Maria Eduarda da Silva, 21 anos, foi a última vítima fatal achada nos escombros do deslizamento em Abreu e Lima. Ela tinha ido visitar a família, que perdeu quatro integrantes
O corpo de Maria Eduarda da Silva, 21 anos, que estava grávida de oito meses, foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros nos entulhos do deslizamento de uma barreira em Caetés II, em Abreu e Lima. A notícia trágica elevou para 12 o número de mortes causadas pelas chuvas que caíram na Região Metropolitana do Recife (RMR) desde a madrugada desta quarta-feira (24).
Das cinco pessoas que morreram em Abreu e Lima, quatro eram da mesma família, incluindo Maria Eduarda, que foi a última vítima localizada. O corpo só foi encontrado no final da noite desta quarta-feira, quase um dia após o deslizamento. As outras mortes aconteceram em Olinda (4) e no Recife (3).
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Grávida de oito meses, Maria Eduarda morava na Ilha de Itamaracá com o marido. Ela viajou até Caetés II, em Abreu e Lima, para realizar um chá de bebê com a família e acompanhar a festa de aniversário de 15 anos do irmão. A barreira deslizou sobre a casa de familiares de Maria Eduarda no início da madrugada. Chovia forte no momento do acidente. Mesmo assim, moradores se uniram e até se arriscaram para ajudar no resgate, juntamente com o Corpo dos Bombeiros.
Baldes, pás, cães farejadores e toda força física foi empregada no soterramento que atingiu outras três casas além do imóvel da família de Eduarda, duas desabitadas. A tensão era constante durante todo o resgate. Com o terreno instável, o temor era que houvesse novos deslizamentos. No alto do local da ocorrência, algumas residências estão em risco de desabamento.
Em algumas horas de trabalho, ainda durante o dia, os socorristas conseguiram tirar do lamaçal os corpos dos irmãos de Maria Eduarda, Luís Henrique da Silva, 15 anos, e Mariana da Silva, 18. A mãe deles, Ariana Teresa Xavier, 39 anos, foi a única socorrida com vida e levada para o Hospital Miguel Arraes. O estado de saúde dela é grave. Momentos depois, os bombeiros localizaram mais um corpo: era o do pai de Maria Eduarda, seu Silvano Silva, 49 anos.
Da família, apenas um dos filhos se salvou porque havia decidido dormir na casa da avó. Apesar de toda dor, ele esteve no local do deslizamento. Tentou ajudar, tirou lama e carregou baldes. Mas ao ver o corpo do pai ser retirado dos escombros, desmaiou.
Breno da Silva, marido de Maria Eduarda, também seguiu até o fim das buscas no local onde perdeu também o primeiro filho. O bebê Brendon nasceria no começo de agosto. O enxoval já estava todo comprado e o quarto pronto na casa onde morava o casal em Itamaracá, Litoral Norte do estado. “Eu estava tão ansioso com a chegada dele, mas fazer o quê? Aconteceu essa tragédia”, contou o pai do bebê.
Segundo Breno, Maria Eduarda estava na casa dos pais desde o fim de semana, quando houve o chá de fraldas do bebê e o aniversário do cunhado. “Ela estava indo dormir quando falei com ela a última vez pelo WhatsApp. Ela disse que estava tudo bem e que combinei de pegá-la na casa dos pais no sábado”, disse Breno.
Maria Eduarda exibia o barrigão de oito meses em várias fotos com os parentes, inclusive na festa para celebrar a chegada do primeiro filho. Na mesma área onde a família foi localizada, também estava o corpo de um vizinho identificado como Aldemir Ferreira dos Santos, 53 anos.

Correio do Agreste