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Segunda-feira, 11 de Maio de 2026
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Atheneu: poucos recursos e falta de estrutura prejudicam retorno de 100% das atividades

Escola de tempo integral ainda não voltou a funcionar em 100% da sua totalidade, mesmo com autorização da SEEC

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Por Portal Correio do Agreste
Atheneu: poucos recursos e falta de estrutura prejudicam retorno de 100% das atividades
Caso o número de alunos seja elevado, escola vai precisar fazer um rodízio - Foto: Reprodução
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O retorno das aulas com 100% dos alunos em modo presencial foi liberado desde o último dia 4, no Rio Grande do Norte. No entanto, nem todas as escolas voltaram a funcionar em sua totalidade a partir da data. É o caso do Colégio Estadual do Atheneu Norte Riograndense, que não retomou as atividades em tempo integral até a segunda-feira 18. Segundo a direção, a falta de estrutura e os recursos insuficientes são os maiores desafios para a retomada de todos os alunos neste momento, mesmo com autorização. “Foi destinada verba, mas não é suficiente.

A escola recebeu o PDDE emergencial, algo em torno de R$ 7.800,00, e recebeu também o Pague emergencial, R$ 3.900,00”, disse o diretor Magno Alexandre. A primeira sigla que se refere se trata do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), do Governo Federal, e a segunda é o Programa de Autonomia da Gestão das Unidades Escolares (Pague), do Estado do Rio Grande do Norte. O dinheiro é para auxiliar na execução dos protocolos de segurança necessários.

Segundo Magno, o valor de R$ 3.900,00 enviado pelo Estado é de acordo com a quantidade de alunos, porém não é suficiente e tem que utilizar recursos financeiros da própria escola. “Estamos usando muito álcool líquido, água sanitária, é um ano em que a gente está usando muito os nossos recursos de limpeza. A escola era limpa, mas agora está exigindo uma limpeza maior. Então, em alguns meses poderemos não ter recursos”, afirmou.

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O diretor apontou que, por vezes, a parcela do Pague atrasa. Até o dia 8 de agosto, o recurso estava atrasado e só foi pago no dia 14. Segundo ele, o atraso poderia acontecer por causa da prestação de contas da escola, porém a mesma estava em dia na época. Para Magno, os valores são insuficientes, pois a escola atua em tempo integral, mas não recebe o equivalente. “O aluno da escola integral dobra o tempo dentro da escola e o recurso que a gente recebe não é dobrado. E aí, às vezes pode faltar”, apontou.

“Uma escola desse porte recebe R$10 mil para manter álcool em gel, máscara para esses alunos, para manter o mínimo é muito pouco”, complementou a professora de língua portuguesa Maritza Arruda, que trabalha na escola. Na época de atraso, a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer (SEEC-RN) afirmou ao Agora RN que as unidades que não receberam o recurso deveriam ter alguma pendência financeira. “Todos os depósitos relativos ao Pague estão em dia na rede estadual.

As unidades que não receberam ou tiveram algum problema devem ter alguma dependência na prestação de contas. O valor do Pague é calculado de acordo com a configuração de cada escola. Todas as escolas em tempo integral recebem complementos nos valores destinados aos caixas escolares. A SEEC honrou todas as transferências de recursos relativas à merenda escolar. Algumas unidades podem encontrar dificuldade pela falta de fornecedores, mas essa situação está sendo normalizada”.

Protocolos
“Nós voltamos há dois meses seguindo os protocolos do plano de retomada em cima do documento potiguar que foi publicado como parâmetro para a gente retornar”, disse o diretor Magno. Ele ainda relatou que a escola retomou com 30% dos alunos inicialmente e está aumentando para 60%. “Está sendo um desafio, mas, ao mesmo tempo, em dois meses, nós não tivemos nenhum caso de covid aqui na escola, só uma suspeita e a pessoa fez o exame e deu negativo”, complementou.

Segundo o diretor, os protocolos que estão sendo seguidos são o uso de máscara, a limpeza diária do prédio, sinalização nas paredes, instalação de pia e dispensa, bem como a separação das mesas na hora do lanche e nas salas de aula. “Estávamos com 12 carteiras, essas 12 respeitavam o documento potiguar que pedia uma distância de 1,5 m de uma carteira para a outra. Só que agora todo mundo já se vacinou, as pessoas adultas aqui e a maioria dos alunos já tomou a primeira dose”, apontou Magno.

Por esse motivo, o governo havia pedido para aumentar a quantidade de carteiras para 24, contou o diretor. “E é claro que aí já diminui um pouco o distanciamento, porque também o espaço físico da sala não aumenta”, disse. Caso o número de alunos seja mais elevado, a escola terá que fazer um rodízio. Ao todo, são 448 alunos matriculados no Atheneu.

A professora Maritza Arruda conta que todos os protocolos têm sido respeitados em sala de aula, mas não há como ocorrer o controle dos alunos no plano individual em relação ao distanciamento. “O Atheneu tem álcool em gel em seus corredores, no banheiro tem a questão do isolamento das pias, faz o distanciamento. Só que essa questão do distanciamento vai muito mais do individual, porque depende muito do aluno”, contou. Concordando com a professora, a aluna do ensino médio Thyfane Larissa, 16 anos, disse que muitos alunos não seguem os protocolos devidamente. “Tem algumas pessoas que não tem noção que ainda estamos em uma pandemia”, pontuou.

Falta de estrutura
“O poder público deixou a desejar em relação aos protocolos, porque nós tivemos um ano e oito meses mais ou menos de aula remota. Então, muitas escolas não estão preparadas para esse retorno, muitas escolas estão com problema de infiltração, muitas escolas estão com problema de iluminação, muitas escolas estão com problemas na própria estrutura”, disse a professora Maritza.

Sobre isso, a SEEC apontou que “a rede estadual é composta por mais de 600 unidades de ensino. Durante a pandemia, muitas escolas passaram por intervenções e reformas. A pasta segue um cronograma de obras e o Atheneu deve passar por manutenção até 2022. Até o ano que vem, todas as escolas que tenham necessidade de manutenção, os serviços serão realizados dentro do Programa Nova Escola Potiguar”.

Tanto a professora quanto o diretor da escola apontaram que uma das maiores dificuldades é o calor nas salas de aula. A gestão chegou a entrar em contato com a Secretaria Estadual de Educação para pedir autorização para ligar os aparelhos de ar-condicionado. Esse, inclusive, foi um dos motivos para as atividades não terem voltado em sua totalidade. “A gente não consegue atender os nossos alunos no calor o dia todo”, disse a vice-diretora da instituição, Raphaella Holanda.

“Como ela é uma escola antiga, a ventilação é muito ruim. Os prédios ao entorno também atrapalham a questão da ventilação. Os alunos sentem muito calor. A gente está com um problema seríssimo aqui de calor. Muitas vezes, a gente leva os alunos para o pátio para assistir aula lá embaixo”, disse Maritza. Sobre o assunto, a SEEC informou que essa é uma questão relativa à biossegurança. “Até o fim desta semana, novas orientações acerca do uso de climatização serão emitidas às unidades de ensino”.

Durante o pico da pandemia da covid-19, a escola adotou materiais impressos e aulas online. No primeiro caso, coube aos alunos buscar o material na instituição. Segundo o diretor, também faltou apoio do poder público no uso de tecnologias durante o período. Ele informou que foram utilizados recursos cedidos pela escola. “Mesmo assim, a maioria dos professores investiu do seu próprio dinheiro”, disse.

“Faltou esse recurso, faltou esse apoio para que as aulas online funcionassem melhor. Por exemplo, pagar a internet do aluno. Tem aluno que tem a internet que só pega o WhatsApp, ele não vai aguentar fazer uma atividade ou assistir uma aula. A internet dele não aguenta. Não aguenta fazer uma atividade mais extensa. Ele só tem internet com um pacote básico, que é só para WhatsApp mesmo. Então muitos alunos não fizeram nada por conta disso e o Estado sabe disso, pois ouviram todos os diretores”, complementou.

A aluna Thyfane Larissa comentou que muitos alunos não têm condições adequadas para acompanhar as aulas. “Realmente, a gente não aprendia nada nas aulas online. A professora está explicando um conteúdo que ela passou no primeiro bimestre e só agora que a gente está tentando entender”.

Em nota, a SEEC justificou o problema: “Sobre o uso de tecnologias, no período de aulas não presenciais, diversas ferramentas foram colocadas à disposição dos estudantes. Para quem não teve acesso por meio da internet, aulas para ensino fundamental e médio foram, e estão sendo transmitidas em TV Aberta, pelo canal 3.4 (Band Natal). A SEEC, dentro do programa Nova Escola Potiguar, prevê, ainda neste ano, a compra de computadores e disponibilização de sinal de banda larga em todas escolas”.

FONTE/CRÉDITOS: WILLIAM MEDEIROS
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