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Sexta-feira, 14 de Agosto 2026
Brasil

Terceiro governo de Lula marca início de nova 'onda rosa' na América Latina

As vitórias de Gabriel Boric, no Chile, de Gustavo Petro, na Colômbia, e de Lula, no Brasil, consolidaram uma região com nove governos alinhados à esquerda e centro-esquerda

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Terceiro governo de Lula marca início de nova 'onda rosa' na América Latina
Gustavo Petro, da Colômbia (círculo em cima), Gabriel Boric, do Chile (círculo embaixo), Luiz Inácio Lula da Silva e o Mapa da América do Sul no meio (Foto: Reprodução | Reuters)
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Lucas Estanislau, Michele de Mello e Fernanda Paixão, Brasil de Fato - Na América Latina, o ano de 2022 foi marcado por processos eleitorais decisivos que penderam a balança política para o lado do progressismo. As vitórias de Gabriel Boric, no Chile, de Gustavo Petro, na Colômbia, e de Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil, consolidaram uma região com nove governos alinhados à esquerda e centro-esquerda.

O mapa vermelho foi motivo de memes na internet que reviveram a ideia da “URSAL”: a União de Repúblicas Socialistas da América Latina. O Brasil de Fato ouviu especialistas para saber quais são as perspectivas de um novo projeto de integração latino-americana diante do terceiro governo de Lula. Passamos por temas de destaque na região, como a preservação ambiental e os recursos naturais, a relação com a China e os Estados Unidos, as propostas para a economia regional e as instâncias de diálogo e cooperação, como a Unasul, a Celac e o Mercosul.

As duas ondas progressistas e os novos atores globais

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Na primeira chamada “onda rosa”, durante os primeiros anos do século 21, a região viu a vitória de Lula, Hugo Chávez (Venezuela); Néstor e Cristina Kirchner (Argentina); Evo Morales (Bolívia); Rafael Correa (Equador); Fernando Lugo (Paraguai); Tabaré Vásquez e Pepe Mujica (Uruguai); Manuel Zelaya (Honduras); além de Fidel e Raul Castro (Cuba) e Daniel Ortega (Nicarágua). 

Agora, a onda progressista se reedita com Lula, Alberto Fernández (Argentina); Luis Arce (Bolívia); Nicolás Maduro (Venezuela); Gustavo Petro (Colômbia); Andrés Manuel López Obrador (México); Xiomara Castro (Honduras); Miguel Díaz-Canel (Cuba), Daniel Ortega (Nicarágua) e Gabriel Boric (Chile).

Pela primeira vez, as maiores potências econômicas da região e economias medianas serão chefiadas pela esquerda no mesmo período. Apesar de certa hegemonia, os desafios políticos e econômicos desta terceira década do milênio também são maiores.  

"A América Latina, em 2022 é um território em disputa", diz o sociólogo venezuelano Ociel Alí López, para quem a diferença primordial reside na relação dos países latino-americanos com os Estados Unidos. "A região já não está totalmente alinhada aos EUA, e isso em 2022 foi chave. Neste ano, o continente girou à esquerda, independentemente dos matizes entre os governos, mas numa situação geopolítica totalmente diferente de anos anteriores", completa.

O principal fator neste aspecto é a relação da China com países da América Latina, que mudou drasticamente o mapa geopolítico e proporciona uma nova leitura, multipolar, para o mundo.

O comércio bilateral entre China e América Latina aumenta progressivamente, desde a valorização das commodities, na primeira década dos anos 2000. Em 2021, houve um recorde com US$ 400 bilhões (mais de R$ 2 trilhões) em intercâmbio. E, desde 2013, 22 países latino-americanos já aderiram à proposta chinesa do Cinturão e da Rota (One Road, One Belt). Esta proposta consiste em empréstimos de bancos estatais de desenvolvimento chinês a países em desenvolvimento em troca de contratos de empresas chinesas por parte dos países beneficiários para obras de infraestrutura.

O subcontinente alberga cerca de 2.700 empresas chinesas, sendo o segundo maior destino de investimentos estrangeiros diretos. Não à toa, o governo chinês tenta estabelecer tratados de livre comércio com o Uruguai, El Salvador e com o Mercosul.

FONTE/CRÉDITOS: 247

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