Aguarde, carregando...

Domingo, 04 de Outubro 2026
Rio Grande do Norte

Queda na arrecadação do Estado afeta Cultura no RN, aponta Crispiniano Neto

Ex-diretor-geral da FJA apontou que a pandemia e redução do ICMS causaram quebra na receita do Estado

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Queda na arrecadação do Estado afeta Cultura no RN, aponta Crispiniano Neto
Crispiniano Neto é coordenador-geral de Projetos Especiais da Secretaria de Formação, Livro e Leitura, pasta do Ministério da Cultura (MinC). Foto: José Aldenir / Agora RN
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O ex-diretor-geral da Fundação José Augusto (FJA), Crispiniano Neto, reconheceu que o momento de dificuldade financeira que o Estado do Rio Grande do Norte enfrenta afeta a Cultura potiguar. Ele, que neste ano assumiu o cargo de coordenador-geral de Projetos Especiais da Secretaria de Formação, Livro e Leitura, pasta do Ministério da Cultura (MinC), disse em entrevista ao AGORA RN que a queda na arrecadação afeta o setor.

Crispiniano fez um balanço de sua gestão à frente da Fundação durante o primeiro governo de Fátima Bezerra (PT), além de revelar suas expectativas para o futuro no Ministério da Cultura, citando a importância da reconstrução da pasta. Ele apontou que a União e o Estado precisam ofertar mais editais para os artistas, além de apontar que a Ribeira e o restante do centro histórico de Natal precisam de investimentos através do Novo PAC.

“O PAC para Natal é recuperar esse centro histórico, porque isso trará cultura, que trará turistas e consequentemente movimentará a economia”, frisou Crispiniano. Confira a entrevista completa:

Publicidade

Leia Também:

AGORA RN – Como o senhor deixou a Fundação José Augusto? Qual foi seu principal legado?

Crispiniano Neto – Nós pegamos a Fundação José Augusto na gestão Fátima como um cenário de terra arrasada, o que era ruim estava muito pior. Já havia uma depreciação sequenciada da infraestrutura da cultura, a política da cultura praticamente não existia. O que eu tinha tentado restaurar em outras gestões, estavam tentando fechar. Encontrei a Biblioteca Câmara Cascudo fechada. O Forte dos Reis Magos, Teatro Alberto Maranhão, Pinacoteca e a Escola de Dança foram reabertos.

AGORA RN – Como você classifica a nova gestão da Fundação José Augusto (FJA)?

Crispiniano Neto – Mary Land é muito identificada com a Cultura, principalmente com o audiovisual. Ela também é professora de políticas públicas, então ela traz um “know-how” importante. Ela é secretária extraordinária da governadora para Cultura, e o orçamento está na FJA que é vinculada à Secretaria Estadual de Educação. Gilson Matias é o diretor-geral da FJA. Gilson e Mary Land estão tendo dificuldades devido aos problemas financeiros do Estado, que depois da pandemia e depois da questão do ICMS, teve uma quebra na receita.

AGORA RN – O Ministério da Cultura é gestor de leis como a Lei Rouanet, a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo. Para o RN, qual é a importância dessas leis?

Crispiniano Neto – Eu deixei aprovado a Lei Paulo Gustavo, com R$ 73 milhões para o RN: R$ 39 milhões para a FJA, e o restante para os Municípios. Deixamos uma perspectiva de R$ 32 milhões para a FJA mais R$ 28 milhões para os Municípios da Lei Aldir Blanc 2. Já a Lei Câmara Cascudo, que eu tinha deixado em R$ 10 milhões, a governadora aumentou esse ano para R$ 20 milhões. Também deixei aprovado um projeto através da Lei Rouanet de R$ 15 milhões para 15 casas de cultura do RN.

AGORA RN – Para você, é importante a Cultura ter voltado a ter Ministério?

Crispiniano Neto – Quando entra um governo de direita ou extrema-direita, a primeira coisa que fazem é diminuir ministérios ou secretarias para “enxugar” gastos. Mas isso não faz economia de nada. O Ministério da Cultura foi transformado em uma Secretaria e teve uns oito gestores, de quem você lembra? Só de Regina Duarte, e só por causa das presepadas. Voltar a ter o Ministério da Cultura foi muito importante.

AGORA RN – O que pode ser feito para ajudar os artistas e fomentar a cultura?

 

Crispiniano Neto – A boa novidade para o mundo da cultura é o edital. O dinheiro chega na mão do artista, ele democratiza. No governo Fátima, fiz 20 editais: “Pauta Livre dos Teatros”, “Tô em casa tô na rede”, “Glorinha Oliveira” e “Registro de Patrimônio Vivo”, foram cerca de R$ 40 milhões em editais. Me questiono: por que a Educação tem 25% do Orçamento obrigatoriamente? E a Cultura não tem orçamento? Nos primeiros governos de Lula, nós gestores estaduais de Cultura pedimos o Orçamento da União em 1%, do Estado em 1,5%, e dos Municípios 2%. Mas o dinheiro da Cultura até hoje ainda é catando moedas.

AGORA RN – A lei é da Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), que inclusive é de autoria de Fátima Bezerra enquanto senadora, é uma prioridade de sua nova gestão na sua pasta?

Crispiniano Neto – Já tivemos uma reunião com o assessor jurídico, porque a lei existe, mas precisa de regulamentação. Como o Ministério recomeçou do nada, tem sido lento. Mas estou sempre cobrando, porque foi uma das coisas que a governadora Fátima me disse: “uma das suas missões é regulamentar isso”. Acho que, em breve, sairá. Além disso, temos muitos editais como o Carolina Maria de Jesus, para escritoras mulheres. Temos apoiado feiras e bienais, neste sábado estarei dando uma palestra na Bienal de Recife, por exemplo. Também estou retomando contatos na Literatura de Cordel, tivemos várias reuniões com o Iphan e com os detentores de saber.

AGORA RN – Do governo federal, o Novo PAC vai destinar R$1,3 bilhão para a Cultura. Quais são as áreas que mais necessitam de investimentos?

Crispiniano Neto – É preciso investir na recuperação da Ribeira, no centro histórico de Natal. É necessário, por exemplo, dispensar o IPTU daqueles prédios para quem quer restaurar. João Pessoa fez isso e recuperou um bairro que estava igual a Ribeira. Também é preciso que as empresas movam os depósitos para outros lugares. Portanto, o PAC para Natal é recuperar esse centro, porque isso trará cultura, que trará turistas e consequentemente movimentará a economia.

AGORA RN – Como o senhor avalia a gestão Fátima Bezerra?

 

Crispiniano Neto – Fátima pegou um estado que estava no inferno, do ponto de vista fiscal. Ela conseguiu pagar os salários em dia durante cinco anos. Isso é um feito tão gigantesco que precisa muita má vontade para dizer que isso não vale muito. Ela pegou outra crise agora, mas com a vantagem de ter o governo federal ao lado. O governo federal ainda não tem condições de oferecer tudo que o Estado precisa, mas está caminhando para isso. Creio que teremos uma conclusão boa do governo Fátima, porque ela passou pelo mais difícil que era colocar a folha em dia e dar prumo à Previdência.

FONTE/CRÉDITOS: AGORA RN

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Correio do Agreste
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )