“O herdeiro do baú do desastre administrativo no Rio Grande do Norte pousou no Estado atacando a governadora. Minimizou o rombo nas contas públicas deixado pelo governo do seu pai, fazendo pouco caso dos calotes no funcionalismo público e nos fornecedores”, rebateu o secretário de Gestão de Projetos e Articulação Institucional, Fernando Mineiro (PT), sobre as críticas do ministro das Comunicações Fábio Faria (PSD), que foi enfático ao afirmar que a governadora Fátima Bezerra (PT) é “fraca” e prejudicou a educação durante a pandemia da Covid-19 e que, quem pagou as folhas atrasadas do funcionalismo público e dos fornecedores, teria sido o presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mineiro desafiou Fábio Faria. “Já que ele avalia a administração da governadora tão ‘ruim’ e ‘fraca’, porque não lança seu nome para ser candidato ao governo nas eleições e aproveita a oportunidade para defender a herança do pai (Robinson Faria) e a reeleição de seu chefe (Jair Bolsonaro)? Vamos fazer o debate público?”.
Fábio é filho do ex-governador Robinson Faria (PSD), que administrou o Estado até 2018 e, na época, deixou quatro folhas de pagamentos do funcionalismo público atrasadas, no valor de R$ 1 bilhão e dívidas com fornecedores do Estado. Desde que assumiu a gestão do RN, em 2018, a gestora já quitou três folhas.
Mineiro acredita que Fábio não se conforma diante do fato de Fátima estar tirando o Estado da “UTI” e por não ser o fracasso que ele desejava que fosse. O secretário ainda cobrou, “seria bom que os ministros e deputados bolsonaristas do Rio Grande do Norte dessem transparência à destinação de recursos da União, liberados através do orçamento secreto”. E questionou: “Quanto e onde esses recursos estão sendo ou serão aplicados?”.
Segundo informações da Agência Saiba Mais, pelo menos 290 parlamentares foram beneficiados em todo o país pelo esquema do orçamento secreto do governo Jair Bolsonaro, entre os anos de 2020 e 2021, tendo recebido, ao todo, R$ 3,2 bilhões.
Do Rio Grande do Norte, estão na lista de beneficiários o Fábio Faria, que recebeu R$ 12,8 milhões para indicações; além dos deputados federais Beto Rosado (PP), que recebeu R$ 5,6 milhões; Walter Alves (MDB), com R$ 3,6 milhões; Benes Leocádio (Republicanos), com R$ 3,6 milhões; João Maia (PL), com R$ 3 milhões; Rafael Motta (PSB), com R$ 2 milhões; General Girão (PSL), com R$ 2 milhões e Carla Dickson (Pros), que levou R$ 1,5 milhões.
Nota do governo
Em nota, a Comunicação do RN contestou os ataques verbais proferidos por Fábio Faria à governadora. “O ministro, filho de um ex-governador do Estado, voltou a atacar a atual gestão, numa postura politiqueira e rotineira. Com um discurso vazio e omisso, faz críticas, esquecendo de citar a trágica situação em que a atual gestão recebeu o Estado, gerido até 2018 pelo então governador Robinson Faria, pai do ministro, à época com os maiores índices históricos de violência e mergulhado em dívidas — quatro folhas salariais dos servidores em atraso, além de uma imensa dívida com fornecedores”, destacou.
Ainda acordo com a nota, sobre a retomada das aulas presenciais na rede pública, “a atual gestão não hesitou em dar assistência aos alunos em aulas remotas. Distribuiu 1,1 milhão de kits com itens da merenda escolar. A preparação para o retorno às aulas demandou investimentos de R$ 12 milhões, dos quais R$ 8 milhões em recursos estaduais e R$ 4 milhões do FNDE. Enquanto isso, o governo federal não liberou recursos para a compra de equipamentos essenciais às aulas virtuais, demorou para liberar os recursos para compra da merenda escolar e resistiu enquanto pode para liberar os R$ 3,5 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), aprovados pelo Congresso, e que posteriormente levou a questão ao STF, onde foi derrotado e o direito assegurado aos estados”, frisou.
E abordou a Saúde. “Ao mencionar o Walfredo Gurgel, o ministro desconsiderou os investimentos feitos na área da saúde. Esqueceu, novamente, que em junho de 2017 o então governador decretou estado de calamidade na saúde pública”, disse.

Correio do Agreste