A Polícia Civil do Rio Grande do Norte está investigando casos de um golpe de empréstimo de uma empresa sediada em Manaus, com filial em Natal. Já são pelo menos 15 denúncias feitas. No último final de semana, a Polícia Federal prendeu dois homens suspeitos de chefiarem o esquema.
Segundo a Polícia Civil, filial da empresa em Natal foi fechada há algumas semanas. Empresa procurava servidores e oferecia propostas para empréstimos
Segundo o delegado Renê Lopes, diretor de comunicação da Polícia Civil do RN, as vítimas são servidores públicos que faziam empréstimos com desconto em folha e repassavam o dinheiro para uma empresa, que assumia um contrato com a promessa de lucros futuros. Os primeiros B.Os foram registrados na Delegacia Especializada em Falsificações e Defraudações (DEFD) no dia 06 de outubro.
Quem foi prejudicado com um golpe como este foi um enfermeiro de Natal que pediu para não ser identificado. Segundo ele, a empresa entrou em contato há alguns meses com a proposta. Sua margem consignável era de R$ 35 mil e o contrato foi assinado, com autenticação em cartório. Mês a mês, a empresa deveria repassar o valor da parcela mais uma quantia, que seria justamente o lucro do cliente. O processo funcionou por 4 meses. No quinto, a empresa começou a atrasar. Depois disso, a empresa parou de pagar e não entrou mais em contato. O prejuízo dele será na casa dos R$ 70 mil.
“Eles me procuraram, me disseram que a empresa pegava a margem consignável, investiam e por mês, disseram que eu não me preocupasse, porque teria a parcela do empréstimo mais um lucro referente a título de lucro, que era de 1 a 1,5%. Um percentual mensal atrativo. Expus minhas desconfianças, mas eles falaram que a empresa tinha seguro com uma das maiores empresas do mundo”, disse o potiguar. Segundo ele, há um grupo de WhatsApp com pelo menos 100 pessoas que também teriam sido vítimas do golpe.
A filial da empresa fica localizado na avenida Rui Barbosa, no Tirol, em Natal, e foi fechada há algumas semanas. A TRIBUNA DO NORTE foi até o local e a logomarca da empresa já foi retirada. O prédio, inclusive, está para aluguel. Os investidores sumiram das redes sociais, não atendem ligações nem mensagens nos contatos que tinham na capital.
“O golpe consistia em representantes da empresa procurando as vítimas, servidores públicos, porque são pessoas que detém a possibilidade do consignado em folha. A empresa convencia a realizar o empréstimo no limite máximo e a vítima transferia esse dinheiro para a empresa com a promessa de um prazo de 12 meses a empresa pagaria a mensalidade do empréstimo mais um rendimento que estava em torno de 1% ao mês. Passados os 12 meses, o saldo devedor seria quitado pela empresa e a vítima teria lucro”, explica o golpe o delegado Renê Lopes.

Empresa foi alvo de operação da Polícia Federal no último final de semana
Segundo a PF, os investigados ostentavam com o dinheiro das vítimas. Nas redes sociais, o grupo publicava vídeos e fotos de carros e condomínios de luxo; registros de viagens nacionais e internacionais; joias, relógios e tênis. Parte das compras era feita em lojas famosas em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
No primeiro dia da operação, deflagrada na última sexta-feira (14), a PF cumpriu mandados de prisão temporária e ordens judiciais de busca e apreensão nas cidades de Manaus (AM), Boa Vista (RR), Belém (PA) e Natal (RN). Na data, a PF de Sergipe informou que um alvo da operação foi preso no estado, passando férias.
Em coletiva de imprensa, a Polícia Federal informou que a empresa nunca teve autorização para oferecer serviços financeiros.
"Uma empresa que não tem autorização legal, autorização da CVM ou do banco central para funcionar como instituição financeira, mas praticava atos definidos em lei que caracterizam essa empresa como sendo uma instituição financeira", comentou o delegado Sávio Pinzon.

Correio do Agreste