A violência contra professores cresce vertiginosamente: cinco, em cada dez professores, já sofreram algum tipo de agressão. Infelizmente essa tem sido uma constante em nosso país. Pesquisa inédita realizada pelo Instituto Locomotiva e pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo revela que 54% dos professores já sofreram algum tipo de violência na escola. As ocorrências mais frequentes envolvem bullying, agressão verbal e agressão física.
Em 22/08/2017, no G1.globo.com (Por Luiza Tenente e Vanessa Fajardo), pode-se observar a triste manchete: “Brasil é no. 1 no ranking da violência contra professores”. A manchete está devidamente acompanhada da foto de uma professora com o rosto desfigurado e sangrando. Diz respeito ao caso de uma professora do estado de Santa Catarina – Marcia Friggi – que foi vítima de um soco no rosto, desferido por um aluno.
Os dados globais colocaram o país como o mais violento contra esses profissionais, contudo, uma pesquisa global da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com mais de 100 mil professores e diretores de escolas do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio(alunos de 11 a 16 anos) põe o Brasil no topo de um ranking de violência em escolas. O levantamento é o mais importante do tipo e considera dados de 2013.
Para as vítimas, as consequências costumam ser severas: muitas delas precisam deixar de atuar nas classes porque ficam com estresse pós-traumático.
A colunista do G1 e especialista em educação Andrea Ramal, lembra uma declaração da professora agredida em Santa Catarina para levar à reflexão sobre o papel dos pais e da sociedade na proteção do professor. Em seu depoimento, a professora declarou: “Esta é a geração cristal, de quem não se pode cobrar nada, que não tem noção de nada”.
A análise dessa professora é coerente com alertas de psicólogos contemporâneos que defendem que os pais estão outorgando poder demais para os filhos. Não estabelecer limites, quase nunca dizer “não” e fazer todas as vontades de crianças e adolescentes pode trazer sérias consequências. Tais atitudes podem resultar na síndrome do imperador, um comportamento disfuncional em que os filhos estabelecem suas exigências e caprichos sobre a autoridade dos pais. Assim sendo, como os professores exercem um papel secundário dos pais, são vistos pelos alunos como aqueles que tentam impor-lhes limites, daí surgem as agressões.
Infelizmente, esse é o quadro em que se encontram os docentes brasileiros, sentindo-se acuados e com medo de exercer sua autoridade. Os pais são omissos e os alunos agressivos, tudo fruto de uma educação familiar que não prima pelos princípios éticos, tendo como consequência uma escola que se vê inerte e não preparada para trabalhar a violência escolar e a cidadania em seu currículo.

Comentários: