O técnico Fernando Marchiori usou o canal oficial do ABC para responder o pronunciamento do atacante Wallyson, divulgado nesta quinta-feira. O comandante alvinegro reuniu a comissão do clube e apresentou um "dossiê" em que detona o ídolo do Mais Querido (veja abaixo).
Segundo Marchiori, Wallyson tornou públicas coisas que poderiam ser solucionadas internamente e resolveu fazer esclarecimentos. Para isso, gravou vídeo ao lado do fisiologista Vandeilton Galdino, do preparador físico Alisson Herculano, do auxiliar técnico da comissão permanente do clube, Jonidey Tostão, e do auxiliar Carlos Azevedo. Os três primeiros também falaram no pronunciamento.
- Reitero o que eu venho falando desde o princípio: nenhum de nós, desde a diretoria a nós da comissão, temos nenhum problema com ninguém, com nenhum atleta, até com o próprio Wallyson. Porém, tem muitas inverdades colocadas na situação - disse Marchiori.
Com direito a relatórios, planilhas e telão com projetor, o treinador tentou justificar a ausência de Wallyson nos últimos três jogos. Em um primeiro momento, o período de duas semanas seria usado para aprimorar a parte física, condicionado também a uma mudança de posicionamento em campo.
- Chamei para bater um papo, pelo ídolo que ele é, identificamos a qualidade que conhecemos. Mostramos a ele vídeos, onde a gente poderia preservá-lo mais, jogando perto de gol, pela sua qualidade técnica, poder de definição - contou o técnico.
- Nós priorizamos em protegê-lo cada vez mais para que ele tivesse um desempenho cada vez melhor, e seguir sendo ídolo - completou.
Marchiori, então, iniciou a exposição do atacante. Primeiro, mostrou um trabalho feito pelo jogador com um ex-preparador do clube na praia. Vandeilton Galdino disse que não fazia parte da programação específica para ele, tendo em vista que o mesmo alegou estar mal fisicamente.
Em outro momento, Vandeilton disse que Wallyson não participou de ativação no dia do jogo com o Campinense, marcada para 11h. O dossiê seguiu citando que o atacante não costuma realizar a pesagem pós-jogo, protocolo da comissão, e também apresentou imagem de um treino feito pelo atleta em uma academia da Zona Sul da cidade. O treinador disse ainda que trabalhos extras fora do clube sem permissão do departamento de preparação física podem gerar complicações no controle de cargas, com possíveis lesões, dando prejuízo ao clube.
- Treinar fora sem a gente ter sintonia com quem é, sem ter autorização do clube, para mim isso aqui basta. É uma falta de respeito gigantesca conosco profissionais do clube, que estamos desempenhando o melhor, fazendo o melhor, procurando fazer em igualdade para todos, respeitando ele, que é um ídolo do clube, que fez as coisas acontecerem, mas a falta de respeito é muito grande - declarou Marchiori.
Fugindo do tema de preparação física, Marchiori chegou a falar que Wallyson não participa das rodas de oração com os companheiros, e que no jogo contra o Potiguar, após ser substituído, seguiu direto para o vestiário e foi embora.
Apontou ainda que o ídolo alvinegro - que não foi relacionado para a partida contra o Brasil de Pelotas - não compareceu ao jogo para dar apoio aos companheiros "e chegou a nós que ele estava em uma situação particular fora". Neste caso, o treinador fez questão de exibir uma foto em que Wallyson - aparentemente - estava em um parque de vaquejada, e um vídeo em que Allan Dias, mesmo lesionado e andando com muleta, subia a escada do Frasqueirão e estava com o grupo, no vestiário.
Marchiori ressaltou que preferia que "as coisas fossem tratadas de forma interna, sem exposição de nada, mas acho que também passou dos limites".
- Falar que me procurou, que eu dei declarações. Qual a declaração que dei que em algum momento faltei com respeito a ele? Dizendo que ele não queria jogar de 9, que queria jogar de lado. É uma escolha que ele tem, e todos nós respeitamos. Vai brigar com igualdade com os demais atletas - disse.
Entre números apresentados, de positivo, apresentou apenas que o atacante teve uma melhora no percentual de gordura - estava com 11,6 de gordura, e caiu para 10,7 -, "mérito do trabalho".
Marchiori foi além e, ao se aproximar do encerramento do pronunciamento, frisou que "ciclos se têm na vida, de início, meio e fim".
- Outra coisa é o respeito pelos companheiros, pela instituição, que é maior que todos nós. Não basta eu querer fazer o que eu quero. Da mesma forma que ele falou que estava calado, eu estava calado. Ele foi mencionar algumas coisas que não concorda comigo e nunca chegou a falar quais seriam estas discordâncias - desabafou.
Fernando Marchiori disse ainda que espera que o "profissionalismo siga" em respeito à instituição.
- Começou com uma situação de parte física, aí o próprio atleta agora já falou que o problema é comigo. Se é comigo, que ele venha a declarar qual o tipo de problema que ele tem comigo, se é fazer função, se é ser profissional, se dedicar, que é a obrigação nossa como funcionário do clube. Contrato de nenhum atleta do ABC tem escrito que o atleta tem que ser titular, ser reserva, ter suas regalias - destacou.

Comentários: