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Sábado, 03 de Outubro 2026
Brasil

Decisão do Congresso abala argumento em defesa de subir ICMS

Deputados e senadores derrubaram veto do presidente Jair Bolsonaro (PL) e decidiram que a União deve compensar estados por perda de arrecadação

Portal Correio do Agreste
Por Portal Correio do Agreste
Decisão do Congresso abala argumento em defesa de subir ICMS
Congresso nacional - Foto: reprodução
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Uma decisão tomada pelo Congresso Nacional na última quinta-feira 15 abala o argumento usado pela gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) para manter na Assembleia Legislativa a proposta de aumentar o ICMS, o principal imposto estadual, por dois anos.

O governo vinha afirmando que precisaria subir o imposto temporariamente para compensar parte das perdas de receitas que o Estado teve após duas leis federais sancionadas no meio deste ano limitarem a cobrança do ICMS sobre combustíveis, telecomunicações e energia elétrica.

A Secretaria de Tributação (SET) sustenta que as leis fizeram o Estado perder receitas e reclama que o Governo Federal não compensou a queda na arrecadação.

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Na quinta, no entanto, o Congresso Nacional derrubou um veto do presidente Jair Bolsonaro (PL) e voltou a incluir na lei a garantia de que a União deve compensar os estados. Com isso, o Governo Federal ficará obrigado a compensar estados e municípios e garantir que os mínimos constitucionais da saúde e da educação não sejam atingidos pela queda na arrecadação.

A compensação pelas perdas não é total, mas alivia o caixa dos estados em parte. O argumento do governo Fátima Bezerra também era repor apenas uma fração das perdas. O secretário de Tributação, Cadu Xavier, não se manifestou. Outra compensação, através do abatimento de dívidas, já estava assegurada pela derrubada de outro veto, mas o secretário de Tributação, Cadu Xavier, afirmou em entrevista à 98 FM que o Rio Grande do Norte não era beneficiado porque tem, em relação a outros estados, poucas dívidas com a União como fiadora.

O STF também discute o tema. Nesta semana, a Corte decidiu homologar, por unanimidade, um acordo entre estados e o Governo Federal sobre a disputa em torno das perdas pelas mudanças nas regras do ICMS, no meio deste ano. O acordo prevê que o Governo Federal deve encaminhar ao Congresso projetos de lei complementar para aperfeiçoar trechos das leis originais que limitaram a cobrança do imposto. Além disso, estados decidiram reconhecer que diesel, gás de cozinha e gás natural são itens essenciais e, portanto, devem ser taxados pela alíquota mínima do imposto (aqui no RN, 18%, por enquanto).

A gasolina ficou de fora. Os estados defendem que o combustível seja excluído do teto do imposto. Sobre esse assunto, o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, decidiu que isso “deverá ser objeto de acordo posterior quanto às medidas substitutivas do debate acerca da essencialidade”.

Caso a decisão seja favorável aos estados – e a expectativa é essa –, estados poderiam elevar o imposto especificamente para a gasolina. Com isso, uma brecha para que o Estado volte a cobrar 29% de imposto sobre o combustível.

Atualmente, por força de lei, a taxa está em 18%. O acordo homologado pelo STF veio após lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em meados do ano – diante de grandes mobilizações em busca de medidas para aliviar uma alta dos preços dos combustíveis – ter sido considerada inconstitucional por estados, que levaram o caso ao STF.

O texto da lei federal não chegou a fixar uma alíquota para o ICMS cobrado, mas limitou a incidência do tributo
à chamada alíquota modal no imposto – que é de 18% no RN – ao carimbá-los como “essenciais”. O projeto prevê a elevação da chamada “alíquota modal” – o piso do imposto – dos atuais 18% para 20%, em 2023. Em 2024, a alíquota seria de 19%. Em 2025, voltaria ao patamar atual, de 18%.

Fiern e Fecomércio pedem retirada de projeto da Assembleia

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) defenderam nesta sexta-feira 16 que o Governo do Estado retire da Assembleia Legislativa o projeto que trata do aumento do ICMS por dois anos.

De acordo com as entidades, a proposta perdeu o sentido depois que o Congresso Nacional derrubou um veto do presidente Jair Bolsonaro (PL) e garantiu que a União compense os estados pelas perdas de arrecadação provocadas pela redução dos impostos estaduais sobre combustíveis, energia e telecomunicações.

“Com este novo cenário, o projeto de lei encaminhado pelo Governo do RN à Assembleia Legislativa, em regime de urgência, que trata do aumento da alíquota modal do ICMS, perde totalmente o seu objeto, não mais se justificando a manutenção da matéria naquela casa legislativa, onde tramita para apreciação dos nossos deputados estaduais”, destacou a Fecomércio, em nota.

Já a Fiern ressalta, além disso, que “acredita, por princípio, que o melhor caminho para a recomposição financeira das receitas estaduais é a priorização de medidas de impulsionamento da economia – pois o aumento de tributos acarretaria, invariavelmente, na perda de competitividade para o setor produtivo do nosso estado”.

FONTE/CRÉDITOS: AGORA RN

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