Lateral-direito está entre as dez vítimas fatais do incêndio no CT do Flamengo: "O clube pode até esquecer, mas a gente não", afirma o tio Milton Rodrigues de Souza
Milton, Moisés e Caíque saíram de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, às 5h30 desta segunda-feira rumo ao Ninho do Urubu. No local desde as 8h, o tio, irmão e primo de Samuel Thomas Rosa, um dos garotos que faleceu no incêndio do Flamengo em fevereiro deste ano, fazem uma manifestação na entrada do centro de treinamentos.Estamos aqui em prol da lembrança do nosso Samuel. Trouxemos uma faixa com as fotos dos meninos. Eu sou defensor dos direitos da criança, e Samuel e Christian (Esmério, goleiro que também faleceu na tragédia) faziam parte de um projeto social meu, o "Bom de Bola" - disse Milton Rodrigues de Souza ao GloboEsporte.com.
O tio do lateral-direito, que faleceu aos 15 anos, destaca que o objetivo do movimento não tem relação com as negociações do Flamengo com as famílias, mas é mesmo lembrar das vítimas.
- Meu objetivo não é dinheiro aqui, é lembrança. Que o Flamengo se manifeste em termos de homenagens. Podiam pensar em colocar as fotos dos meninos aqui no muro do Ninho, por exemplo.
"A gente pede lembrança desses meninos, e lembrar não custa nada. Dia de Finados passou agora, e o Flamengo não deu uma flor para as mães. O clube pode esquecer, mas a gente não." (Milton, tio de Samuel).
Arthur, Athila, Bernardo, Christian, Gedson, Jorge, Pablo, Rykelmo, Samuel e Vitor, todos entre 14 e 16 anos, faleceram no incêndio em um dos alojamentos do Ninho do Urubu, em fevereiro deste ano. O Flamengo entrou em acordo com quatro das dez famílias e segue negociando com as outras. No caso do Samuel, os familiares são representados pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

Correio do Agreste