Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 23 de Outubro 2026
Rio Grande do Norte

QUEM É FELLIPE RODRIGUES, O NOME QUE ALLYSON NÃO QUIS RESPONDER NO DEBATE

QUEM É FELLIPE RODRIGUES, O NOME QUE ALLYSON NÃO QUIS RESPONDER NO DEBATE…

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
QUEM É FELLIPE RODRIGUES, O NOME QUE ALLYSON NÃO QUIS RESPONDER NO DEBATE
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Cadu de Lula (PT) perguntou a Allyson Bezerra (União Brasil) no debate da Inter TV Cabugi dessa quinta-feira (22): “Candidato, você conhece Felipe Rodrigues da Silva?”. E insistiu, em seguida: “Quem é Felipe Rodrigues da Silva?”. Allyson não respondeu. O Blog do Dina foi aos documentos. Fellipe Rodrigues da Silva, com dois “l”, é servidor federal da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Está cedido ao gabinete de Allyson desde o primeiro mês do mandato em Mossoró, em 2021. Hoje é Assessor Institucional da Prefeitura, com salário de R$ 8.650. E segue recebendo da União o vencimento do cargo efetivo.

Os papéis contam mais do que o silêncio do debate. Em 2022 e em 2024, a Ufersa concedeu a Fellipe “licença para atividade política”. É um direito que a Lei 8.112 reserva a quem vai ser candidato. Ele não registrou candidatura em nenhuma das duas eleições. Nas duas vezes, a licença morreu às vésperas do prazo de registro. E foi substituída por uma cessão ao gabinete de Allyson. Desde 2022, o ato de cessão diz que o ônus do salário é “do órgão cedente”. Ou seja: a Ufersa, e não Mossoró, paga o cargo efetivo de quem trabalha para o prefeito. O decreto federal que rege as cessões manda o município reembolsar a União. Não há registro público de que isso ocorra.


Allyson teve mais de uma chance de dizer quem é Fellipe e não usou nenhuma. Na véspera do debate, a coluna de Túlio Lemos, no Diário do RN, já havia descrito o assessor como “o homem forte da campanha de Allyson Bezerra”. O Blog do Dina procurou o nome de Fellipe na prestação de contas da campanha ao Governo. Não está lá, nem como fornecedor nem como doador, nos dados parciais que o Tribunal Superior Eleitoral publicou até esta sexta-feira (23).

Publicidade

Leia Também:

Da Ufersa à Assembleia, e da Assembleia ao gabinete
Fellipe entrou na Ufersa por concurso em junho de 2013, como assistente em administração. Entre 2020 e março de 2026 presidiu a associação dos servidores da universidade, a Assufersa. Allyson é servidor concursado e ex-aluno da mesma Ufersa.

O primeiro cruzamento documentado entre os dois está em agosto de 2019. No dia 2, a Assembleia Legislativa fez uma sessão solene pelos 52 anos da Esam, a escola de agricultura que virou a Ufersa. A proposição era do então deputado estadual Allyson Bezerra. Fellipe estava entre os técnicos homenageados. Um mês depois, em 3 de setembro, o Ministério da Educação cedeu o servidor “para exercício junto à Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte”, por tempo indeterminado. O ato não diz em que gabinete ele trabalhou.

Allyson tomou posse como prefeito em 1º de janeiro de 2021. Em 4 de fevereiro, o Ministério da Educação cedeu Fellipe à Prefeitura de Mossoró. Em 19 de fevereiro, Allyson o nomeou ouvidor-geral do município. Uma semana depois, o designou para responder interinamente pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Juventude. Em março de 2021, Fellipe já assinava contratos temporários como secretário. Era também o gestor do Fundo Municipal de Assistência Social no portal do Tribunal de Contas do Estado. Em setembro daquele ano virou assessor especial do gabinete do prefeito. Nunca mais saiu de perto de Allyson.

Duas licenças para ser candidato, nenhuma candidatura
Em 7 de julho de 2022, a Reitoria da Ufersa concedeu a Fellipe licença para atividade política, de 2 de julho a 2 de outubro, “nos termos do art. 86 da Lei 8.112”. O artigo trata do servidor “escolhido em convenção partidária, como candidato a cargo eletivo”. Seis dias antes, em 1º de julho, Allyson o havia exonerado “a pedido” do cargo de assessor especial. Em 11 de agosto, a Ufersa revogou a licença. Faltavam quatro dias para o fim do prazo de registro de candidaturas. Fellipe não aparece como candidato em 2022 nos dados do TSE.

Em 31 de outubro de 2022, um dia depois do segundo turno, a Ufersa o cedeu de novo ao gabinete de Allyson. Três dias depois, Allyson o renomeou assessor especial.

