Engana-se quem acredita nessa história de que a governadora Fátima Bezerra (PT) não concorrerá a nada em 2026 e vai concluir seu mandato até 31 de dezembro. O segundo Governo de Fátima começou há oito meses. Não é momento em falar de renúncia, que só deverá acontecer por exigência da lei eleitoral em abril de 2026. Ela não vai confirmar agora essa intenção.
Antes da sucessão na Governadoria e da renovação das cadeiras dos senadores Styvenson Valetim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD), haverá eleições para prefeitos em 167 municípios em 2024. Também haverá eleição para renovar as Câmaras Municipais.
Fátima foi acompanhada pelo núcleo duro dos petistas a não declarar que será candidata ao Senado, já que prefeitos e lideranças políticas estariam correndo para Vice-Governadoria, antecipando uma possível posse do vice-governador Walter Alves (MDB). Estrategista e bem atento, o filho do ex-governador Garibaldi Alves Filho só observa a cena. Acompanha Fátima em agendas no interior e evita declarações como se já fosse o escolhido para a sucessão. Walter também tem mantido a linha de diálogo com deputados e o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), com quem tem uma amizade sincera.
A oposição, de forma sistemática, trabalha por um racha entre o PT e o MDB de Walter Alves, levando o PSDB de Ezequiel Ferreira, que pode compor uma chapa majoritária na condição de candidato a senador. Líder da oposição, o senador Rogério Marinho (PL) alimenta uma composição para 2026 que poderia sim alojar esse grupo.
Styvenson, por sua vez, pode encabeçar uma chapa para o Governo ou disputar reeleição. Mudou de prática política e abraça prefeitos com muitos flashes. Também anda votando em matérias de interesse do Governo Lula, mesmo posando de oposição. O senador descobriu os caminhos dos recursos extras e emendas.
ESCLARECIMENTO
A secretária Lyane Ramalho (saúde) foi ontem prestar esclarecimentos sobre temas como aplicação dos recursos federais para cirurgias eletivas, implantação da Farmácia Popular nos municípios, atraso no pagamento de empresas terceirizadas e aplicação da emenda coletiva 486 da Comissão de Fiscalização e Finanças (CFF) da Assembleia Legislativa, no valor dos R$ 7 milhões, destinada para cirurgias vasculares e outros temas.
A deputada Cristiane Dantas (Solidariedade) foi autora do “convite” para a auxiliar da governadora Fátima Bezerra (PT) prestar esclarecimentos.
ASPAS
“No plano nacional, existiam 27.492 pessoas na fila de cirurgias eletivas. O desafio é, nos próximos nove meses, realizarmos 6.676 cirurgias, com R$ 10 milhões, oriundos do Governo Federal. Já cumprimos 40% desse plano e hoje somos o 4° estado do País, mas queremos ser os primeiros”, justificou ontem a secretária Lyane Ramalho na Assembleia Legislativa. Sobre o atraso no pagamento das empresas terceirizadas, o diretor do Fundo Estadual de Saúde, Jorge de Castro, rebateu: “Qualquer empresa que lida com licitação sabe que trabalha de 1º a 30 do mês para poder gerar a documentação necessária para que esse pagamento seja efetuado. Um prazo médio de 60 a 90 dias, se toda documentação estiver dentro dos trâmites”, tentou explicar.
MOSSORÓ
Pré-candidata do PT ao Palácio da Resistência, a deputada Isolda Dantas questionou a necessidade de o Hospital Regional Tarcísio Maia cumprir o papel de ser um hospital municipal. “Do total de pacientes, 80% das pessoas atendidas no regional são de Mossoró e poderiam estar sendo atendidas em um hospital municipal. Muitas vezes ocupando a vaga de um paciente de alta complexidade. Hoje, Mossoró abrir um hospital municipal seria um grande ganho para a saúde dos mossoroenses”, cutucou a a deputada estadual, amiga de Lyane Ramalho.
MÉTODO
A governadora Fátima Bezerra tem dito a interlocutores que todos os cargos federais no Rio Grande do Norte passam por ela, mesmo que as decisões sejam tomadas pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em conjunto com as bancadas do União Brasil e do PP. O deputado João Maia, que está chegando no PP, quer a indicação de Pablo Tatim para a superintendência da Funasa-RN. Isso procede e foi revelado à coluna por uma fonte bem-informada. Agora, o PT local e a governadora querem “indicar” o cargo que deve ser de escolha de João. Mas é ele que vai votar no Congresso e ser rotulado de “base de apoio” do Governo Lula. Mesma coisa fez com Benes Leocádio, que ficou com a Codevasf e Paulinho Freire, que indicará o Dnocs.
PARNAMIRIM
302 mil pessoas participaram da Festa do Sabugo 2023 e cerca de 95% pretendem voltar na próxima edição. A gestão do prefeito Rossano Taveira, de Parnamirim, recebeu pesquisa que mostra avaliação positiva da festa pelas pessoas que participaram. O impacto foi bastante positivo nos negócios, de acordo com levantamento do Instituto Fecomércio RN. A média geral de avaliação do evento foi de 9,22, de um total de 10 pontos. O evento movimentou mais de R$ 55 milhões, dando oportunidade também aos empreendedores e ambulantes.
BATE…
O deputado José Dias (PSDB) fez ontem um relato de sua vida na política. Ele se apresenta em posição de independência. “São 36 anos e meio e eu nunca me arrependi de nada, nunca fui subserviente a governo nenhum”, disse José Dias, que fez críticas às duas primeiras gestões do presidente Lula (PT) e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e enalteceu a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre a gestão da Petrobras.
…LEVA
“O deputado José Dias não falou sobre a queda dos royalties em consequência do desmonte da Petrobras no Rio Grande do Norte”, rebateu o deputado Francisco do PT, líder do governo na Assembleia. “O deputado falou sobre os dividendos pagos aos acionistas no Governo Bolsonaro, mas a qual custo? Gasolina chegou a quase R$ 10 reais e o óleo diesel ficou mais caro do que a gasolina. Esse foi o custo”, encerrou o deputado petista.
SIGILO DE VOTO
Tornar sigilosos os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como defendeu Lula (PT) ontem, não segue os preceitos da Constituição. O presidente defendeu durante transmissão ao vivo que os votos não sejam divulgados. Segundo ele, a insatisfação da população com votações pode gerar insegurança para os magistrados. “Para a gente não criar animosidade, eu acho que era preciso começar a pensar se não é o jeito da gente mudar o que está acontecendo no Brasil. Porque, do jeito que vai, daqui a pouco um ministro da Suprema Corte não pode mais sair na rua, passear com sua família, sabe, porque tem um cara que não gostou de uma decisão dele”, disse.
DEVANEIO
O ex-juiz da Lava Jato e senador Sergio Moro (União-PR) criticou a ideia apresentada pelo presidente Lula da Silva para que os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se tornem secretos. Moro classificou a sugestão como “devaneio” e disse que ela “não deve ser levada a sério”. “Uma ideia ruim, que diminui a transparência das decisões do STF, mas não deve ser levada a sério, (é um) mero devaneio presidencial”, declarou Moro ao jornal O Globo.

Correio do Agreste