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Domingo, 16 de Agosto 2026
Brasil

Prima de adolescente que tomou soda cáustica por engano revela áudio gravado por ele antes de morrer

Heitor Santos Poncidônio, de 16 anos, morreu após tomar o líquido como se fosse água em um comércio em Guarujá, no litoral de São Paulo.

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Prima de adolescente que tomou soda cáustica por engano revela áudio gravado por ele antes de morrer
Heitor Santos Poncidônio, de 16 anos, morreu após tomar soda cáustica por engano em Guarujá (SP) — Foto: Arquivo Pessoal
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O adolescente Heitor Santos Poncidônio, de 16 anos, que morreu após beber soda cáustica como se fosse água enquanto comprava produtos de limpeza em uma loja, contou à família que não foi alertado pelos funcionários de que líquido na garrafa era um composto químico [danoso e fatal]. Ao g1, a prima dele, Eduarda Poncidônio Costa, revelou neste sábado (14) um dos últimos relatos do rapaz aos familiares. "Pediu a eles água para beber. Entregaram uma garrafa que tinha soda cáustica".

De acordo com laudo do Instituto Médico Legal (IML), o jovem morreu em Guarujá, no litoral de São Paulo, devido a uma esclerose esofágica [varizes no esôfago, que podem vir a sangrar, causar hemorragia e levar a óbito]. Em depoimento à Polícia Civil, que investiga o caso, o dono do comércio negou a história (confira a versão no fim da matéria).

Eduarda acrescentou que, após o ocorrido, o primo passou a falar menos por conta de dores na boca causadas pelo produto químico. "Na última vez que estive com o Heitor, ele sentia dor, apenas". O g1 teve acesso a um áudio gravado pelo adolescente ainda no hospital, em que ele detalhou, já com dificuldade para falar, o que estava fazendo na loja.

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"Perguntei se eles tinham cloro e desinfetante, e a mulher [funcionária] disse que sim. Eu perguntei se tinham 'Casa Limpa' [produto de limpeza], e ela falou que só teriam 'Casa Nova'. Não lembro de mais nada", disse a vítima, gravada pela prima no hospital.

 

Heitor foi descrito por Eduarda como um "menino alegre e do bem". Segundo ela, o rapaz ocupava o dia com compromissos e momentos de lazer. "Ele fazia curso técnico de informática e estudava na escola à noite. Quando chegava, gostava de jogar bola na rua, fazer academia e também crossfit".

Jovem morreu após ingerir soda cáustica em comercio do Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Jovem morreu após ingerir soda cáustica em comercio do Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Morte

 

Heitor morreu em 9 de janeiro, dois dias após começar a sentir dores abdominais. A prima do adolescente disse que ele foi levado à Casa de Saúde de Guarujá, passou por consulta médica e, como o coração estava acelerado, foi colocado no soro. Eduarda explicou que coletaram o sangue do garoto e o resultado revelou uma "inflamação no estômago e que as plaquetas estavam altas".

No dia em que morreu, Heitor havia sido encaminhado para fazer uma endoscopia e, segundo a prima, saiu da sala precisando de reanimação. "Foi imediatamente para sala de emergência, onde vários médicos tentarem reanimá-lo, porém sem êxito".

g1 entrou em contato com a assessoria do hospital, mas até a última atualização dessa reportagem, não obteve retorno.

Heitor (à esq.) gostava de fazer crossfit, academia e jogar futebol com os amigos na rua — Foto: Arquivo pessoal

Heitor (à esq.) gostava de fazer crossfit, academia e jogar futebol com os amigos na rua — Foto: Arquivo pessoal

Proprietário do comércio

 

De acordo com o boletim de ocorrência, o dono do estabelecimento informou às autoridades que Heitor bebeu o conteúdo de uma garrafa com soda cáustica que estava no chão. Na sequência, ele teria passado mal e sido socorrido por uma pessoa que estava no comércio.

As autoridades ouviram um funcionário da loja, que confirmou a versão do patrão. Segundo a polícia, o comerciante declarou que a câmera de monitoramento da loja estava inoperante, o que motivou a ida de investigadores ao local apurar a veracidade da informação. Eles constataram que, de fato, o equipamento estava sem função e servia apenas para tentar inibir a ação de criminosos.

g1 entrou em contato com o proprietário por telefone, mas ele não atendeu ou retornou as ligações. A reportagem também ligou para o estabelecimento, e foi informada por uma funcionária que o dono não estava no local.

FONTE/CRÉDITOS: Daniela Rucio e Thiago D'Almeida, g1 Santos

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