
Quanto mais atravesso essa vida, menos compreendo o humano. Na minha infância simples: de casa de tijolo batido – da falta de energia elétrica – alimentada – espiritualmente, por lendas e mitos – e economicamente - somente do que era produzido pela natureza através das ações paternas de capinar – adubar- e sementar a terra- da pesca na lagoa e rios – da caça na mata – aprendi, com a experiência e sabedoria dos mais velhos, que a prática do bem ao próximo deveria ser a principal meta de nossa passagem terrena. A força contrária - o mal - tinha cara do lobo, do dragão, da cobra que simbolizavam a desarmonia, o desassossego que tentam eliminar as forças do bem. Mas, nesse período infantil, todo esse aprendizado vivia no imaginário de minhas divagações para entender o mundo dos adultos.
Na adolescência – em espaço urbano – esses ensinamentos e vivências foram criando formas, vidas – e o mal, sinônimo da inveja e seus similares – incompreensíveis para meu entendimento utópico - era como agulha espetando minha alma – confusa – dividida –– vivia em redemoinho... No meio de frases desconexas e atitudes sem sentidos – optava por me recolher – e ficar perto daqueles com quem me sentia segura – confiante – protegida e amada – no meio jeito de ser e viver – E com o tempo – fui compreendendo o conceito de que ações que promovem o bem incomodam demais a seres que só conseguem plantar a semente o do mal se revestindo do bem. E fiquei mais confusa ainda em busca de um sentido possível para isso...
Hoje, após tantos desencantos e encantos, nessas complexas convivências humanas, tudo é constatação – todavia – sem perder a esperança – ainda idealista – pois em meio aos tantos espinhos, o meu maior presente são os afetos: suaves, sinceros , solidários que imprimem de persistência e fé os passos de minhas trilhas – e que recebe o nome de AMIZADE - ela dissipa minhas dúvidas e alimenta minha certeza de que Deus se personifica no bem que possa renovar os sonhos e fortalecer o espírito de quem está carente deles. A verdadeira alegria chega pelo espírito preenchido, não pela ânsia de poder e consumo, tão fulgás e perecível.

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