Diante das revelações feitas nesta quinta-feira (17) pelo hacker Walter Delgatti Neto à CPMI dos Atos Golpistas, a ordem dentro das Forças Armadas é para que a instituição seja mantida distante da crise e que não sejam feitas defesas públicas de nenhum dos citados no depoimento. Enquanto isso, há também a determinação de que os implicados no caso se expliquem, informa Bela Megale, do jornal O Globo. >>> O dia que selou o destino de Bolsonaro e jogou os militares no fogo
Em depoimento, Delgatti relatou que foi encaminhado por Jair Bolsonaro (PL) ao Ministério da Defesa, onde conversou com militares sobre supostas fragilidades das urnas eletrônicas. Ao todo, o hacker esteve cinco vezes no ministério. Ele ainda contou que o relatório entregue pelas Forças Armadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontando caminhos para aparentemente aprimorar o processo eleitoral, foi elaborado basicamente por ele próprio. >>> Delgatti diz ter ido cinco vezes ao Ministério da Defesa
Segundo a reportagem, “é consenso hoje entre integrantes do alto comando que as Forças Armadas erraram ao entrar na fiscalização das urnas, papel que nunca pertenceu à instituição. A conclusão é que o episódio proporcionou a instrumentalização da atuação dos militares e que não trouxe nada de novo, já que o relatório final não aponta fraude alguma no sistema eleitoral”. Além disso, a cúpula das Forças Armadas classifica como “um absurdo” o encontro do hacker com membros do Ministério da Defesa para falar sobre urnas eletrônicas.
Agora, a avaliação dos militares é de que o único caminho é submergir do mundo político, se concentrando no cumprimento de suas atividades constitucionais, como a proteção das fronteiras nacionais.

Correio do Agreste