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Sexta-feira, 22 de Maio de 2026
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Advogado potiguar representa associação em caso de desastre ambiental no Nordeste

Exploração de sal-gema em Maceió virou tema de estudo entre universidades brasileiras e obrigou 60 mil pessoas a abandonarem casas e negócios

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Por Portal Correio do Agreste
Advogado potiguar representa associação em caso de desastre ambiental no Nordeste
Gabriel Bulhões, advogado potiguar, cuida do caso - Foto: arquivo
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Pelo menos 60 mil pessoas afetadas a ponto de serem obrigadas a abandonar casas ou negócios. Lares destruídos, ruas vazias, muros pichados e sensação de completo abandono. Uma cidade fantasma em uma das principais capitais nordestinas. Este é o reflexo causado pelo afundamento de cinco bairros em Maceió, Alagoas. Para advogados, há indícios suficientes de que a Braskem, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), e a Agência Nacional de Mineração (ANM) foram responsáveis por praticar crimes ambientais que contribuíram para este panorama.

A exploração de sal-gema na capital alagoana virou tema de estudo entre universidades brasileiras, como a Universidade de Brasília (UnB). Tratado como o maior desastre socioambiental em zona urbana do mundo, o caso transformou os bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro em deserto. Em março de 2018 foi registrado um abalo sísmico no local, o que ligou o alerta aos moradores da região.

Recentemente, houve uma comunicação de notícia-crime deste caso ao Ministério Público Federal de Alagoas. “A iniciativa que estamos encaminhando é uma forma de evidenciar ao MPF e à sociedade que todos os elementos necessários ao encaminhamento das questões criminais relacionadas ao desastre ambiental sempre estiveram à disposição; portanto, as vítimas desse crime esperam a responsabilização dos seus algozes e tais medidas não podem ser abdicadas pelo estado”, disseram os advogados Gabriel Bulhões e João Batista Barbosa, que cuidam do caso.

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“A representação criminal foi feita no dia 29 de agosto de 2023, após mais de quatro anos que estes fatos foram identificados. Mas, que infelizmente, os órgãos responsáveis não fizeram ainda a responsabilização criminal dos envolvidos. Por isso nós fomos contratados para este fim. Como já passou mais de 15 dias desta representação criminal, nós decidimos protocolar uma queixa-crime, diretamente em juízo, ou seja, é uma ação privada, subsidiária por uma pública. Como não houve denúncia pelo Ministério Público, nós mesmos estamos fazendo isso, assumindo a função de acusador particular”, explicou João Batista Barbosa que tem larga experiência na área ambiental e criminal, como promotor de Justiça atualmente aposentado

Responsável por representar juridicamente a Associação de Empreendedores e Vítimas da Mineração de Maceió, o advogado potiguar Gabriel Bulhões fala da responsabilidade de cuidar do caso de tão grande proporção. “É uma responsabilidade muito grande lidar com algo que é tido como o maior desastre ambiental em área urbana no mundo em curso hoje. Percebendo e analisando esse contexto, a gente viu que os desdobramentos criminais de toda essa questão foram simplesmente esquecidos, adormecidos e não foram encaminhados por quem tinha essa atribuição funcional. Então a oportunidade de levar adiante essa pretensão de dezenas de milhares de pessoas, de um prejuízo tão robusto e em alguns aspectos incalculáveis, é algo que nos motiva a dar o melhor de nós, com um empenho quase descomunal com relação a um contexto hiper complexo que já se desenrola há alguns anos, envolvendo muitos atores que já teve vários desdobramentos apesar de não havê-los no âmbito criminal. Então isso é combustível em termos de engajamento, esforço e renúncia pessoal para ver esse caso sendo tratado com a dimensão e a gravidade que ele merece nesse aspecto criminal”, analisou.

Afundamento de solo e tremores foram registrados - Foto: Marco Antônio/Secom Maceió

Afundamento de solo e tremores foram registrados – Foto: Marco Antônio/Secom Maceió

Segundo a Braskem, mineradora envolvida, houve a criação de um Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF), que registrou 19.051 adesões voluntárias até o fim de julho deste ano.

“O número equivale a 99% de todas as propostas previstas. Do total de propostas apresentadas, 18.356 já foram aceitas. A diferença entre o número de propostas apresentadas e aceitas se deve ao tempo que as famílias têm para avaliar ou pedir reanálise dos valores. Também até julho, 17.493 indenizações foram pagas, superando 91% do total esperado. Somadas aos auxílios financeiros, o valor passa de R$ 3,7 bilhões”, comunicou em nota.

Bulhões, entretanto, acredita que as indenizações não contemplam a maior parte dos indenizados e afetados. “O que houve ali foi uma espécie de compra e venda camuflada de indenização, quando na verdade para receber essa ‘indenização’ os moradores precisavam entregar a posse dos seus imóveis e, em contrapartida, recebiam um valor que era muito menor do que o valor de mercado dos imóveis. Em alguns casos menor do que o valor venal dos imóveis. Então, a título de indenização, a gente pode dizer que houve a compra desses imóveis por um preço vil, o que transforma o maior crime ambiental do mundo num grande negócio imobiliário”, defendeu.

No mesmo comunicado, a Braskem comunicou que desenvolve ações na capital alagoana com foco na segurança das pessoas e na implementação de medidas para mitigar, compensar ou reparar impactos causados pela desocupação nos bairros. Além disso, a empresa informou que todas estas ações são acompanhadas por órgãos competentes. Em termos ambientais, a empresa informou que um plano de ação foi entregue às autoridades.

Ainda de acordo com a Braskem, há medidas de compensação aos impactos causados pela desocupação: na frente ambiental, um plano de ação já foi entregue às autoridades, após cumprir as fases de diagnóstico e escuta pública, e segue o rito para sua execução. As iniciativas, acordadas com autoridades federais, estaduais e municipais, abrangem diversas medidas como a realocação preventiva e compensação financeira das famílias; ações sociourbanísticas e ambientais; apoio a animais; zeladoria nos bairros; monitoramento do solo e fechamento definitivo dos poços de sal. Segundo a Braskem, a extração foi totalmente encerrada em maio de 2019.

 

De acordo com João Batista, a representação criminal foi feita no dia 29 de agosto de 2023, após mais de quatro anos que estes fatos foram identificados. “Infelizmente, os órgãos responsáveis não fizeram ainda a responsabilização criminal dos envolvidos. Por isso nós fomos contratados para este fim. Como já passou mais de 15 dias desta representação criminal, nós decidimos protocolar uma queixa-crime, diretamente em juízo, ou seja, é uma ação privada, subsidiária por uma pública. Como não houve denúncia pelo Ministério Público, nós mesmos estamos fazendo isso, assumindo a função de acusador particular”, pontuou.

Para Bulhões, as provas obtidas são robustas e as questões precisam ser investigadas pelos órgãos competentes.

“É muito cedo ainda para a gente saber qual vai ser o desdobramento dessa questão, mas sim, há relatórios técnicos, científicos, periciais robustos que apontam o nexo de causalidade entre a extração subterrânea irresponsável e agressiva da Braskem, do sal-gema, que é um minério que foi extraído durante mais de quatro décadas no subsolo de Maceió, em 35 minas subterrâneas, e que agora resultaram nesse fenômeno da subsidência, que é um fenômeno que ocorre um deslocamento do solo, mas com a causa antrópica, causado pela ação do homem, nesse caso especificamente pela ação da mineradora Braskem, e que a partir disso se iniciaram tremores no solo, fissuras nas estruturas, o que comprometeu a segurança de cinco bairros hoje afetados, que contemplam mais de 15 mil imóveis e 60 mil pessoas, que hoje estão longe de suas casas e de suas raízes, de suas culturas e famílias, e que estão tendo uma dificuldade enorme para se realocar, se reestabelecer, e isso precisa ser colocado nessa equação. Os danos patrimoniais, extrapatrimoniais e as responsabilidades, cíveis, administrativas e criminais, precisam ser apuradas”, finalizou.

FONTE/CRÉDITOS: AGORA RN
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