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Sexta-feira, 14 de Agosto 2026
Política

Sob Rogério, Codevasf superfaturou licitações para ‘desovar’ emendas

Estatal controlada pelo Centrão superfaturou licitação

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Sob Rogério, Codevasf superfaturou licitações para ‘desovar’ emendas
Rogério foi ministro do Desenvolvimento Regional, que comanda estatal. Foto: José Aldenir/Agora RN
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A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, que foi comandado pelo pré-candidato ao Senado Rogério Marinho (PL), é palco de novo escândalo da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL). Reportagem da Folha de S. Paulo publicada nesta segunda-feira 25, apontou que a estatal lançou, em 2020, licitação para aquisição de centenas de tubos de PVC voltada para desovar emendas parlamentares sem apontar a necessidade das compras, sem planejamento e superfaturada, conforme relatório da Controladoria-Geral da União (CGU).

Conforme a Folha, apesar da CGU ter apontado as irregularidades antes da concorrência pública, por duas vezes, e ter recomendado a sua suspensão, a Codevasf seguiu em frente e gastou mais de R$ 2 milhões com o contrato. O processo de licitação ilustra como o descontrole administrativo e a atuação a reboque dos padrinhos das emendas parlamentares no governo Bolsonaro abre brechas para irregularidades até mesmo nas compras mais básicas da estatal, que tem como vocação histórica a promoção de projetos de irrigação no semiárido.

A compra tinha por objetivo atender à demanda primária da companhia, relacionada à irrigação, na Bahia. O processo para a aquisição, feito pela 2ª Superintendência da Codevasf, em Bom Jesus da Lapa (BA), não contou com estudos sobre como seriam usados os canos. “De acordo com relatório da GCU, inicialmente, a Codevasf fez uma concorrência para a compra de 458 mil de tubos de PVC, no valor de R$ 26 milhões, por meio de uma forma de licitação simplificada e online (pregão eletrônico). O processo era cheio de irregularidades, com potencial de R$ 16 milhões em superfaturamento e acabou suspenso após recomendação da controladoria”, diz a Folha.

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A Codevasf foi entregue por Bolsonaro ao Centrão em troca de apoio político no Congresso. A Folha noticiou que Rogério Marinho defendeu as emendas e teve diversos embates com o ministro Paulo Guedes, por despesas públicas.
“Mesmo com os atritos com Guedes, a estatal foi turbinada pelas emendas parlamentares durante o governo Bolsonaro. Em 2021, deputados e senadores destinaram o equivalente a 61% da dotação orçamentária total da empresa”, diz trecho da reportagem.

A própria estatal citou à CGU a necessidade de compra devido as emendas parlamentares destinadas à empresa por deputados e senadores. “Esses recursos [de emendas] são descentralizados à Codevasf a partir de articulações político-institucionais, as quais não estão vinculadas estritamente a um cronograma preestabelecido, o que de fato dificulta e/ou inviabiliza um planejamento preciso do dimensionamento da demanda a ser adquirida. Os parlamentares, por meio de interações com lideranças e seus assessores, efetuam o levantamento de necessidades para balizar as aquisições e/ou contratações”, diz a Folha.

Marinho trouxe influência política e emendas do orçamento secreto
Com a ascensão de Rogério Marinho ao MDR, a Codevasf passou a ter mais influência política e envio de emendas via orçamento secreto. Série de reportagens do Estado de S. Paulo apontou que o governo abriu um orçamento de R$ 3 bilhões — repassados à estatal pelo MDR —, e destinado para 285 parlamentares aplicarem em obras de seus respectivos redutos eleitorais. Boa parte do valor seria investido na compra de 90 tratores, nove motoniveladoras e 12 carregadeiras. Por essa razão, a manobra foi denominada “tratoraço”.

A empresa se tornou alvo de negociação política e tem entre seus chefes indicados políticos do Centrão, coordenado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI). Turbinada por bilhões de reais em emendas, a Codevasf foi entregue por Bolsonaro ao Centrão em troca de apoio político no Congresso Nacional. De acordo com o Contas Abertas, os recursos das emendas de relator, o chamado orçamento secreto, para ela chegam a R$ 2,8 bilhões.

FONTE/CRÉDITOS: Agora rn

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