Em 2024 o roteiro se repetiu com mais precisão. Allyson o exonerou “a pedido” em 4 de julho. No dia seguinte, a Ufersa concedeu nova licença para atividade política, de 6 de julho a 16 de outubro. A portaria cita o prazo de desincompatibilização que a Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar 64, de 1990) impõe a servidores que disputam eleição municipal. E condiciona a licença à apresentação da ata da convenção e do registro da candidatura, “sob pena de cassação da licença e o ressarcimento ao erário dos valores recebidos”. Em 14 de agosto, a Ufersa encerrou a licença e o cedeu outra vez ao gabinete. Em 15 de agosto, último dia do prazo de registro de candidaturas, Allyson assinou a portaria que o renomeou assessor especial. Fellipe não foi candidato em 2024.

“Art. 1º Nomear FELLIPE RODRIGUES DA SILVA para exercer o cargo em comissão de Assessor Especial I, símbolo CC3, na função de Assessor Especial, com lotação na Gabinete do Prefeito da Prefeitura Municipal de Mossoró.” (Portaria 573, de 15 de agosto de 2024, assinada por Allyson Leandro Bezerra Silva)

Fellipe Rodrigues e os dois cofres
A partir de setembro de 2024, a folha da Prefeitura passou a pagar a Fellipe uma gratificação de R$ 7.525 por mês. Em fevereiro de 2025, Allyson o promoveu a Assessor Institucional, e o valor subiu para R$ 8.650. É o que ele recebe até hoje. A folha de setembro de 2026 o mantém ativo no gabinete do prefeito, já na gestão de Marcos Medeiros, que assumiu quando Allyson renunciou para disputar o Governo.

Ao mesmo tempo, a União continua pagando o cargo efetivo. O Portal da Transparência do governo federal registra, em agosto de 2026, remuneração básica de R$ 6.979,71 mais R$ 1.192 em auxílios. Fellipe aparece lotado na Ufersa e “ativo em outro órgão” desde 15 de agosto de 2024. Somados, os dois cofres pagam cerca de R$ 16,8 mil brutos por mês a um assessor comissionado.

As cessões de 2019 e de 2021, assinadas pelo Ministério da Educação, diziam que “o ônus pela remuneração ou salário é do órgão cessionário”. Ou seja, de quem recebe o servidor. As de 2022 e 2024, assinadas pela reitora da Ufersa, inverteram a fórmula: “o ônus pela remuneração ou salário é do órgão cedente”. O Decreto 10.835, de 2021, regula as cessões de servidores federais. Ele diz que “é obrigatório o reembolso” quando o destino é outro ente federativo. Se Mossoró reembolsa a União, o documento não é público. A pergunta está feita à Ufersa e à Prefeitura.

Xangai, Barcelona e Brasília
Com Allyson, Fellipe Rodrigues viajou. Em maio de 2025, a Secretaria de Governo lhe concedeu sete diárias e meia, no valor de US$ 1.800, para a missão a Xangai, na China, com produtores de melão. O blog Neto Queiroz listou a comitiva: o prefeito, o secretário de Agricultura, o vereador Vladimir de Cabelo de Negro e “o assessor especial da Prefeitura, Fellipe Rodrigues da Silva”. Em novembro de 2025, foram outras sete diárias e meia para Barcelona, na Smart City Expo. Houve ainda três idas a Brasília, entre novembro de 2024 e junho de 2025, para “assessorar o chefe do Executivo”. Cada uma a R$ 1.500 ou R$ 1.725.

Nenhuma dessas diárias é irregular por si. Elas dizem outra coisa: onde Allyson ia, Fellipe ia junto.

O que o Blog não encontrou sobre Fellipe Rodrigues
O Blog do Dina procurou o nome de Fellipe Rodrigues da Silva no Diário da Justiça Eletrônico desde 2023, no banco de jurisprudência do Tribunal de Justiça do RN, nos cadastros de sócios da Receita e nas prestações de contas eleitorais de 2024 e 2026. Não há processo em seu nome em tribunal do Rio Grande do Norte. Nenhuma empresa além da associação de servidores. Nem pagamento de campanha. Nos documentos da Operação Mederi a que o blog teve acesso, o nome dele não aparece.

O silêncio
“Candidato, você conhece Felipe Rodrigues da Silva?” (Cadu de Lula, no debate da Inter TV Cabugi, 22 de outubro de 2026)

Allyson conhece Fellipe Rodrigues. Não é inferência: são ao menos treze atos com a assinatura do ex-prefeito, de 2021 a 2025, nomeando, designando, exonerando e renomeando o mesmo servidor. Se preferiu não responder, a pergunta que sobra é se o que Fellipe faz lhe causa constrangimento.

O que Fellipe faz está nos papéis. Trabalha para Allyson desde a Assembleia. Foi tirado da Ufersa duas vezes com uma licença feita para candidatos, sem ser candidato. Recebe do município e da União ao mesmo tempo. É errado? É motivo de vergonha? Quem pode responder é Allyson. E a Ufersa, que assina as licenças e paga o salário.

O espaço está aberto para manifestação.

Fonte: Blog do Dina

FONTE/CRÉDITOS: Via Blog do RR

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Correio do Agreste
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR