Presidente do STF diz que manifestações "antidemocráticas" e "ilícitas" são intoleráveis. "Se o desprezo por decisões ocorre por iniciativa de qualquer Poder, essa atitude configura crime de responsabilidade, pelo Congresso", diz Fux. Leia discurso na íntegra
O presidente do Supremo Tribuna Federal, Luiz Fux, reagiu nesta quarta-feira (8) aos ataques de Jair Bolsonaro contra a Suprema Corte nos atos de 7 de Setembro.
Em duro discurso, o ministro Fux disse que a crítica política não se confunde com narrativas de descredibilização do Supremo Tribunal, "como vêm sendo gravemente difundidas pelo chefe da nação".
"O Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional", disse o presidente do STF.
Leia o discurso de Luiz Fux na íntegra:
O Brasil comemorou, na data de ontem, 199 anos de sua independência. Em todas as capitais e em diversas cidades do país, cidadãos compareceram às ruas. O país acompanhou atento o desenrolar das manifestações e, para tranquilidade de todos nós, os movimentos não registraram incidentes graves.
Com efeito, os participantes exerceram as suas liberdades de reunião e de expressão – direitos fundamentais ostensivamente protegidos por este Supremo Tribunal Federal.
Nesse ponto, é forçoso enaltecer a atuação das forças de segurança do país, em especial as polícias militares e a Polícia Federal, cujos membros não mediram esforços para a preservação da ordem e da incolumidade do patrimônio público, com integral respeito à dignidade dos manifestantes.
Destaque-se, por seu turno, o empenho das Forças Armadas, dos governadores de Estado e dos demais agentes de segurança e de inteligência pública, que monitoraram em tempo real todas as manifestações, permitindo assim o seu desenrolar com ordem e paz.
De norte a sul do país, percebemos que os policiais e demais agentes atuaram conscientes de que a democracia é importante não apenas para si, mas também para seus filhos, que crescerão ao pálio da normalidade institucional que seus pais contribuíram para manter.

Correio do Agreste