Bicampeão pan-americano, atleta quer prolongar soberania no levantamento de peso mesmo sem estar 100%: "Tenho que treinar mais que todo mundo, igual a um cavalo de corrida"
A lesão no joelho esquerdo foi a primeira em toda a carreira de Fernando Reis. Operado em dezembro, volta às competições apenas nesta terça-feira, em Lima, na disputa de levantamento de peso dos Jogos Pan-Americanos.
- Vamos testar se o “super bonder” colou. Se estourar o joelho, é porque não foi bom. Aí vamos, eu e o médico, resolver essa situação (risos) - brincou, elogiando a equipe médica que fez o procedimento.
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Se a cola for mesmo resistente, Fernando não deverá ter muitos problemas para confirmar seu favoritismo nos Jogos. Bicampeão pan-americano, o atleta domina com sobras o cenário dos três continentes. Mesmo sem estar no auge de sua forma física, é encarado como uma medalha de ouro certa nas contas da delegação brasileira em Lima. Nesta terça-feira, tentará manter sua soberania na categoria acima de 109kg.
- Queremos manter a posição de homem mais forte das Américas e subir uma posição no ranking mundial para conseguir pegar uma medalha no Mundial e na Olimpíada, que é o nosso grande objetivo. Tenho que treinar mais que todo mundo, igual a um cavalo de corrida. Não tem muito segredo. Eu sei que a lição de casa foi feita. Tive que correr contra o tempo, devido à cirurgia não consegui realmente chegar no meu 100%. Agora é colocar a cabeça no lugar e competir bem.
Fernando Reis ainda não encontrou um rival à altura por aqui. No Mundial do ano passado, por exemplo, ficou em quarto lugar e foi disparado o melhor das Américas: o americano Caine Wilkes foi o 11º, levantando quarenta quilos a menos. Se nada fora do normal acontecer, o brasileiro ganhará o ouro mesmo que faça uma marca 50 quilos inferior ao seu recorde. Como comparação, no Pan passado, levou o título com 52kg de vantagem para o segundo colocado.
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Fernando Reis comemora o ouro no Pan de Toronto 2015 — Foto: Getty Images / Ezra Shaw
Um ouro significará também um novo recorde. No ciclo para Tóquio 2020, houve uma mudança nas categorias. Fernando, que competia na faixa acima dos 105kg, passou a disputar a competição acima dos 109kg. Quem vencer, então, estabelecerá o novo recorde dos Jogos Pan-Americanos – sua melhor marca é de 436kg no total.
- Acho que é uma responsabilidade muito grande, é uma honra muito grande poder representar o meu país. Mas cada competição tem de ser levada com muita seriedade, ainda mais voltando de lesão, voltando de uma cirurgia. Vai ser um desafio. Então, preciso estar focado para fazer primeiro a lição de casa e, depois, comemorar com a medalha de ouro.
Após sua primeira lesão mais grave, Fernando diz que precisou trabalhar também a parte psicológica para retomar a preparação rumo ao Pan.
- A parte psicológica é muito importante, acreditar novamente que é possível. Existem as barreiras do peso, são poucas as pessoas do mundo que conseguem levantar os pesos que nós levantamos. Existe o fator físico, tem de estar bem preparado, mas com certeza tem um ponto que é a loucura da cabeça, tem de estar com o psicológico em dia para quebrar barreiras e conseguir levantar mais pesos.

Correio do Agreste