O Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais da Sesap elaborou um boletim em maio deste ano, apresentando uma análise epidemiológica sobre os casos confirmados de Aids e de Infecção pelo HIV no RN. Em 2020, foram notificados no estado 586 casos de Aids (taxa de detecção de 16,6 casos/100 mil habitantes), 03 casos em menores de 05 anos de idade (taxa de detecção de 1,3 casos/100 mil habitantes), 124 casos de gestantes com HIV (taxa de detecção de 2,9/mil nascidos vivos), 126 casos de crianças expostas, 1.113 casos de infecção pelo HIV e 124 óbitos por Aids (coeficiente de mortalidade de 3,5/100 mil habitantes). Em comparação com o ano de 2019, observou-se uma redução de 7,8% na taxa de detecção de Aids, de 50% na taxa de detecção da doença em menores de 05 anos de idade e de 7,8% no coeficiente de mortalidade por Aids. Entretanto, verificou-se um aumento de 1,0% no número de casos de infecção pelo HIV, de 16% na detecção de gestante HIV e de 2,5% no número de casos de crianças expostas ao HIV. De janeiro de 2010 a dezembro de 2020, foram registrados, no RN, 6230 casos de Aids. Desse total, 6120 casos (98,2%) em adultos e 110 (1,8%) em crianças. No período, observa-se um aumento de 32,5% no registro de casos de Aids no estado. A distribuição dos casos de Aids por região de saúde de residência mostra que a 7ª região apresentou 56,5% dos casos (Tabela 01). O Município de Natal concentrou 39,3% (2447) do total de casos registrados no estado. Histórico No último sábado 5, completou 40 anos da descoberta do primeiro caso de Aids no mundo pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, em 1981. Desde então, a Aids se espalhou rapidamente, sendo considerada uma epidemia mundial no final da década de 1980 até hoje. Em alusão a esse marco histórico da saúde pública mundial, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), por meio do Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais, reforça a importância das medidas de prevenção e da realização de testes rápidos para o HIV. Doença sexualmente transmissível causada pelo vírus HIV, que afeta a imunidade do organismo, aumentando os riscos de infecções e câncer, a Aids também pode ser transmitida por meio da mãe para o bebê, durante a gestação, no parto ou na amamentação (transmissão vertical), do uso de drogas injetáveis, dos acidentes ocupacionais e das transfusões sanguíneas. É importante diferenciar HIV e Aids. HIV é o vírus causador da infecção, já a Aids é a instalação da doença, quando o diagnóstico é tardio ou o paciente não toma os medicamentos adequados. Uma pessoa pode conviver anos com o HIV sem desenvolver a Aids. A Aids ainda não tem cura, mas tem tratamento. “Por isso, é tão importante fazer o teste rápido, para o diagnóstico precoce, que permite o início do tratamento adequado e oportuno, contribuindo para uma melhor qualidade de vida do paciente”, explica a responsável técnica pelo Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais da Sesap, Cinthia Teixeira. Atenção Primária à Saúde Nesse sentido, a Atenção Primária à Saúde tem um papel fundamental na ampla oferta do teste rápido para o HIV, cujo resultado é entregue em até 30 minutos. A Sesap recebe os testes rápidos do Ministério da Saúde e o distribui para todas as regionais de saúde, que repassam para os municípios, que os disponibilizam nas unidades de saúde. No RN, existem mais de 800 locais onde o usuário pode ter acesso ao exame. Pacientes com resultado do teste reagente (positivos) são devidamente encaminhados aos Serviços de Atendimento Especializados (SAE’s), para tratamento e acompanhamento clínico por uma equipe de saúde multidisciplinar e especializada. Atualmente, existem16 SAE’s distribuídos pelo estado. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta, gratuitamente, o tratamento (medicamentos antirretrovirais), que é essencial para a melhoria da qualidade de vida das pessoas acometidas pelo vírus. Uma das maiores dificuldades relativas à Aids reside no estigma em torno da doença. “É preciso combater o preconceito relacionado ao HIV/Aids que impõe barreiras de acesso aos serviços de saúde, à cidadania e às ações de cuidado integral à saúde”, destaca Cinthia Teixeira. Prevenção A melhor forma de prevenção é o uso de preservativo durante as relações sexuais, além da utilização de seringas e agulhas descartáveis. O Programa Estadual de IST, AIDS e Hepatites Virais realiza ações educativas para incentivar a prevenção contra o HIV, além de distribuir preservativos masculinos e femininos e gel lubrificante às regionais, hospitais, Lacen, Hemonorte, na sede da Sesap e em outras instituições. Também é fundamental o acompanhamento adequado de gestantes que convivem com HIV e a tomada diária dos medicamentos prescritos. Além disso, um cuidado importante é a indicação de profilaxia pós exposição ao vírus para os acidentes ocupacionais, bem como para as demais vias de transmissão. Para evitar a transmissão vertical, da mãe para o bebê, durante a amamentação, o Programa oferta para as maternidades a fórmula infantil (leite) para as crianças que nasceram de mães que convivem com HIV não serem amamentadas por elas, uma vez que nesses casos é contraindicada a amamentação.
FONTE/CRÉDITOS: Agora RN
Correio do Agreste