Eis 1 resumo deste texto, em perguntas e respostas:
- quem é Fabrício Queiroz? Ex-policial militar, é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro e ex-assessor do filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro;
- por que ele foi preso? Para o juiz que autorizou a prisão, Queiroz poderia ameaçar testemunhas, vindo a atrapalhar investigações, e até mesmo a fugir;
- onde ele foi preso? em uma casa em Atibaia, no interior de São Paulo, que pertence ao advogado Frederick Wassef, que defende Flávio e Jair Bolsonaro;
- ele estava foragido? Não havia nenhuma ordem de prisão contra Queiroz. Apesar disso, seu paradeiro era desconhecido desde o fim de 2018, quando foi internado para uma cirurgia em São Paulo;
- por quais crimes ele é investigado? Queiroz é apontado como operador financeiro de esquema de ‘rachadinha’ na Alerj, recolhendo parte dos salários de funcionários fantasmas. São imputados a ele os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de Justiça;
- quanto ele teria movimentado no esquema? De acordo com os investigadores, Queiroz recebeu depósitos que somam R$ 2.039.656,52 no período de abril de 2007 a dezembro de 2018. Teria sacado nesse mesmo período a quantia de R$ 2.967.024,31;
- desde quando e quem investiga Queiroz? As primeiras referências ao ex-servidor de Flávio Bolsonaro chegaram ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) em 10 de maio de 2018;
- quais as provas que embasam o pedido de prisão? Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), extratos bancários, registros telefônicos, dados de celulares apreendidos (incluindo o de sua mulher, Márcia Oliveira de Aguiar);
- quem mais foi alvo da operação Anjo? Eis os demais investigados nessa fase da operação:
- Márcia Oliveira de Aguiar (mulher de Queiroz);
- Luiz Gustavo Botto Maia (ex-advogado de Flávio Bolsonaro);
- Matheus Azeredo Coutinho (servidor da Alerj);
- Alessandra Esteves Marins (ex-assessora do gabinete de Flávio);
- Luiza Souza Paes (funcionária fantasma da Alerj).
Márcia foi alvo de mandado de prisão preventiva e está foragida. Todos os demais foram alvos de mandados de busca e apreensão, menos Luiza, que já havia tido o celular apreendido anteriormente.
- por quanto tempo Queiroz ficará preso? A prisão preventiva não tem data de expiração. Já o mandado de prisão preventiva que não foi cumprido contra a mulher de Queiroz vale até 15 de junho de 2036.
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O ex-policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz foi preso na manhã desta 5ª feira (18.jun.2020) em Atibaia, no interior de São Paulo. Queiroz é amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro e foi assessor parlamentar no gabinete do filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro, de 2007 a 2018.
PublicidadeO ex-assessor de Flávio é investigado desde maio de 2018, quando relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeira) chegou ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). O documento indicava movimentações financeiras atípicas nas contas de Fabrício Queiroz. Somavam R$ 1,2 milhão, no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.
Essas movimentações seriam parte de 1 esquema de ‘rachadinha’, a prática de coagir funcionários (reais ou fantasmas) a repassarem parte de seus salários. Os valores, segundo as investigações, eram lavados por meio de operações imobiliárias, empreendimentos comerciais e até mesmo por meio do pagamento de despesas pessoais da família de Flávio Bolsonaro.
Ao pedir a prisão preventiva do ex-assessor, a Promotoria relatou que Queiroz recebeu “centenas de depósitos” (a maior parte em dinheiro em espécie) no período de abril de 2007 a dezembro de 2018. Esses depósitos somam R$ 2.039.656,52. O ex-policial teria sacado nesse mesmo período a quantia de R$ 2.967.024,31. Os investigadores não souberam precisar a origem dessa diferença de mais de R$ 900 mil.
De acordo com os dados bancários obtidos por meio da quebra de sigilo autorizada pela Justiça, Queiroz fez depósito em espécie de R$ 25.000 na conta de Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio Bolsonaro. A Promotoria diz que o ato mostra que ele “transferia parte dos recursos para o patrimônio familiar” do agora senador.
O MP-RJ também aponta indícios de que Fabrício Queiroz tenha pagado despesas como o plano de saúde e mensalidades escolares das filhas do casal.
A suspeita decorre da constatação de que, em 1º de outubro de 2018, foram quitadas parcelas de mensalidades escolares nos valores de R$ 3.382,27 e R$ 3.560,28. Mas nem Flávio nem Fernanda haviam feito nenhum saque compatível com esses valores nos 15 meses anteriores à data.
Para o juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, Queiroz tinha “notória influência deletéria sobre as investigações“, o que justificava sua prisão. O magistrado também considerou que a mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar, “teve participação fundamental nas manobras para embaraçar as investigações“.

Correio do Agreste