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Sabado, 15 de Junho de 2024
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Rio Grande do Norte

RN tem 31 municípios com riscos de desastres como deslizamentos de terra e inundações

Principal fator para acontecimento de desastres são chuvas, mas desmatamento pode agravar as ocorrências de tragédias ambientais e climáticas

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Por Portal Correio do Agreste
RN tem 31 municípios com riscos de desastres como deslizamentos de terra e inundações
Desabamento de muro de contenção da lagoa de captação Ouro Preto, em Neópolis, na Zona Sul de Natal em agosto do ano passado, após fortes chuvas na capital potiguar, deixou famílias desalojadas - Foto: José Aldenir/Agora RN
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No Brasil, 1.942 municípios de todas as regiões estão sujeitos a desastres associados a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações, de acordo com um estudo feito pela Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento, do Governo Federal. No Rio Grande do Norte, são 31 municípios que correm os riscos de tragédias ambientais, entre eles Natal, Parnamirim, Mossoró e São Gonçalo do Amarante.

Os municípios potiguares que têm riscos de enxurradas e inundações são Carnaubais, Ceará-Mirim, Felipe Guerra, Goianinha, Ipanguaçu, Jandaíra, Jardim de Piranhas, João Câmara, Jucurutu, Luís Gomes, Macaíba, Macau, Nísia Floresta, Nova Cruz, Patu, Pendências, Porto do Mangue, Santa Maria, São Gonçalo do Amarante, Touros, Várzea e Venha-Ver. Já as cidades de Mossoró, Natal, Parnamirim e Tibau do Sul correm risco de deslizamento, além de ocorrências como enxurradas e inundações.

O meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn) Gilmar Bistrot explicou ao AGORA RN que o principal fator que define o acontecimento de desastres climáticos e ambientais são as chuvas, ainda que as condições sejam provocadas por ação humana.

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Bistrot informou, ainda, que fenômenos que ocorrem nos oceanos influenciam na intensidade de chuvas, as quais interferem diretamente nos episódios de desastres ambientais.

“Quando se trata do RN, a gente tem períodos específicos e determinados de chuvas. As chuvas mais intensas com potencial de inundação de desastres ambientais [são influenciadas] pela condição dos oceanos, quando se tem El Niño no Oceano Pacífico diminui a condição de chuvas aqui no Nordeste porque é uma mudança na circulação dos ventos e favorece a condições de chuvas mais para região sul, central do país, da América do Sul. Quando se tem a La Niña, que são águas mais frias, tem uma circulação mais acentuada sobre o Nordeste com um transporte maior de umidade e a atuação dos sistemas com mais intensidade, podendo assim até condições de chuvas acima do normal”, afirmou o meteorologista.

Segundo Bistrot, em 2024 ocorreu uma situação diferente dos anos anteriores, especialmente com a ação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico, que indicou uma seca no Nordeste entre fevereiro e maio. “Aconteceu o contrário, nós tivemos chuvas acima do normal”, explicou e citou, ainda, sobre o aquecimento do Oceano Atlântico como um outro comportamento anormal que pode ser fator para a situação climática diferente observada no Rio Grande do Norte.

Desmatamento agrava riscos de desastres ambientais

A ambientalista Vânia Alberton explica que, para além dos fenômenos relacionados à chuva, o desmatamento pode influenciar na gravidade dos desastres ambientais. “A vegetação, na verdade, ‘segura’ [a água]. Além disso, desmatar deixa uma terra mais suscetível à erosão. As florestas e as árvores resfriam o ambiente, então diminui a temperatura naquelas regiões onde tem essas quantidades de mata maior”, explicou.

Ela também cita que a Caatinga, um dos principais biomas presente no território potiguar, sofre devastação com frequência. “Tem uma época do ano em que a caatinga fica mais seca, mas é o normal dela, só que quando dá uma pequena chuva, você verifica que ela se transforma, porque é próprio do bioma. Só que devastando ele, cortando as árvores e não plantando, é prejudicial para o ambiente”, completa.

“Esses problemas climáticos que estão acontecendo hoje, são avisos que a natureza está dando sobre coisas que estamos fazendo de forma errada. Por exemplo, o lixo que nós geramos tem um impacto ambiental. O que chamamos de lixo, grande parte não é lixo, mas resíduos que a gente poderia reaproveitar”, disse a ambientalista.

Vânia citou, também, as chuvas e desastres que ocorreram no Rio Grande do Sul e explica que grande parte da vegetação do estado foi devastada, o que pode ter ocasionado uma situação ainda mais grave do que era esperado. A ambientalista ainda citou o discurso do vereador da Câmara de Caxias do Sul, no RS, Sandro Fantinel (PL), que falou sobre retirar cinco metros de vegetação para “evitar desastres”. No entanto, segundo a ambientalista, caso seja realizada a retirada da vegetação, o risco de erosão aumenta significativamente.

 

 

FONTE/CRÉDITOS: Agora RN
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