A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio Grande do Norte (Seap-RN) arquivou o inquérito que apurava a conduta de policiais penais com detentas trans da Cadeia Pública de Ceará-Mirim, na Região Metropolitana de Natal. Em novembro do ano passado, um vídeo mostrou que agentes da unidade passaram cerca de 40 minutos com duas detentas em uma cela.
À época, o caso ocasionou na abertura de um processo disciplinar contra os agentes. Contudo, após meses de apuração, eles foram inocentados das suspeitas de manterem relações com as mulheres. Um dos policiais penais envolvidos no caso foi Fabrício Amaro Souza dos Santos. Ele conversou com a reportagem da TV Tropical e deu detalhes.
"Os fatos que realmente ocorreram foi que houve denúncia de duas internas, que relataram que estavam sofrendo coação para forjar provas contra dois outros policiais. Do dia 3 ao dia 8, a gente verificou indícios de que possivelmente havia possibilidade de isso ser verdade", contou.
Fabrício e outro colega decidiram, então, levar as detentas para prestarem um Boletim de Ocorrência (B.O.) na delegacia de Ceará-Mirim. "Coloquei as duas internas e chamei outro policial penal e nos dirigimos à delegacia. Lá, foi registrado o B.O. das internas acusando esse policial de que elas estariam sendo coagidas. Isso ficou claro na conclusão do processo administrativo disciplinar", acrescentou.
Fabrício ainda detalhou o que aconteceu dentro da sala por cerca de 40 minutos. "Ali, naquela reunião, a gente buscou de todas as maneiras tentar verificar se havia algum indício de que aquilo que estava sendo relatado condizia com a verdade", pontuou.
Além do processo contra Fabrício, a Seap decidiu arquivar os processos contra os demais policiais penais. No entanto, ele não sabe se continuará na instituição. "Eu nunca havia presenciado na vida real o que aconteceu contra mim, falando de um ataque direto, partindo de uma assessoria de comunicação do estado. Só tinha visto isso em seriado de TV. Muitas pessoas ainda desacreditam de uma versão comprovada em documento", encerrou.

Correio do Agreste