Há dois meses, a vendedora Marina Angélica Reversi, de 27 anos, precisou lidar com a dor de perder o irmão, a avó e a mãe. Moradores de Guapiaçu, cidade do interior de São Paulo, os três morreram em um intervalo de apenas 10 dias depois de serem infectados pelo novo coronavírus.
Na época, Marina disse que precisou enterrar os familiares sem vê-los pela última vez e que a saudade era algo que a incomodava e a entristecia, mas que não tinha ficado indignada.
“Meu coração sangra. As pessoas falam que sou forte, guerreira, só que nem eu sei explicar. Essa força não vem de mim, vem de Deus. Se Ele acha que sou forte para carregar essa cruz, vou carregar”, disse em junho.
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Em entrevista ao G1 nesta semana, a vendedora afirmou que ela e a filha de 4 anos continuam morando em um imóvel do município.
“A doença nos pegou de surpresa. Mas estamos bem, com saúde, graças a Deus. Estamos levando a situação, né?”, disse.
Marina contou que o primeiro da família a não resistir às complicações da Covid-19 foi o irmão Jaiel Reversi, de 29 anos. Portador de hipertensão, ele foi internado no Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) em 18 de maio e morreu dois dias depois.
Enquanto ocorria o sepultamento do irmão, a mãe da vendedora, Marlene Moreira dos Santos, e a avó, Diva Marques Moreira dos Santos, estavam internadas no mesmo hospital que Jaiel.
“Minha mãe e meu irmão apresentaram primeiro os sintomas. Meu irmão foi internado um pouco mais grave que minha mãe, porque estava com falta de ar. Ele foi internado no dia 18 e morreu no dia 22. Minha mãe foi encaminhada ao Hospital de Base, mas médicos falavam que eles podiam morrer a qualquer momento”, afirma.
Em 30 de maio, Diva morreu. Dois dias depois, Marlene também não resistiu. Todos os familiares foram enterrados sem velórios, seguindo recomendações do Ministério da Saúde.
“Elas eram o alicerce da minha família, da minha vida. Minha vida não vai parar, não podemos nos entregar. Se Deus tirou meu irmão, minha mãe e minha avó, Ele sabe que eu posso suportar. Minha mãe era meu alicerce, minha avó era meu exemplo”, complementou.
Infecção
Marina não sabe como a família foi infectada pelo novo coronavírus. Ela afirma que todos os parentes fizeram coleta de material genético. O irmão mais novo, de 14 anos, testou negativo.
“Fizeram dois exames para saber se tinha a doença ou se já pegou. Meu exame deu que eu não tinha, mas que já tive contato com a doença. Na minha filha deu que estava com o vírus, mas ela não teve os sintomas”, disse.
Com a morte da mãe, o irmão mais novo de Marina foi morar com o pai dele em Guapiaçu, cidade que registrava 344 casos confirmados de coronavírus e 14 mortes causadas pela doença até a última segunda-feira (3), segundo boletim epidemiológico.

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