Depois de um período de indecisão a respeito de como a próxima safra de frutas seria exportada, o Porto de Natal ganhou uma nova linha para o transporte de frutas para a Europa. Após a saída da operadora francesa CMA-CGM, do Rio Grande do Norte para o Ceará, foi anunciado, nesta terça-feira, 9, que a empresa GreenSea será a responsável por operar a maior parte da exportação do setor de fruticultura do estado. A informação foi divulgada em evento de solenidade da empresa Agrícola Famosa, em Mossoró, que contou com a presença da governadora Fátima Bezerra (PT).
“Com imensa alegria, anunciamos a empresa que atuará no transporte das frutas potiguares do Porto de Natal para outros países. Fizemos o anúncio aqui em Mossoró, na sede da Agrícola Famosa, que é a maior produtora e exportadora de frutas do Brasil”, disse Fátima Bezerra.

Governadora Fátima Bezerra discursou em evento na sede da Agrícola Famosa, em Mossoró / Foto: divulgação
A principal novidade trazida pela empresa é o modelo como as frutas serão transportadas. Os navios da GreenSea serão do tipo Reefer, que dispensam o uso de contêiners e usam pallets. Os pallets são uma plataforma geralmente feita de madeira ou plástico, usados para empilhar materiais.
“A diferença agora é que as frutas não irão mais em contêineres. Irão em pallets, dentro de navios que contêm câmaras frigoríficas. É um serviço dedicado, mais rápido, que chega ao cliente sem interromper a cadeia logística e de fornecimento”, explica Carlo Porro, diretor Executivo da Agrícola.
A previsão da Famosa, que é uma das principais empresas agrícolas do Estado, é embarcar 10 mil pallets por semana na próxima safra de melões e melancias. A preocupação do estado em encontrar um novo parceiro era evidente, já que no fim de abril a empresa de logística CMA-CGM deixou de operar em Natal.
Na época, a Companhia das Docas do Rio Grande do Norte (Codern) informou que a saída, prevista anteriormente para outubro deste ano, causaria queda equivalente a 13% no faturamento planejado para 2023. Algo que influenciaria diretamente na arrecadação do governo do RN.
O acordo comemorado pelo Estado possibilita a retomada do fluxo de investimento que vai além do setor da fruticultura, afirma o secretário de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, que também participou do evento de solenidade em Mossoró.
“É uma cadeia que envolve o combustível, o restaurante, um pequeno estabelecimento que fornece alimentação para caminhoneiros. Enfim, a preocupação do governo do Estado em outubro, quando foi anunciado a saída da única companhia marítima das frutas do porto de Natal, era: a gente não perder isso”, disse o secretário Guilherme Saldanha.

Evento de solenidade para setor de fruticultura / Foto: reprodução redes sociais
Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (FAERN), José Alvares Vieira, o anúncio foi importante, principalmente após o anúncio de saída da antiga operadora, mas pondera que é preciso trazer mais empresas que consigam atender todo o setor, já que os principais produtos transportados serão o da própria Agrícola Famosa.
“Eu acho que é importante. Acho que a Agrícola, de forma inteligente, quando percebeu que o Porto não iria ser mais operado pela CMA, trouxe toda a operação dela para o Porto de Natal. Isso vai trazer mais agilidade já que ela irá trabalhar para exportar os produtos dela e alguns produtos de Petrolina. É muito bom, mas agora não podemos ficar parados. Nós precisamos tentar trazer outras empresas para o Rio Grande do Norte”, disse Vieira, ao Agora RN.
BALANÇO
Com produtos como melões, melancias e pescados, as exportações oriundas do Agronegócio potiguar representaram mais de um terço do total exportado pelo RN em 2022. Dos US$ 736,8 milhões enviados ao exterior no ano passado pelo estado, US$ 254,1 milhões (34,5%) foram oriundos do campo, em mais uma prova inequívoca da importância deste setor para a economia norte-rio-grandense. Desconsiderando o petróleo bruto – equivalentes a 44,7% da pauta total de exportação – a relevância do setor agropecuário dispara e o setor passa a representar 62,5% das exportações do RN.

Correio do Agreste