideia, o reassentamento da cidade de Bento Rodrigues, distrito totalmente devastado pela lama, só teve uma casa construída. Ainda hoje, há municípios que são abastecidos por caminhão pipa”, relata o MAB.

Assista ao trailer de Renova – O Crime Periódico

FONTE/CRÉDITOS: Redação RBA

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