Uma família da cidade de Extremoz, acusa o hospital municipal da cidade de negligência no caso de uma bebê que nasceu morta pouco tempo depois dos exames constatarem que a menina estava bem de saúde.
Ainda muito abalada, a mãe da recém-nascida pediu pra não ser identificada. Dois dias após receber alta, ela agora tenta conviver com a dor da perda da filha. Mãe de um menino de 7 anos, ela conta ainda que a bebê foi planejado e muito esperada pela familia toda. "Nós três escolhemos o nome. Era Laís. A minha Laís", conta a mulher.
A mulher teria entrado em trabalho de parto na última quinta-feira (18), quando foi levada para o hospital municipal de Extremoz. Elizama Silva, mãe da gestante e avó da criança, conta que a médica do plantão, avaliou a grávida mas como a dilatação era pequena, dois centímetros, mandou ela de volta pra casa. "Em casa, as dores aumentaram e a gente voltou pro hospital e eu insisti pra que a minha filha fosse encaminhada para uma maternidade, mas a médica disse que continuava com a mesma dilatação e mandou voltar, mas a gente preferiu ficar. Só depois de muita insistência é que encaminharam pra uma maternidade em Macaíba, conta Elizama.
Anne Silva é cunhada da gestante e diz que ao chegar na maternidade de Macaíba, ela foi submetida a uma cesariana, mas a criança morreu pouco tempo depois de nascer. Na certidão de óbito entre as causas da morte estavam parada cardíaca e asfixia grave ao nascer. "Eu pedi que ela encaminhasse para a maternidade porque lá ela ia ser atendida por uma obstetra, mas a médica alegou que ia ser o mesmo procedimento. Ela então disse que ia colocar que ela estava com 5 centímetros de dilatação para a maternidade atender. Mas não adiantou. Voltamos com a minha sobrinha no caixão", lamentou Anne.
O diretor do Hospital Municipal de Extremoz, Vinicius Cavalcante, lamentou a morte da criança e disse que o hospital, só faz partos normais em situação de emergência e agiu dentro das normas. "Aqui nós não fazemos parto, a não ser que seja uma urgência, quando a paciente chega em período expulsivo, e a partir daí a gente conduz o parto dessa gestante. O que aconteceu com essa gestante em especial, foi feito o exame físico do bebê. Elas estavam bem. Ela estava com dilatação que ainda não se considera em trabalho de parto, de 2 centímetros, e foi direcionada para casa" explicou o diretor.
Emocionado Cleverlan Silva, pai da bebê, diz que a dor de perder a Laís é uma dor que nunca vai passar. "O luto vai ser todos os dias. Eu posso ter mais três, quatro, cinco filhos, mas nunca vai ser igual a Laís", lamentou Cleverlan.

Correio do Agreste