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Professor potiguar relata o dia a dia em cidade chinesa em situação de quarentena

José Medeiros está há 12 anos morando na China. Região onde mora está em quarentena em razão do surto de coronavírus
Professor potiguar relata o dia a dia em cidade chinesa em situação de quarentena
Professor José Medeiros da Silva e a esposa Ningning, na cidade de Shaoxing, em frente à casa de Lu Xun, considerado o pai da literatura moderna chinesa

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O potiguar José Medeiros da Silva, 51, professor na Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, em Hangzhou, no Nordeste da China, está há uma semana sem sair de casa. A região onde mora está em quarentena em razão do surto de coronavírus que a atinge o país no Sudeste da Ásia.

Nascido em Touros, formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e com doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), ele está a 567 quilômetros do epicentro da doença, a cidade Wuhan, capital da província de Hubei. Desde que a epidemia foi identificada, em 31 de dezembro de 2019, o vírus já causou 210 mortes em todo o país.

Com a explosão da doença, milhares de pessoas passaram a ficar confinadas voluntariamente nas próprias residências. Em Hangzhou, um dos pontos turísticos mais conhecido da região, o Lago Oeste, está esvaziado ao longo das últimas semanas.

A província de Hubei, com uma população de 59 milhões de pessoas, está totalmente isolada, segundo as autoridades da China. Apenas caminhões de alimentos e suprimentos médicos podem atravessar a área.

José Medeiros está há 12 anos morando na China. Ele, inclusive, já é casado com a chinesa Ningning.

Diante da crise, ele avalia que a China apresentou grande capacidade de gerenciamento. “Isso se reflete na forma responsável e sem desespero com que a população chinesa enfrenta, no dia a dia, a delicada situação”, comenta.

Como está a situação da região em que mora?
Nesses dias estou em Shaoxing, uma cidade que fica a uns 60 km de Hangzhou, capital da província de Zhejiang. Para se ter uma ideia, essa província possui mais de 55 milhões de habitantes. E Hangzhou (9,8 milhões de pessoas) tem uma população duas vezes maior do que a população que a do Rio Grande do Norte. Pelos dados mais recentes, essa província já identificou 428 casos, felizmente sem nenhum óbito. Em Hangzhou, temos 68 casos e em Shaoxing, 19. Vale ressaltar que agora o foco da ação do governo é evitar a propagação em território nacional. Por isso as medidas tão fortes, como fechamento de cidades, uma quarentena quase generalizada, etc.

Como é viver em quarentena? O que está fazendo para evitar o contágio?
Realmente, praticamente quase toda a China está em quarentena. O feriado do Ano Novo [25 de janeiro] foi estendido, assim como a volta às aulas. Essa quarentena voluntária é resultado de uma orientação do governo com uma percepção por parte da população da gravidade da situação. Aqui, já faz mais de uma semana que praticamente não saio de casa e assim estão a maioria dos chineses. E quando saem, procuram sair protegidos, com máscaras. Claro que isso é um incômodo, mas temos consciência de que é o procedimento necessário e a forma mais eficiente de se evitar o contágio. Nesse sentido, a colaboração da população está sendo essencial.

Como é para fazer compras? O comércio funciona?
Há 12 anos que vivo na China e tenho acompanhado o progresso material do país. Essa parte de compras e abastecimento já não é mais um problema. Você pode comprar tudo sem precisar sair de casa. Além do mais, o país tem uma capacidade de gerenciamento de crise impressionante. Isso, em parte, talvez explique a forma responsável e sem desespero com que a população enfrenta uma situação tão delicada como essa.

Como vê o alarme global sobre a doença?
O alarme, no sentido de perceber a gravidade da situação, é importante, pois somente assim se poderá fazer um trabalho de prevenção adequado. No entanto, o alarmismo revela muito mais uma imaturidade e não ajuda em nada. O Brasil tem uma tendência ao alarmismo e isso é bom evitar.

Acompanha as informações sobre a chegada da doença ao Brasil?
Sim, preocupo-me muito com o meu país e estou sempre muito atento ao que se passa por aí. Não vejo motivos para desespero dos nossos conterrâneos. Mas sei que o desconhecido tende a gerar medo. O Brasil poderia estudar como a China está lidado com essa situação, isso poderia realmente servir para amadurecermos mais e nos preparar melhor para o enfrentamento de situações adversas.

Como está a relação dos brasileiros que moram na China com as representações diplomáticas brasileiras? Recebem informações?
O consulado do Brasil em Xangai, responsável pela área onde eu moro, tem mandado informações e pedido para que fizéssemos cadastro. Para se comunicar, eles usam um aplicativo chamado Wechat, uma espécie de Whatsapp, muito utilizado aqui na China. É isso. Agora é esperar para ver o desdobramento da situação. Ao meu ver, a prioridade número um do governo [chinês] é evitar que o vírus atinja outras cidades na dimensão que atingiu Wuhan. Nesse momento, só nos resta nos precaver e aguardar esse desdobramento.

Fonte

agorarn

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