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Sábado, 15 de Agosto 2026
Brasil

Entenda o que é o 'estupro marital' que fez marido ser preso após ser gravado violentando esposa dopada

Homem foi preso preventivamente, em Praia Grande (SP), por estupro de vulnerável. A estudante Juliana Rizzo acusa o ex-marido, Ricardo Penna Guerreiro

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Entenda o que é o 'estupro marital' que fez marido ser preso após ser gravado violentando esposa dopada
Juliana foi vítima do ex-marido, que a espancava e a estuprava quando ela tomava medicamentos. Ele foi preso em Praia Grande, SP — Foto: Reprodução
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O caso da mulher que divulgou o próprio estupro para provar os ataques do ex-marido, que acabou sendo preso preventivamente em Praia Grande, no litoral de São Paulo, gerou grande repercussão nacional. Por conta disso, o g1 conversou, nesta sexta-feira (3), com a investigadora de uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e um advogado criminal, que explicaram como um estupro é caracterizado dentro de um casamento.

Ambos os profissionais afirmaram que, independentemente do matrimônio, qualquer relação sexual que não tenha o consentimento de uma das partes é caracterizada como estupro. O crime, inclusive, tem pena prevista de seis a 10 anos de prisão. Quando o crime é cometido dentro de uma relação conjugal o estupro é chamado de 'marital'.

"O estupro dentro do casamento se caracteriza da mesma forma que todos os outros tipos. É o sexo sem consentimento. É a vontade da mulher, então, quando ela se nega ou resolve parar, no início ou em qualquer outro momento do ato, tem que ser respeitada. Quando isso não acontece e ela dá queixa, é caracterizado um estupro", ​​​​explicou a investigadora da DDM de Itanhaém (SP), Kátia Bento Palange.

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Casos dentro de um matrimônio, segundo os profissionais, podem ser 'caracterizados' desta forma. "Nao há legislação específica para julgar o estupro marital, como chamamos. Mas ele se enquadra na Lei Maria da Penha, sendo portanto um agravante no crime de estupro", acrescentou Kátia.

O advogado criminal Mário Badures pontuou que a lei civil não autoriza, sob qualquer circunstância, o uso de violência física ou coação moral entre cônjuges. "A Lei Maria da Penha tem a violência sexual como uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, quer seja pelo constrangimento em presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada".

Vítima afirmar ter sido agredida pelo ex em Praia Grande por diversas vezes — Foto: Arquivo pessoal

Vítima afirmar ter sido agredida pelo ex em Praia Grande por diversas vezes — Foto: Arquivo pessoal

Ele complementou que, neste contexto, "pouco importa se existe um relacionamento amoroso: mulher alguma pode ser vista como objeto, sendo forçada a manter relações sexuais e praticar qualquer ato sem consentimento".

Por fim, a investigadora da DDM de Itanhaém ressaltou que, atualmente, tal situação é reconhecida como crime, "mas antigamente muitas mulheres foram obrigadas a fazer sexo pela 'obrigação do casamento'". Ela ainda afirmou que, nas denúncias, além do exame de corpo de delito - que nem sempre é conclusivo - , a palavra da vítima é de "suma importância".

FONTE/CRÉDITOS: Thiago D'Almeida, g1 Santos

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