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Brasil está mal de direita ideológica, incluindo retrospectivamente o período militar, quando esteve péssimo

Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quinta-feira 2

Brasil está mal de direita ideológica, incluindo retrospectivamente o período militar, quando esteve péssimo
Sara Fernanda Giromini, conhecida como Sara Winter. Foto: Reprodução
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Longe da direita democrática
O Brasil está mal de direita ideológica, incluindo retrospectivamente o período militar, quando esteve péssimo nessa matéria de conservadorismo.

Mas a diferença entre mal e péssimo aqui é tênue, nem dá pra perceber a diferença.

Bolsonaro é o pior fenômeno da direita reacionária de que temos notícia. João Batista Figueiredo, o último general da ditadura militar, pode ser considerado um homem avançado perto do capitão-presidente.

O general Castelo Branco, o primeiro da ditadura, morto em acidente aéreo, era um homem decente, a despeito da indecência que tomaria conta do regime nos anos seguintes.

Valor de um regime ou de governos se mede em parte pelo caráter de indivíduos e havia muitos militares aquinhoados por essa qualidade, a despeito de nada justificar a presença deles no poder.

Mas havia a luta contra o comunismo, o que não se justifica hoje, a menos que o terraplanismo tenha se apoderado de cérebros demais. E, ao que parece, foi isso mesmo o que aconteceu nos últimos anos.

O comunismo realmente existe no mundo, mas nenhum que prescinde de relações capitalistas.

A China é o melhor exemplo. Tanto que a riqueza não foi extinta por lá, nem extintos os pobres. O resto são ditaduras desclassificadas e califados.

Mas o Brasil resolveu flertar novamente com a ditadura. E isso só foi possível porque havia um Bolsonaro se criando por décadas no Parlamento com a ideia fixa de ressuscitar as milícias armadas, que ele sempre defendeu enquanto foi deputado federal.

Por que não lhe cortaram as asinhas antes, essa é a pergunta que não quer calar, pois reflete a resiliência extrema das instituições para quem – e aí justiça seja feita – o capitão nunca escondeu o que sentia – repulsa pura e simples.

Mas Bolsonaro, antes de tudo, é também um pragmático. Não se importa em recuar quando é necessário para avançar quando é possível.

Essa falta de coerência é o que define o bolsonarismo e não é mais uma questão política a ser debatida. Não adianta perder tempo com isso.

O que é preciso discutir agora é a qualidade dessa direita, que opõe Jair Bolsonaro a um Sérgio Moro na qualidade de uma terceira via ao candidato da esquerda, no caso, o ex-presidente Lula.
Na verdade, ambos – Bolsonaro e Moro – pertencem ao campo ideológico da extrema-direita, tanto, que um foi ministro do outro.

Se essa é a qualidade da direita brasileira, não resta a menor dúvida que o Brasil está lascado. Pelo menos enquanto os liberais estiverem escondidos e se beneficiando de sua histórica omissão.

Recado
Quem pensou que Bolsonaro havia desistido de atacar o Supremo se enganou. Ao se filiar esta semana ao PL, o presidente disse o seguinte: “Alguns extrapolam aqui na região, na Praça dos Três Poderes. Mas essa pessoa vai ser enquadrada, vai se enquadrando, vai vendo que a maioria somos nós. Nós aqui, que temos votos, em especial, é que devemos conduzir o destino da nossa nação”.
Se não é um recado para o ministro Alexandre de Moraes, do STF, inventem um novo significado para a palavra “recado”.

Carinha dele
De novo, o presidente falou da porcentagem que deseja ter no Supremo para governar com mais tranquilidade, como o Maduro fez na Venezuela. Olha o que ele disse: “Em 2023, quem for eleito indica mais dois nomes [para o STF], com o perfil mais pro lado de cá, mais conservador.” Resta saber se ele ainda estará sentado na cadeira.

Espírito da coisa
A Folha capturou bem o espírito da solenidade de filiação do presidente ao PL desta semana. O texto fala por si: “O evento foi bastante diferente do lançamento da Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro tentou criar, mas não conseguiu. À época, a plateia estava repleta de apoiadores e discursos ideológicos. O tom da assinatura da ficha do presidente nesta terça-feira foi assim como a platéia: político”. “Apenas ao final, após assinar a ficha de filiação, Bolsonaro deixou o local e foi até um carro de som que estava posicionado em frente ao local onde ocorreu o evento e falou para uma plateia de menos de cem pessoas”.

Petrobras de Lula
O ex-presidente Lula, candidato à presidência da República, deu nesta terça-feira mais um bom motivo para ser odiado na Faria Lima. Afirmou que alteraria a atual política de preços da Petrobras e que a estatal deveria dar lucro ao povo brasileiro. “Digo em alto e bom som: nós não vamos manter essa política de preços de aumento do gás e da gasolina que a Petrobras adotou por ter nivelado os preços pelo mercado internacional. Quem tem que lucrar com a Petrobras é o povo brasileiro”, afirmou à Rádio Gaúcha.

FONTE/CRÉDITOS: Marcelo Hollanda
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