“Serei uma voz na Câmara Federal contra o orçamento secreto”, declarou o ex-secretário extraordinário para Gestão de Projetos e Metas do Rio Grande do Norte, o candidato a deputado federal Fernando Mineiro (PT) sobre as emendas RP9 – as emendas do relator -, que ganharam o apelido de “Orçamento Secreto” por não respeitarem critérios de divisão e transparência. Ele classificou o esquema como o maior escândalo de corrupção da história republicana do Brasil.
De acordo com o candidato do PT, os deputados federais progressistas deveriam ter sido mais ágeis em relação ao tema. “Acho que os parlamentares progressistas erraram em não denunciar isso desde o início. Posicionaram-se de forma tardia, do meu ponto de vista. Foi através do orçamento secreto que o Lira se elegeu para a presidência da Câmara Federal”, criticou.
Segundo Fernando Mineiro, o orçamento secreto é o maior escândalo da história republicana. “Orçamento Público é um dos temas que gosto de estudar. E desde o início percebi que era através dele que o Bolsonaro se sustentava”, disse.
O candidato ao Senado Rogério Marinho (PL), enquanto estava à frente do MDR, teria repassado o valor de R$ 1,4 milhão do orçamento secreto para obra de um mirante turístico vizinho a um terreno onde ele planeja construir um condomínio privado, no município de Monte das Gameleiras. O esquema foi revelado pela Folha de S. Paulo.
O Estadão obteve, por meio da Lei de Acesso à Informação, duas planilhas de execução orçamentária do Ministério do Turismo, que confirmam que Marinho é o “autor” e o “agente político” da indicação dos recursos.
O ex-ministro também é acusado de ter destinado dinheiro para que deputados e senadores da base aliada ao presidente da República Jair Bolsonaro (PL) recebessem recursos através de emendas para compra de equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores da tabela fixada pelo próprio governo. O esquema ficou conhecido como “tratoraço”.
REFORMAS
Fernando Mineiro defendeu ainda que, caso seja eleito, irá lutar por “revisões” das reformas trabalhista e da previdência. “Para reconstruir o Brasil será necessário rever o teto de gastos. O necessário controle fiscal não pode ser uma trava para o atendimento das demandas sociais. Quero ajudar a pautar esse debate na Câmara Federal. Defendo uma reforma tributária solidária, com taxação das grandes fortunas. E estou acompanhando o debate nacional sobre as necessárias revisões das reformas trabalhistas e previdenciária. São temas que terão minha atenção e participação”, afirmou em entrevista à Agência Saiba Mais.
Rogério Marinho foi um dos responsáveis pela aprovação da reforma trabalhista, que alterou mais de 100 pontos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ele foi relator do projeto quando era deputado federal, ainda durante o governo Michel Temer. Já em 2019, chamado pelo governo Bolsonaro para a Secretaria Especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho articulou uma ampla reforma da Previdência.
Sobre a corrida ao Palácio do Planalto, Mineiro acredita que não será uma disputa fácil, mesmo com o presidente Bolsonaro, que busca à reeleição, tendo sua imagem desgastada. No entanto, o ex-presidente Lula (PT) vencerá as eleições. “Bolsonaro é um gestor fake. É uma disputa dura, mas vamos vencer. Até porque a nossa população quer emprego, renda, justiça social e a volta das políticas públicas. O Brasil piorou muito nos últimos anos e caiu a máscara do bolsonarismo”, pontuou.

Correio do Agreste