Em evento realizado nesta quarta-feira 25 em Natal, o ex-presidente Lula (PT) teceu duras críticas ao atual ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (Sem Partido). O petista apontou erros do governo federal na condução da pandemia causada pela Covid-19, bem como a falta de diálogo com os governadores, o desemprego no Brasil e o fim do Ministério da Cultura. Para Lula, Bolsonaro é “inimigo” da cultura. Além disso, o ex-presidente relembrou o escândalo do “orçamento secreto”, que, segundo ele, serve para que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), possa aprovar projetos e reformas de interesse do governo Bolsonaro. “Ele (Bolsonaro) aprovou o orçamento secreto pra poder conquistar voto. Sabemos que o presidente da Câmara tem um orçamento de R$ 3 bilhões. Com isso ele pode aprovar o que ele (Bolsonaro) quer”, diz. “Estamos vivendo uma crise sanitária que poderia ter sido sanada se tivéssemos um governo preocupado com a população, se tivesse criado um comitê de crise, que teria orientado a população brasileira. O governo federal continua tripudiando todas as pessoas que obedecem as recomendações da OMS”, diz o petistas, ao citar recomendações de combate ao vírus da Covid-19, como uso de máscara, distanciamento social e não ingestão de remédios ineficazes. Lula, que é apontado como favorito para vencer as eleições gerais de 2022, destacou o desemprego no Brasil: “São 15 milhões de pessoas desempregadas e outras milhões que estão desalentados”. O petista visita o Rio Grande do Norte desde segunda-feira 23. Ele já teve encontros com aliados, como a governadora Fátima Bezerra (PT) e o senador Jean Paul Prates (PT), além de antigos colegas de governo, como o ex-governador e ex-senador Garibaldi Alves (MDB). Nesta quarta, Lula encerra sua agenda oficial no RN participando da reunião do Fórum dos Governadores do Nordeste e do lançamento do Nordeste Acolhe. O programa vai promover ações de proteção social para crianças e adolescentes que perderam pai ou mãe em decorrência da Covid-19. Durante os eventos simultâneos, o petista afirmou: “O presidente da República não conversa com os governadores, com prefeitos, com empresários, trabalhadores e movimento social”. E emenda: “Trabalho com a consciência de ter noção do que foi feito comigo. Eles deram um prejuízo a esse país que um dia a imprensa vai retratar. Por conta das fakes news, eles fizeram que esse país deixasse de ter investimentos, empregos”. O petista ainda comentou, ainda, sobre a atuação do governo Bolsonaro na área da cultura: “O presidente é inimigo da cultura; acabou com o Ministério da Cultura. Ele considera que toda arte é inimiga dele, porque só é amigo dele a ignorância e das fake news”. Em reunião com governadores no RN, Lula manda recado: “Quem tá comprando a Petrobrás, se prepare” O ex-presidente Lula (PT) aproveitou sua visita ao Rio Grande do Norte para comentar sobre a venda de ativos da Petrobras. Durante reunião com os governadores do Nordeste, nesta quarta-feira 25, em Natal, o petista disparou: “Quem tá comprando a Petrobrás, se prepare, porque a gente pode reverter isso”. A grande maioria dos integrantes do Partido dos Trabalhadores defende que a empresa seja gerida integral – ou, pelo menos, a maior parte – pelo poder público, ou seja, pelo governo federal. Lula aproveitou para repercutir o atual cenário da economia nacional, segmento que é apontado por alguns analistas políticos como o “calcanhar de aquiles” do petista na disputa pela presidência em 2022. “Economia pode crescer na medida em que tenha um governo que conquiste credibilidade na sociedade”, refletiu. Sobre o próximo pleito geral, o qual ele desponta como favorito, Lula moderou nas palavras: “Não posso discutir pesquisa (eleitoral) porque tá muito longe das eleições”, destacou. Em meio a tensão entre poderes, Lula diz no RN que não podem usar Forças Armadas para “se meter na política” Durante reunião com os governadores do Nordeste, em Natal, o ex-presidente disse que não podem usar as Forças Armadas para “se meter na política”. A declaração dada nesta quarta-feira 25 acontece em meio a tensão entre os poderes. Os governadores dos estados brasileiros, aliás, têm pleiteado uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro em busca de diálogo. “Se alguém das Forças Armadas quiser fazer política, pode. Ninguém proíbe. Mas não pode as forças armadas se meter na política”, comentou o petista, ao reforçar que essas instituições têm o “papel de defender nosso país, nossas fronteiras terrestres, marítimas, aéreos”. Lula revelou que tem pavimentado diálogo com integrantes da ala militar: “Estou conversando com todo mundo. Se eu ganhar as eleições, aí vou conversar com as Forças Armadas sobre o papel delas, que não é se meter na política. Elas tem um papel importante. O que elas não podem é dar sustentação a um genocida que já é responsável por quase 600 mil mortes nesse país”, afirmou, em referência a Bolsonaro. *Em atualização
FONTE/CRÉDITOS: Agora RN
Correio do Agreste