A autorização da Anvisa para que o Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) importe sementes, germine e cultive diferentes cepas da cannabis foi comemorada pelos pesquisadores responsáveis pelos estudos.
Essa foi a primeira vez que a agência nacional autorizou uma instituição a cultivar a planta para fins científicos no país.
"É uma decisão histórica. Desde 2013, várias instituições têm tentado e fomos os primeiros a conseguir. Foram mais de cinco anos trabalhando em cima disso", afirma o bioquímico Cláudio Queiroz, professor associado do Instituto do Cérebro, com 11 anos de atuação na instituição.
O processo com pedido de autorização na Anvisa foi aberto em janeiro de 2021. Entre as etapas, a UFRN recebeu uma visita técnica para avaliar a estrutura necessária para o estudo. A aprovação teve votação unânime.
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Visita realizada em outubro deste ano, com as presenças de Claudio Queiroz, Daniel Diniz, reitor da UFRN, Alex Campos, da Anvisa e Kerstin Schmidt, do Instituto do Cérebro. — Foto: Wallacy Medeiros
Segundo o professor Cláudio Queiroz, a autorização concedida é para estudos pré-clínicos, ou seja, que não irão envolver testes com seres humanos. O objetivo dos pesquisadores é, inicialmente com uso de animais, avaliar o perfil de diferentes cannabinoides sobre doenças e transtornos que atingem os humanos, como epilepsia, depressão e autismo.
Segundo o pesquisador, as plantas de cannabis produzem um conjunto de compostos conhecidos como fitocanabinoides - moléculas que possuem capacidade farmacológica em diferentes tipos de células, como as do sistema nervoso.

Correio do Agreste