Leite e derivados tiveram alta de 22,38% no acumulado de janeiro a junho de 2022 no Brasil, acima da inflação do período de 5,49%. Todos os subitens pesquisados tiveram altas, com destaque para leite longa vida (41,76%) e leite condensado (11,90%). Seguiram a tendência de encarecimento acima do índice geral da inflação no período: manteiga (10,82%), requeijão (10,54%), queijo (10,36%), leite em pó (7,52%) e leite fermentado (5,91%). Os dados preliminares fazem parte de pesquisa divulgada na terça-feira 6 pelo IBGE.
Com o aumento no preço, se tornou comum encontrar um produto semelhante ao leite nos mercados: o composto lácteo. Mesmo possuindo uma embalagem semelhante à do leite em pó, aspecto e até gosto parecido, os dois itens não são iguais; e segundo especialistas, o composto lácteo ultraprocessado tem afetado o paladar infantil de forma preocupante.
O leite é um produto essencial na fase de crescimento e desenvolvimento infantil, pois é rico em cálcio, proteínas e vitaminas fundamentais para esta faixa etária. Já o composto lácteo é o produto alimentício em que se adiciona algum outro ingrediente na composição. Segundo os nutricionistas Fabrícia Mesquita e Weskley Ribeiro, é dessa maneira que o valor nutricional do composto lácteo se difere dos leites, pela inserção de outro ingrediente.
Ainda assim, o próprio composto lácteo em si não deve ser considerado um vilão, pois é um item que dispõe de variações. “Alguns produtos com excelente composição, e cuja classificação como composto é dada pela adição de fibras, prebióticos ou mesmo enzimas, como a lactase, podem ser utilizados com fins nutricionais específicos cuja utilização é eficaz”, disse Fabrícia.
O que preocupa neste caso são os compostos lácteos que têm adição de substâncias ultraprocessadas, como gorduras, açúcar, amido e proteínas. Alimentos assim são considerados hiper palatáveis, principalmente os que contêm amido, pois estimulam o consumo frequente e exagerado.
Segundo os nutricionistas, essa ingestão pode sim viciar o paladar, principalmente de crianças em fase de crescimento, pois elas criam um hábito alimentar com uma tendência para o consumo de ultraprocessados.
Para diferenciar o composto lácteo do leite é preciso ficar atento ao rótulo. “Foque na lista de ingredientes. Os compostos têm adição de ingredientes. O tipo do ingrediente adicionado e a quantidade definem a qualidade do produto”, disse Fabrícia.
Nutricionistas alertam sobre a importância do leite materno para crianças menores
De acordo com o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o leite materno é o melhor alimento que um bebê pode ter, pois é de fácil digestão e promove um melhor crescimento e desenvolvimento, além de proteger contra doenças.
Mesmo após completar os seis meses de vida, onde as crianças devem começar a experimentar novos alimentos, o UNICEF reitera que o leite materno continua sendo uma importante fonte de energia, proteína e outros nutrientes, como vitamina A e ferro.
Para Fabrícia e Weskley, o uso de outros componentes além do leite materno deve ser recomendado por um médico ou nutricionista. “O leite materno é sempre o melhor alimento, e após o início da alimentação complementar, leites com fórmulas infantis são os mais recomendados”, informam os nutricionistas.

Correio do Agreste