Por Guilherme Levorato, 247 - O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dircursou nesta quinta-feira (10) durante encontro com parlamentares aliados no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, e criticou duramente Jair Bolsonaro (PL) por envolver as Forças Armadas no processo eleitoral.
Por pressão de Bolsonaro, os militares montaram uma comissão para acompanhar e fiscalizar as eleições. Após semanas de mistério, o Ministério da Defesa divulgou nesta quarta-feira (9) um relatório sobre o processo eleitoral. O documento não comprova qualquer fraude nas eleições e não sustenta nenhuma das acusações que Bolsonaro fez ao longo de toda a campanha contra as urnas eletrônicas e o sistema de votação. "Vocês estão vendo que ainda tem na frente de quartéis algumas pessoas inconformadas com o resultado eleitoral, por conta de toda denúncia, de todas as fake news, de todas as mentiras contadas sobre o processo eleitoral, de que as urnas eletrônicas não eram sérias. Eu me recordo do Saddam Hussein dizendo que tinha que enfrentar os Estados Unidos porque os Estados Unidos diziam que ele tinha armas químicas e ele não tinha coragem de dizer que não tinha. E ontem aconteceu uma coisa humilhante, deplorável para as nossas Forças Armadas. Um presidente da República, que é o chefe supremo das Forças Armadas, não tinha o direito de envolver as Forças Armadas a fazer uma comissão para investigar urnas eletrônicas, coisa que é da sociedade civil, dos partidos políticos e do Congresso Nacional. E o resultado foi humilhante", disse Lula.
O presidente eleito afirmou que Bolsonaro tem o dever de pedir desculpas às Forças Armadas e ao povo brasileiro. "Eu não sei se o presidente está doente, não sei, mas ele tem a obrigação de vir à televisão e pedir desculpas à sociedade brasileira e às Forças Armadas, por ter usado as Forças Armadas, uma instituição séria, uma garantia para o povo contra possíveis inimigos externos, fosse humilhada, apresentando um relatório que não diz nada, nada, absolutamente nada daquilo que ele, durante tanto tempo, acusou. Um presidente pode errar, mas ele não pode mentir. Não é aceitável que um presidente da República minta para o seu povo. E nós, ontem, acabamos de provar que um presidente que tinha sido eleito cinco vezes deputado pela urna eletrônica, que teve seus filhos eleitos pela urna eletrônica, colocasse em dúvida a urna eletrônica. Ele sabia que ia perder as eleições, ele tinha certeza que ia perder. Não foi a disputa entre dois homens, entre dois partidos, entre dois candidatos. Foi a disputa entre um candidato e a máquina do Estado, porque ela foi utilizada na sua totalidade: a inteligência, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviáia [Federal], a polícia de cada estado, os empresários ameaçando".

Correio do Agreste