Com o preço médio do metro quadrado pouco acima dos R$ 4 mil, Natal não figura em qualquer levantamento do setor que a coloque entre as capitais brasileiras com grandes altas no preço de imóveis, até pelos baixos índices de lançamentos e do estoque disponível.
A capital potiguar se iguala a centenas de outras cidades brasileiras nesse quesito, mas não se coloca nem de perto na vanguarda de preços, a despeito dos aumentos persistentes no custo do setor.
Segundo levantamento do Portal Imobiliário, Brasília foi a cidade com o maior preço por metro quadrado, com R$ 9.098/m², seguida por Rio de Janeiro com R$ 8.158/m². Já as cidades com o metro quadrado mais barato foram Florianópolis com R$ 4.022/m² e Salvador com R$ 4.277/m². O preço do metro quadrado médio de Natal é de R$ 4.066,00.
Dentre as 12 cidades monitoradas pelo índice, Fortaleza e Porto Alegre registraram as maiores valorizações nos preços em agosto, de 2,32% e 2,24%, respectivamente. Recife bateu recorde de desvalorização no mês, de -2,49%, seguida por Vitória com -1,41%. São Paulo apresentou queda de -0,04% e o Rio de Janeiro um aumento de 0,26%.
Em compensação, os custos da construção civil não pararam de subir. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), de janeiro a novembro de 2021, o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) cresceu 13,46%. É o maior patamar desde 2003.
Os índices estão no estudo “Construção Civil: desempenho 2021 e cenário para 2022”, realizado pela CBIC em parceria com a Ecconit Consultoria, apresentado nos últimos dias do ano passado.
O INCC Materiais e Equipamentos, por exemplo, registrou aumento de 42,25% de julho de 2020 a novembro deste ano.
Neste período, os insumos que apresentaram as maiores elevações foram: vergalhões e arames de aço ao carbono (+92,44%), condutores elétricos (+72,10%), tubos e conexões de PVC (+69,09%), eletroduto de PVC (+53,94%), esquadrias de alumínio (+44,40%), compensados (+43,32%), produtos de fibrocimento (+39,53%) e tijolos e telhas cerâmicas (+38,75%).
Já a concessão de crédito imobiliário com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) registrou queda significativa em 2021, tanto em valor financiado, com queda de 14,10% (até 9 de dezembro em relação ao total do ano anterior), quanto no número de unidades financiadas, que caiu 17,05% na mesma base de comparação.
Para este ano, o estudo da CBIC projeta um crescimento de 2% na construção, caso a economia brasileira cresça entre 0,5 e 1,0%. O crescimento inferior ao de 2021 se deve, de acordo com a entidade, a alta das taxas de juros dos financiamentos, a queda do poder de compra da população e o mercado de trabalho fragilizado.
Os números do Índice FipeZAP+ no fechamento de 2021 mostraram ainda que as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro seguem com os maiores preços médios do metro quadrado para venda, apesar da alta mais tímida ao longo do ano: 9.708 reais e 9.650 reais no último mês do ano, respectivamente.
Outro destaque foram cidades do litoral catarinense: Florianópolis e três cidades ao norte — Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí — ficaram entre as dez cidades com o maior valor médio do metro quadrado entre as 50 que fazem parte do levantamento da FipeZAP+.
O aquecimento do mercado imobiliário se refletiu em 2021 no maior aumento do preço médio do imóvel em sete anos: 5,29%, segundo dados do Índice FipeZAP+ com base em anúncios na internet. Este índice não monitora os valores do RN.
Mas, em muitos casos, o valor médio aumentou ainda acima desse patamar: em 14 das 50 maiores cidades do país que fazem parte do indicador, o reajuste acumulado no ano passado superou a inflação projetada de 9,68%, medida pelo IPCA, do IBGE (o dado exato será conhecido nesta terça-feira, dia 11, com a divulgação do IPCA de dezembro).
Em cinco das dezesseis capitais monitoradas, a variação do preço médio dos imóveis ficou muito acima dos 10% em 2021. A maior alta foi registrada em Vitória, no Espírito Santo, com quase 20% (19,86% no dado mais exato), seguida por Maceió, em Alagoas, com 18,50%.
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), da FGV, que serve como balizador dos preços da indústria da construção, encerrou 2021 em alta de 14,03%; o subíndice de materiais e equipamentos avançou ainda mais, 24,37%.
Na ótica da demanda, o mercado apresentou números recordes de vendas ao longo ano em razão das menores taxas de juros da história – embora em trajetória de alta no segundo semestre, acompanhando a alta da Selic – e do apetite ainda forte das classes de alta e média-alta renda, que conseguiram preservar renda a despeito do baixo crescimento do país.

Correio do Agreste