Aguarde, carregando...

Domingo, 16 de Agosto 2026
Economia

Aumento no preço dos combustíveis mexe com os nervos do potiguar

Irritada com as consequências de um ano de pandemia, população sente consequências das altas frequentes da gasolina no trânsito

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Aumento no preço dos combustíveis mexe com os nervos do potiguar
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Dizem – e provavelmente é verdade – que um bom observador parado vale mais do que um especialista em movimento. Enquanto o primeiro olha o mundo da esquina de casa, o segundo devora as estatísticas para tirar a mesma conclusão: com esse preço da gasolina, não dá. Com o anúncio da última terça-feira 26, de um reajuste desta vez de 5%, a gasolina na bomba já acumula alta de 13,4% só neste ano que mal começou. O diesel também foi reajustado em 4,4%, com os valores passando a vigorar desde quarta 27. Do ponto de vista do especialista, um percentual salgado a mais em meia à sopinha de números da economia. Para o observador do dia a dia das ruas, é o caos. Por seus olhos passam a vida real, aquela que mostra a aglomerações nos pontos de ônibus, a precariedade evidente do sistema de transporte público, contrastando com o crescente número de motos na comparação com os carros que trafegam pelas ruas de Natal. Segundo os números mais recentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), eram até a última terça-feira 26, 234.183 carros contra 100.071 motocicletas só na capital potiguar, em meio a uma frota total de 424.977 veículos, incluindo caminhões, ônibus e utilitários. No estado inteiro, são 594.477 carros contra 465.633 motos, numa proporção que tende a se aproximar na exata medida em que o transporte público continua ruim e o valor dos combustíveis proibitivos para a população. A bordo do carro de Ranieri Pinheiro, motorista de aplicativo, é possível contemplar essa realidade que cada dia mais invade o ponto cego dos automóveis. A horda de motos que só faz aumentar é hoje responsável pela maior parte das mortes no trânsito, sem falar do estresse. Em parte, é culpa do preço do combustível, sim, e que drena do orçamento de Thiago Assis, que trabalha em Natal e mora em Parnamirim, quase R$ 800 por mês de gasolina. Considerando que os ganhos dele são em média R$ 3 mil, é muito. “Com esses dois aumentos seguidos, é certo que logo estarei deixando um salário-mínimo inteiro no posto”, garante o profissional liberal, que examina a possibilidade de deixar o carro na garagem e comprar uma moto de segunda mão para trabalhar. Mais uma a povoar as ruas. Com centenas de motoboys pelas ruas, um tipo de trabalhador que vem crescendo muito com a crise, a ideia de que em breve seremos um paraíso (ou inferno) das motos já assola os pesadelos dos motoristas que ainda não dominaram a arte dessa convivência íntima. “Os caras cortam por ambos os lados do carro e se você não for muito atento acaba criando um problema para você e para a motociclista”, diz Ranieri, o nosso motorista de aplicativo, que acaba de fazer uma corrida curta – imagine só – de R$ 5,00. “Acabei de faturar menos de um litro de gasolina”, brinca ele, fazendo humor macabro. Não se sabe se prevendo ou não as consequências junto à população desses aumentos automáticos guiados pela cotação do dólar, a Petrobras inaugurou este ano a política de não revelar os percentuais de aumento, somente os novos preços praticados nas suas refinarias. Juntando-se a isto o fato de a companhia também não informar espontaneamente os reajustes, coisa que só faz apenas quando é demandada, a sensação de abandono da população que usa o carro para trabalhar é absoluta. Esta semana, de olhos nas consequências políticas desses aumentos seguidos, o secretário de Tributação do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo Xavier, o Cadu, fez o que já era esperado: no Twitter ele eximiu de culpa o governo estadual. “Mais uma vez, após aumento expressivo no preço dos combustíveis por parte da @petrobras, rodam vídeos nos grupos de whatsapp culpando o @GovernodoRN pelo fato do combustível aqui no RN supostamente ser mais caro que nos demais estados vizinhos”. E fez o esclarecimento: “Mais uma vez cumpre esclarecer que as alíquotas de ICMS que incidem sobre os combustíveis no RN são iguais às cobradas nos demais estados do NE. Portanto, não é a tributação estadual que justifica essa discrepância…” Ainda no Twitter, @a_rinaldo não perdeu tempo: “Mas, há alguma explicação plausível para essa discrepância dos preços, considerando que a gasolina, geralmente, no CE é em torno de R$ 0,20 e na Paraíba em torno de R$ 0,40 mais barata?” E @saul Regis sapecou: “Abra essa caixa preta e explique porquê dessa diferença de preço no NE”. É muita confusão vindo por aí.


Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Correio do Agreste
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR