O fechamento do Hospital Municipal Nivaldo Jr, em Candelária, será tema de uma reunião nesta sexta-feira (16) entre a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Norte (Sopern), Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina (Cremern), que vão discutir perspectivas e possibilidades para a pediatria do Estado. O secretário de Saúde de Natal, George Antunes, também vai participar do encontro.
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Maternidade Araken Pinto vai absorver a demanda do Hospital Nivaldo Júnior. Prefeitura alegou “racionalização” de recursos
O remanejamento dos serviços para o Hospital Maternidade Araken Pinto, em Petrópolis, é a segunda diminuição no atendimento pediátrico do RN em menos de um ano, uma vez que a Promater fechou os serviços de maternidade e desativou leitos em novembro de 2022.
Segundo o presidente da Sopern, o médico pediatra Reginaldo Holanda, a entidade chegou a solicitar esclarecimentos à Secretaria de Saúde de Natal sobre o tema, mas não recebeu respostas. O fechamento da unidade em Candelária foi criticado pelo presidente da entidade.
“É uma medida que poderia até ter sido tomada, só que com mais detalhes, com mais esclarecimentos e quem sabe até não ter tido a necessidade do fechamento porque as instâncias poderiam ajudar na resolução do problema”, disse. “Faremos uma reunião no Sindicato dos Médicos, junto com o CRM e os médicos do Nivaldo. O objetivo é organizarmos estratégias para tentar reverter a situação ou então aumentar leitos na Araken Pinto”, acrescentou.
Questionado sobre se haverá impacto no atendimento às crianças, o pediatra aponta que “com redução do número de leitos para internação, vai gerar mais crianças aguardando vagas nas UPAs”, finalizou.
A rede de pediatria no Rio Grande do Norte vem enfrentando fechamentos de serviços de pediatria nos últimos anos. Para interlocutores da área, há um gargalo no Rio Grande do Norte na área em vários aspectos.
“O que eu percebo é que a quantidade de profissionais é insuficiente para atender a demanda. Temos poucos profissionais, principalmente quando se fala em UTI pediátria, como os intensivistas. Nessa perspectiva, é bem complicado de abrirmos leitos ou até expandir”, avalia a diretora do hospital Maria Alice Fernandes, Suyame Ricarte.
Os fechamentos também têm afetado o setor privado. Em novembro de 2022, o hospital Promater anunciou o encerramento dos serviços da maternidade, desativando dez leitos de UTI neonatal e outros 20 de alojamento conjunto para as mães. Antes, em janeiro, o Hospital Promater também havia encerrado o fechamento de serviços de pediatria. A medida, segundo administração do hospital, faz parte do reposicionamento da instituição, que passou a focar em média e alta complexidade.
Fechamento
Nesta semana, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) confirmou e iniciou a transferência dos serviços do Hospital Pediátrico Nivaldo Júnior, em Candelária, para o Hospital Maternidade Araken Pinto, em Petrópolis.
Segundo nota divulgada pela SMS, a medida se dá em função da necessidade de racionalizar recursos humanos, estruturais e financeiros, para que o município possa manter a sua "política de alto investimento no setor" que, conforme a secretaria, corresponde a mais de 33% do orçamento da Administração Municipal, mais que o dobro do índice obrigatório constitucionalmente (de 15% do orçamento). A Maternidade Municipal Arakén Irerê Pinto passou a funcionar no antigo prédio do Hospital Municipal de Natal em julho de 2022.
A diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), Erica Galvão, também reprovou a ação. O prédio onde funcionava a unidade de saúde era alugado e será devolvido.
“Os 35 leitos que existiam no Nivaldo Jr foram fechados, porque na Arakem só foram abertos 12 leitos tirando puérperas e recém-nascidos que ficavam nos quartos e alojados de forma espremida no primeiro andar. São 11 crianças internadas, com três camas em cada quarto e seus acompanhantes, junto com mulheres que acabaram de ter bebês. Tudo no mesmo andar. É a mesma equipe que toma conta”, critica a diretora do Sindaúde, Erica Galvão. “Nós afirmamos: fechou-se um serviço e está fazendo uma gambiarra dos leitos. Está tudo junto e misturado, uma bagunça. A equipe não foi avisada”, aponta. Segundo a diretora, a estrutura é de 12 leitos de pediatria, 14 binômios (mães e bebês) e 10 leitos de UTI no hospital.
A concentração de serviços na maternidade Araken Pinto já tem provocado alterações no cotidiano da unidade. A reportagem da TN esteve no local e conversou com pacientes. Em alguns casos, há a preocupação sobre como ficarão a concentração de serviços na unidade e apontam que a transição tem provocado aumento na espera pelos atendimentos. A Secretaria de Saúde de Natal (SMS Natal) chegou a marcar uma coletiva de imprensa para esta quinta-feira (15) para falar acerca das mudanças na rede de pediatria, mas desmarcou após problemas médicos do secretário de saúde, George Antunes.
Fila
Com hospitais pediátricos lotados, o Rio Grande do Norte tem 34 crianças à espera de leitos de UTI pediátrica e leitos clínicos na rede pública de saúde. É o que informa a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap). Desse total, 24 aguardam leitos de enfermaria e 6 de UTI pediátrica na Central Metropolitana de Regulação, e 2 pedidos por enfermaria e outros dois de UTI na Central de Regulação de Mossoró. Segundo informações mais atualizadas da plataforma Regula RN, as pediatrias do Estado apresentam 90% de lotação nas UTIs e 78% de ocupação nas enfermarias. A pasta reforça que a criança pode estar na fila não necessariamente por falta de leito: há casos em que se está aguardando autorização para transferências ou transporte.
Atualmente, segundo a Sesap, a rede de saúde conta com 31 leitos de UTI pediátricas e 74 de enfermaria na rede estadual. Um dos hospitais que está superlotado é o Maria Alice Fernandes, localizado na zona Norte de Natal. Segundo a diretora Suyame Ricarte, a unidade possui 49 leitos clínicos de enfermaria e 20 de UTI - sendo 10 pediátricas e 10 neonatais -, e todos estão ocupados.
“Há um mês estamos com o hospital em 100% de ocupação, de enfermarias, pronto socorro e UTIs. No Pronto Socorro somos porta regulada e estamos sempre com pacientes aguardando vagas de enfermaria. Essa superlotação se deve a essas doenças respiratórias. Todo ano tem esse aumento de demanda nessa época, mas esse ano teve um aumento considerável, até nos surpreendendo” aponta a diretora. O período de inverno também chegou a intensificar o atendimento em unidades privadas. No hospital Rio Grande, em Natal, a média de atendimento tem sido de 90 crianças por dia.
FONTE/CRÉDITOS: Tribuna do Norte

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