Não é possível saber quantos passageiros de São Paulo, que chegariam ao Aeroporto Internacional de São Gonçalo de Amarante, tiveram suas viagens ao Rio Grande do Norte frustradas com a paralisação dos voos da Itapemirim Transportes Aéreos.
A interrupção, na noite da última sexta-feira 17, das operações da empresa que começou a voar no dia 29 de junho deste ano, provocou muita confusão entre os passageiros que já esperavam o embarque nos aeroportos pelo país.
Um cálculo preliminar de Leonardo Seabra, coordenador de inteligência de mercado da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), estima algo em torno de 8 mil turistas, um pouco menos ou um pouco mais, que terão seu desembarque no destino prejudicados entre dezembro e janeiro, meses de alta temporada.
Desse total estimado, quantos ainda terão condições de transferir seus voos para outras companhias, é uma incógnita. A única coisa que se sabe é que muitos deverão cancelar suas estadias nos destinos potiguares.
A ITA tinha até a última sexta-feira o equivalente a 3% dos assentos dos voos que desembarcam em Natal. São 52 mil este mês e 54 mil em janeiro, o que daria, respectivamente, 4.200 e 4.373 assentos desde que devidamente ocupados.
“Não se pode dizer que seja um volume expressivo de turistas, mas como vivemos uma época de pós-pandemia em que não se pode abrir mão de absolutamente nada, é sempre um impacto”, resume comenta Abdon Gosson, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN).
Em nota divulgada no site, a companhia orientou os clientes com passagens compradas para os próximos dias a não irem aos aeroportos antes de falar com a empresa por meio de um endereço eletrônico: [email protected].
Mas é pouco provável que os passageiros da ITA consigam reacomodação em voos de outras companhias, já que elas não são obrigadas a transportar os seus clientes, “sem mencionar que a esta altura já devem ter seus voos praticamente lotados”, comenta Abdon Gosson.
“Esta é sempre uma época difícil para acomodar passageiros de uma companhia em outra por qualquer motivo”, concorda Franklin Bezerra, da Natal Viagem. Segundo ele, por ocasião da paralisação dos voos da Avianca, em maio do ano passado, houve muitos cancelamentos, mas estes agora da ITA devem ser mais pontuais.
Lembra Leonardo Seabra que, no começo, estava certo que a ITA teria escalas diárias de São Paulo e do Rio durante a semana, mas isso fooi logo abandonado e ficaram apenas os voos diretos de Guarulhos, na capital paulista.
Por enquanto, fica a promessa da companhia que irá buscar reacomodação para “clientes que estejam fora de seu domicílio, e que tenham viajado anteriormente com a ITA”.
Até agora, a promessa da Itapemirim era aumentar o número de voos entre São Paulo (Aeroporto de Guarulhos) e Natal desde o dia 3 de novembro, numa rota já operada três vezes por semana. A partir de 1º de dezembro, o trajeto passou a ser diário.
A resolução 400 da Anac, que dispõe sobre os deveres das companhias aéreas, diz que em caso de cancelamento de voo a linha aérea deve oferecer alternativas de reacomodação, reembolso ou execução do serviço por outra modalidade de transporte e estipula que a escolha é do passageiro, não da empresa.
“Mas o fato é que a Azul, Gol e Latam Brasil, que dominam 99,3% do mercado aéreo doméstico, não têm nenhuma obrigação de transportar os passageiros da ITA”, diz Leonardo Seabra.
Em casos de cancelamentos, em geral, o que existe é um acordo entre as companhias que prevê a reacomodação e que estipula o pagamento de uma compensação financeira ou o direito de reciprocidade na reacomodação no futuro. Os passageiros que tiveram seus voos atrasados ou cancelados pela ITA podem acionar a companhia aérea na Justiça.

Correio do Agreste