“Só continuo porque não tenho outra alternativa”, afirmou o motorista de aplicativo Josicláudio, 50 anos, ao ser perguntado sobre o peso do combustível em suas despesas. “E os valores que a gente recebe são os mesmos de quando o preço da gasolina era só R$ 3,20”, completa.
A reclamação de Josicláudio, que trabalha há três anos e meio na Uber, tem sido a mesma de boa parte dos potiguares. É que o RN está fechando o mês de agosto com a terceira gasolina mais cara do Nordeste, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente à semana de 22 e 28 últimos. O preço médio hoje está em R$ 6,08, variando entre R$ 5,92 (preço mínimo) e R$ 6,59 (preço máximo).
Com o preço médio mais caro que o RN, só aparem os estados do Piauí (R$ 6,47) e Alagoas (R$ 6,18), no Nordeste. Na Paraíba, estado vizinho, o valor da gasolina na bomba está em R$ 5,83, chegando a R$ 5,67 no menor preço.
Como no levantamento anterior, entre as cidades potiguares analisadas, Mossoró é a que tem os maiores preços. Na capital do Oeste, a gasolina chega a R$ 6,59. Em Natal, onde Josicláudio abastece, a média está em R$ 6,03. “Para compensar esses preços absurdos, eu tive que aumentar a carga de trabalho”, afirma o autônomo, cuja renda sustenta uma família de quatro pessoas.
Sete reais
O preço do litro da gasolina já ultrapassa os R$ 7 em três regiões do País – Norte, Sudeste e Sul . O combustível acumula alta de 2,2% no mês e de 51% no ano, e tem como principal fator de alta o câmbio, aliado ao aumento do petróleo no mercado internacional.
O preço mais alto da gasolina foi encontrado pela ANP em Bagé, no Rio Grande do Sul (R$ 7,219/litro), e o mais baixo foi visto em alguns municípios de São Paulo, inclusive a capital (R$ 5,099/litro). O preço médio do País ficou em R$ 5,982 o litro na semana passada, alta de 0,5% em relação à semana anterior.
Composição dos preços
A escalada do preço nas bombas reflete aumentos promovidos pela Petrobras nos preços de suas refinarias. Apenas em 2021, a estatal já elevou a gasolina em 51%. Diesel e gás de cozinha subiram 38%.
Na composição do valor na bomba, o preço da Petrobras representa apenas uma parcela do preço final (33,6%). De acordo com a estatal, os impostos correspondem a 39,1% do preço – somando o estadual (27,6%) e os federais (11,5%), o etanol pesa 16,9% e a revenda/distribuição fica com os 10,4% restantes.
As maiores pressões para aumento foram exercidas pela própria gasolina (pura) e pelo etanol anidro, que é misturado ao produto final, que hoje pesam bem mais no preço final do que antes do início do governo Bolsonaro. Impostos estaduais e margens perderam participação no período.

Correio do Agreste